A Fundação Dom Cabral (FDC) divulgou os resultados do Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras 2017 e do Ranking de Internacionalização de Franquias Brasileiras – pesquisa que elenca as empresas brasileiras mais internacionalizadas e explora aspectos da gestão do conhecimento destas empresas, que estão presentes em 87 países do mundo. O estudo, que chega ao seu 12º ano, detalha o desempenho e expectativas futuras das multinacionais e franquias brasileiras, e aponta tendências quanto à expansão, estabilidade ou retração das operações nos próximos anos.

O estudo consultou 65 empresas, sendo 54 multinacionais brasileiras e 11 empresas que atuam no exterior por meio de franquias. Entre as multinacionais, os dados apontam que o processo de expansão internacional registrado nos últimos anos segue em curso. Em 2016, o índice médio de internacionalização das empresas foi de 27,3%, um salto de 0,9 ponto percentual em relação a 2015 e de 4,1 pontos percentuais em relação a 2014. No caso das franquias, o movimento de internacionalização se manteve praticamente estável em 2016, passando de 8,5% para 8,1%. Em 2014, o índice era de 5,5%.

Em 2016, 63% das empresas analisadas avançaram no exterior – ou 34 do total analisado. Outras 18 empresas (33%) recuaram e 2 permaneceram estáveis (4%). No caso das franquias, 5 avançaram (45%), 5 recuaram (45%) e 1 se manteve estável (10%).

 

O Ranking das multinacionais brasileiras

Na edição 2017 do Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras, a Fitesa empresa líder na indústria de nãotecidos para descartáveis higiênicos e médicos, conquistou pelo terceiro ano consecutivo a primeira posição, com um índice de internacionalização próximo aos 74%. Em seguida, aparecem a Odebrecht (73%) e a Intercement (65%). A Iochpe-Maxion (62%) e a Stefanini (62%) completam as primeiras posições do ranking.

O relatório destaca que aquisições recentes ajudam a justificar a permanência da Fitesa no topo do Ranking. Em 2016, foram instaladas novas máquinas no México e esse ano a capacidade de produção será expandida na Alemanha e nos Estados Unidos. Em 2017, a Fitesa anunciou também a aquisição da Pantex International, uma empresa que produz especialidades para o mercado de higiênicos.

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Satisfação e otimismo

O relatório mostra ainda que, em um cenário de crise econômica no País, as multinacionais estão mais otimistas em relação ao desempenho financeiro no mercado externo do que no interno – mesmo diante de uma queda de 35% nas margens de lucro das subsidiárias em 2016.

Em edições anteriores da pesquisa, como 2010, 2011 e 2012, o quadro observado era completamente diferente do atual, pois as empresas brasileiras estavam mais satisfeitas com seu desempenho no mercado doméstico do que no internacional, em todos os indicadores. Isso mostra como o cenário econômico afeta o desempenho das companhias, já que nessa época o mercado internacional sentia os efeitos da crise mundial, enquanto o Brasil vivia um momento de crescimento. No entanto, desde 2014, com a conjuntura negativa da economia brasileira, esse panorama se reverteu com as empresas mais satisfeitas com o mercado internacional, principalmente em relação às vendas.

Para os próximos anos, 42,3% das empresas consultadas esperam entrar em novos mercados enquanto 67,3% planejam expandir em mercados em que já atuam.

Ao contrário do observado para as multinacionais, a maioria das franquias percebe melhor desempenho no mercado doméstico se comparado ao internacional. Esse resultado reflete a alta competição que as franquias enfrentam ao atuarem no exterior, reforçando os desafios de concorrer com empresas e marcas já conhecidas, em especial no mercado B2C. “Esta situação reflete o estágio de internacionalização das franquias brasileiras, que é mais incipiente. Isso faz com que o cenário nacional seja mais satisfatório para este grupo”, analisa Lívia.

Do Brasil para ao mundo

As empresas participantes do Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras e do Ranking FDC de Internacionalização das Franquias Brasileiras 2017 estão presentes em 87 países. Mais uma vez, o país que concentra maior número de empresas brasileiras são os Estados Unidos, com 44 empresas. A América Latina também é um alvo frequente no processo de internacionalização de empresas brasileiras pela proximidade geográfica e cultural. Dos 10 países com maior presença de empresas brasileiras, 7 são latino americanos (6 países da América do Sul + México). O maior destaque nesse continente é a vizinha Argentina, onde 31 empresas possuem subsidiárias e franquias.

Tabela 3 – Concentração geográfica mundial das empresas brasileiras

Posição País Número de empresas
1 Estados Unidos 44
2 Argentina 31
3 México 24
4 Chile 21
5 Colômbia 21
6 Peru 21
7 Uruguai 20
8 Uruguai 20
9 China 18
10 Reino Unido 15