Desafios da gestão contemporânea
Marco Tulio Zanini*
Mudanças institucionais ocorridas nas últimas décadas, como a comoditização produtos e serviços em larga escala derivado do aumento da competição global, a revolução das tecnologias da informação e comunicação e o crescente aumento da aplicação intensiva do conhecimento nos processos produtivos, marcando a transição de um paradigma de produção industrial para o de produção baseado no conhecimento, transformaram o mundo dos negócios nos dias atuais.
No entanto, o surgimento dessa nova dinâmica de negócios criou novos desafios para a gestão das empresas contemporâneas: o aumento da incerteza no ambiente de negócios, aumentando o risco das transações econômicas, acarretando maior necessidade de mudança e adaptação organizacional; o aumento da velocidade das transações econômicas que requer maior capacidade de inovação em produtos e serviços e maior integração das cadeias de suprimentos; e uma profunda mudança da natureza da transferência do valor econômico nos processos produtivos, aumentando o risco relativo ao comportamento dos indivíduos para a realização das transações.
Estes novos desafios da gestão empresarial aliados a um mundo mais veloz e complexo passaram a exigir estruturas organizacionais mais descentralizadas e flexíveis, capazes de oferecer respostas rápidas às constantes mudanças de ambiente. Torna-se necessário, portanto, desenvolver formas organizacionais mais cooperativas e integradas, atribuindo maior autonomia aos profissionais e aplicando novos mecanismos de motivação, em substituição àqueles praticados nas tradicionais burocracias.
O conceito da gestão orientada por princípios nasce exatamente neste cenário, pois flexibilizar significa aumentar a autonomia e reduzir o controle e a monitoração formal, confiando maior poder de decisão a todos os níveis gerenciais e permitindo proporcional acesso a recursos financeiros, políticos e informacionais. Ou seja, é preciso confiar em pessoas, o que significa aumentar o risco relacionado ao comportamento destas pessoas, apostando em suas competências e escolhas como sujeitos autônomos.
Com o aumento da aplicação intensiva do conhecimento nos processo produtivos, criatividade, inovação, liderança e gestão de equipes de alto desempenho tornam-se tarefas atribuídas aos mais diversos níveis hierárquicos, o que pode representar um grande diferencial competitivo numa época em que a inovação organizacional deixa de ocorrer de forma centralizada, e passou a ocorrer a partir de micro estratégias emergentes advindas de todos os membros da empresa, principalmente aqueles que estão nas linhas de produção – um exemplo relevante nesta direção é o caso Toyota.
Mais do que declarar um conjunto de valores e competências organizacionais, a prática da gestão orientada por princípios busca identificar e capacitar gestores que possam refletir sobre sua própria realidade e atribuir maior significado para a rotina de trabalho, dentro de uma racionalidade econômica.
Portanto, identificar e interiorizar princípios que possam orientar a ação individual e coletiva, como mecanismos informais de coordenação e motivação, tornou-se uma tarefa fundamental para as empresas e suas lideranças. Esteja também atento a estas questões, já que tais mudanças nas organizações refletem também em novas posturas e competências profissionais.
*Professor da Fundação Dom Cabral.
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