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Mulheres da siderurgia que transformam realidades e inspiram novas gerações

Rede Aberje

As mulheres têm avançado no mercado de trabalho ocupando cargos de liderança e em funções cujos perfis eram tipicamente masculinos. Elas têm investido em suas habilidades e competências, estão apresentando os resultados dessa dedicação e vêm somando importantes soluções onde atuam.

Há um ano, a Mikaele ingressou na CSP  – para seu primeiro emprego – e já está investindo na carreira profissional, dedicando-se ao curso técnico em Metalurgia do CVTEC em SGA

Na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), empresa associada da Aberje, 12,9% de seus empregados diretos são mulheres. Esse percentual vem crescendo, ano após ano, e ultrapassa a média nacional das siderúrgicas brasileiras, cujo índice é de 8% de participação feminina, conforme o Relatório de Sustentabilidade 2018 do Instituto Aço Brasil. Nos últimos dois anos, o número de mulheres contratadas na CSP dobrou.

Na CSP, as mulheres ocupam funções em todas as áreas. Os programas de Trainee e Jovem Aprendiz têm sido portas de entrada para mais mulheres na CSP, ao atrair profissionais recém-formadas e para o primeiro emprego. Com 22 anos, a Mikaele de Sousa Reis, moradora de São Gonçalo do Amarante (SGA), inaugurou um novo tempo no Laboratório de Matérias Primas da CSP, tornando-se a primeira mulher a integrar a equipe na função de laboratorista. Trabalhar no setor envolve o manuseio de materiais de 6kg a 40 kg, a utilização de pás para o quarteamento do produto que vai ser analisado e a missão de atestar a qualidade do carvão e coque adquiridos com análises de umidade e de granolometria, dentre outras atividades.

Há um ano a Mikaele ingressou na CSP  – para seu primeiro emprego – e já está investindo na carreira profissional, dedicando-se ao curso técnico em Metalurgia do CVTEC em SGA. “Eu ouvia falar da CSP, mas não conhecia o processo de produção do aço. Quando abriram as inscrições para o programa Jovem Aprendiz, me inscrevi. Quando comecei a estudar e a ver todo o processo de perto, me apaixonei por isso. O ramo siderúrgico é algo diferente e que me chama a atenção. E aqui é como se a gente fosse os olhos e o cérebro de todo o processo, porque toda a matéria-prima passa por este setor, antes de todo o processo, até o produto final”, contou empolgada.

Até 2019, apenas homens ocupavam o setor atuando como laboratorista. Agora, já são quatro mulheres integrando a equipe. “Eu tinha medo de me tratarem diferente e de não dar conta, mas isso não aconteceu. A gente segue um padrão, todo mundo faz a mesma coisa. Isso me deixou mais empoderada. Eu vi que consigo fazer coisas que, muitas vezes, as pessoas falam que a mulher não é capaz – mas, se eu quiser, eu sou capaz”, compartilhou Mikaele. A trajetória dela já é um exemplo para sua família e amigos: “Eu falo a minha experiência e tento mostrar, principalmente pra minha irmã, que não é preciso viver só naquele mundo. Ela pode sair dessa bolha, que às vezes a sociedade impõe para a mulher. Ela é capaz de tudo, assim ela queira. Percebo que minha mãe tem muito orgulho de mim e isso me deixa muito feliz”.

Essa mudança agregou importantes resultados para a CSP, segundo o coordenador do Laboratório Central da CSP, Hilder Caldas. “Por ser um posto com maior carga braçal, que exige um físico mais forte, existia um paradigma de contratação de homens para a função. Mas a gente se surpreendeu positivamente, não só com a capacidade das mulheres de fazerem as atividades do posto, mas também com as melhorias que aconteceram no laboratório como um todo. Elas têm um olhar mais crítico em relação à organização e para dar novas ideias sobre procedimentos e processos. Tivemos resultados excepcionais”, relata o gestor.