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Impacto da família no trabalho é preocupação de 42% das mulheres no mundo, aponta PwC

Ter filhos e conciliar a rotina familiar com o trabalho é uma preocupação para mulheres em todo o mundo. Dados globais apurados pela PwC, consultoria associada da Aberje, na pesquisa “Igualdade de gênero: o que ainda precisa mudar no ambiente de trabalho”, revelam que 42% das participantes em mais de 60 países se preocupam com o impacto que começar uma família tem em suas carreiras. O medo tem fundamento: 48% das entrevistadas sentiram-se preteridas para promoções ou projetos especiais no retorno ao trabalho.

As políticas das empresas voltadas à flexibilização da jornada de trabalho para profissionais com filhos pequenos também encontram obstáculos: 38% das entrevistadas afirmam que utilizar estes programas tem consequências negativas em suas carreiras. Das mulheres ouvidas, 45% acreditam que fatores como gênero, etnia, idade e orientação sexual podem ser barreiras para progressão na carreira em suas organizações, embora 51% concordem que há esforço de seus empregadores na promoção da diversidade de gênero.

Outro obstáculo apontado pelo estudo é o reconhecimento que as mulheres têm dentro das organizações. Das profissionais (41%) que foram promovidas nos últimos dois anos, 63% tiveram que solicitar ativamente a promoção. E das 53% das mulheres que receberam um projeto de alta visibilidade nos últimos dois anos, 91% tiveram a iniciativa de buscar essas oportunidades.

Apesar do cenário, o relatório mostra que 82% das entrevistadas estão confiantes em sua capacidade de atingir seus objetivos profissionais e 73% buscam ativamente oportunidades de desenvolvimento pessoal. Mas as empresas precisam avançar em relação à transparência no desenvolvimento de carreiras. Para 58% das participantes da pesquisa, as organizações precisam fornecer informações sobre o que espera de suas funcionárias e sobre suas políticas de progressão profissional. “As organizações podem fazer muito para ajudar as mulheres a progredir e alcançar posições de liderança, por exemplo, encorajando conversas sobre carreira profissional, mitigando o impacto de quaisquer possíveis vieses inconscientes nas decisões relacionadas à progressão na carreira e definindo critérios uniformes e transparentes pelos quais os funcionários são avaliados”, explica Ana Malvestio, sócia da PwC Brasil.

 

Três elementos que devem mudar

O relatório apresenta três elementos essenciais para as lideranças promoverem o avanço das mulheres nas organizações:

 

  1. Transparência e confiança:as mulheres precisam saber onde estão, para que possam estabelecer seus objetivos e confiar nos comentários recebidos. Mais transparência não só beneficiará as profissionais mulheres, mas também promoverá um ambiente mais inclusivo, proporcionando a todos mais oportunidades para atingir seu potencial.

 

  1. Apoio estratégico:as mulheres precisam de redes proativas de líderes e colegas que as incentivem a perseguir a progressão profissional, tanto em casa como no local de trabalho. Este apoio motivará mulheres a discutirem promoções e oportunidades no trabalho.

 

  1. Vida, cuidados familiares e trabalho:os empregadores precisam repensar suas políticas direcionadas ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional a fim de oferecer soluções organizacionais que realmente funcionem. Expandindo e promovendo programas que tragam flexibilidade, além de ampliar a comunicação dessas práticas.