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Fundação Banco do Brasil e ONU Mulheres vão apoiar entidade no Pará

Uma parceria entre a Fundação Banco do Brasil, instituição associada da ABerje, e a ONU Mulheres vai apoiar associações que promovem o protagonismo e o combate à violência contra as mulheres no Brasil.  Uma das entidades assistidas será o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense MMNEPA. Criada em 1993, em Capanema – cidade a 165 km de Belém – o MMNEPA tem como missão fortalecer o papel da mulher para superar as desigualdades sociais, promovendo o desenvolvimento humano, integrado, sustentável, buscando a justiça social, emancipação feminina e equidade de gênero através da organização, formação e articulação.

O investimento social  de R$ 750 mil será destinado para 43 grupos de mulheres, em 14 cidades do nordeste paraense, totalizando um atendimento direto a 700 participantes. Estes grupos estão nos seguintes municípios: Aurora do Pará, Capanema, Bragança, Irituia, Mãe do Rio, Capitão Poço, Ourém, Nova Timboteua, Santa Luzia do Pará, Santa Maria do Pará, São Domingo do Capim, São Miguel do Guamá, Salinópolis, Tracuateua.

O diretor de desenvolvimento social da Fundação Banco do Brasil, Rogério Biruel, explica que a cooperação com a ONU Mulheres é fundamental para fortalecer o protagonismo feminino. “Essa parceria com o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense e a ONU Mulheres amplia a defesa de direitos, promove a inclusão produtiva, o empoderamento econômico e a participação das mulheres em diversos espaços da sociedade”, avalia.

O convênio foi assinado em Santa Maria do Pará,  com a presença de representantes da Fundação Banco do Brasil, ONU Mulheres, autoridades, representantes de entidades parcerias e lideranças locais e regionais.

EMPODERAMENTO – A parceria entre Fundação Banco do Brasil e ONU Mulheres é resultado do compromisso da instituição com a plataforma dos Princípios de Empoderamento das Mulheres, da qual o Banco do Brasil é signatário, e visa mostrar como as fundações empresariais podem contribuir para o alcance do ODS 5 (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável) – Alcançar a igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas. As mulheres brasileiras ainda enfrentam muitos desafios, são sobrecarregadas pelos trabalhos do cuidado não remunerados e ainda trabalham muitas vezes na informalidade.

“O empoderamento econômico das mulheres é decisivo para a transformação de suas vidas, de suas comunidades e da economia como um todo. Investir na capacidade produtiva das mulheres, nos seus locais de vida e promover o fortalecimento de grupos de mulheres são iniciativas concretas para alterar a economia como foco em direitos e sustentabilidade, além de influenciar novas práticas em toda a cadeia produtiva em favor das mulheres”, afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil. Gasman lembra a relação entre o ODS 5 com todos os objetivos globais, entre eles o ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico e ODS 2- Fome Zero e Agricultura Sustentável.  “Esse investimento social e produtivo demonstra como os objetivos globais fazem parte da vida real das brasileiras e como enfrentar as desigualdades de gênero, raça e etnia implica ações em diferentes áreas”, completa.

VIOLÊNCIA DE GÊNERO – Diagnóstico realizado em 2010, com as participantes da associação comprovou que mulheres que possuem autonomia financeira, sofrem muito menos com a violência. Segundo a ONU Mulheres, o Brasil é o quinto país com maior taxa de feminicídio (assassinato de mulheres por razões de gênero): 4,8 vítimas para cada 100 mil mulheres. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com dados de 2016, informa que o Pará tem uma taxa de 7,2 vítimas para cada 100 mil mulheres, colocando o estado como o segundo mais letal para as mulheres.

 

Esta realidade em números pode ser expressada pela vivência narrada por Rita Teixeira, uma das coordenadoras do MMNEPA. “Costumamos dizer que quando eu pago a conta, eu determino quem senta na minha mesa e isto é o propósito do MMNEPA acabar com a violência pelo empoderamento social e econômico para nós, mulheres, vivermos dias melhores”.

As participantes da associação são em sua maioria mulheres agricultoras, quilombolas e extrativistas. O apoio financeiro da Fundação BB, em parceria com a ONU Mulheres, possibilitará a reforma de dez espaços para beneficiamento do mel, a compra de quatro tendas para comercialização de produtos, aquisição de um veículo utilitário, além de capacitações e intercâmbios para serem apresentadas novas práticas de produção e manejo de mel, farinha de milho, produtos agroecológicos e artesanato para agregar valor e aumentar a renda das mulheres associadas ao MMNEPA.