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Narrativa é tema central do Comitê de Gênero Aberje-Avon

Aberje

Encontro destacou a importância dos comunicadores e da sociedade na luta contra a desigualdade de gênero, colocando em evidência o papel das redes sociais

Lucas Almeida – Jornalismo Júnior

Com o tema “Gênero: Narrativas em (des)construção” o Comitê de Gênero Aberje-Avon, aconteceu na terça-feira, 20 de setembro. A proposta do evento foi debater, principalmente, o conceito de gênero, desde sua origem até os reflexos que esse tópico tem atualmente, procurando mostrar como é possível atuar na busca de uma sociedade mais igualitária.

A coordenadora de Comunicação Corporativa da Avon, Miriam Scavone, fez a abertura das discussões falando como os comunicadores possuem um papel fundamental para o combate da desigualdade de gênero. Ela conta que a Avon já luta há muitos anos pelo empoderamento feminino, e que, em meio às mudanças na atualidade, as empresas estão se atualizando e revendo conceitos na própria estrutura, a fim de garantir que os direitos entre homens e mulheres sejam iguais e que as suas disparidades diminuam cada vez mais.

A psicanalista e pesquisadora do Núcleo Diversitas-USP, Maria Lucia Homem, explicou, em seguida,  como se deu o processo histórico de construção e dominação de gêneros, desde o período paleolítico até o atual, atribuindo às mulheres determinado papel social. De acordo com ela, hoje, na chamada pós-modernidade, esses conceitos estão sendo cada vez mais questionados e desestruturados, de modo que o sujeito obtém uma liberdade radical, passa a “criar a si mesmo” e pode, muitas vezes, romper com as imposições da sociedade.

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Maria Lucia Homem, do Núcleo Diversitas-USP

Luiza Coppieters, professora de filosofia, trouxe uma nova provocação para o debate: além da subjetividade do próprio indivíduo, há a imposição de diversos valores pela sociedade antes mesmo de nascermos. Ela atrela esse pensamento à sua própria vivência enquanto mulher transexual, discutindo sobre o papel e o comportamento esperado “de um indivíduo pela sua genitália”. Luiza afirmou que ninguém nasceu no corpo errado: somos o nosso corpo e podemos ressignificá-lo da maneira que queremos.

Por fim, Helena Bertho, Vice-Diretora da Revista AzMina, falou sobre a inserção das mídias sociais em meio a essa temática. Para ela, a indústria cultural e a internet contribuíram para a agilidade na circulação de informação. Nesse sentido, a revista foi uma iniciativa para ressignificar conteúdos jornalísticos e desconstruir a imagem do feminino da mídia tradicional, principalmente das chamadas “revistas femininas”, que em geral tratam temas e retratam as mulheres de forma conservadora.

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Helena Bertho, da revista AzMina, Luiza Coppieters, professora de filosofia e Miriam Scavone, da AVON