Que tal trabalhar em uma empresa que confia em você?
Marco Túlio Zanini*
Você está cansado daqueles ambientes de trabalho em que o chefe está sempre vigiando todo mundo, medindo resultados e cobrando mais e mais produtividade? Uma empresa em que toda iniciativa dos funcionários é vista como “custo” e não como investimento?
Pois bem, temos uma boa notícia para você! Junto com o século XXI, tem-se expandido em todo o mundo uma nova forma de fazer a gestão das empresas contemporâneas afinadas com os paradigmas atuais de mercado. São as empresas que entendem que a qualidade dos relacionamentos é um diferencial competitivo e que estão desenvolvendo uma gestão baseada em valores nas relações de trabalho e proporcionando mais motivação na equipe e cooperação entre os colaboradores.
Esses novos valores são menos palpáveis do que os do passado como horas trabalhadas e lucro imediato. Mas, no médio prazo, eles trazem resultados mais eficientes e geram um ambiente muito melhor para se trabalhar. Um desses novos valores chama-se confiança.
A lógica é relativamente simples de se compreender: se eu confio no meu superior ou no meu colega de trabalho, tenho maior predisposição em cooperar. Assim, compartilho minhas melhores idéias e ofereço meus melhores esforços, sem temer que as minhas contribuições sejam desconsideradas, ou pior, usurpadas pelos outros.
Quero dizer que, nas organizações atuais, os contratos de trabalho e outros instrumentos legais que regulamentam as funções dos colaboradores apesar de serem instrumentos necessários nas organizações, são insuficientes para garantir maior motivação e cooperação entre todos.
Por isso, as empresas que adotam um estilo de gestão baseado na confiança podem ser muito mais eficientes. Além dos bons resultados, esse novo estilo gera também menos controle sobre todos – o que reduz custos administrativos –, maior comprometimento e, evidentemente, muito mais satisfação para quem trabalha nessas empresas.
Vários estudos e pesquisas já foram realizados sobre as relações de confiança dentro das empresas. Em geral, eles indicam alguns pressupostos para se criar esse ambiente: transparência nas relações internas, percepção de integridade, preocupação com os empregados, qualidade da comunicação interna e percepção de justiça.
Particularmente, essa percepção de justiça é fundamental para que as pessoas se sintam motivadas. Quem, por exemplo, nunca saiu do trabalho no final do dia com a sensação de que “foi injustiçado”? A motivação, portanto, é essencial para gerar um bom ambiente de trabalho.
Afinal, cada profissional tem objetivos pessoais que vão além de um salário satisfatório e oportunidade de crescer na empresa. Todos têm uma profunda necessidade de pertencimento e de reconhecimento por parte do grupo ou equipe de trabalho.
Mas se você quer trabalhar em uma empresa assim, também é preciso fazer a sua parte. Enquanto muitas empresas ainda trabalham sob o paradigma da sociedade industrial usando intensamente a autoridade e o controle para aumentar a produtividade, uma boa parte das empresas contemporâneas que trabalham a gestão de qualidade – que valorizam a confiança como instrumento de gestão – compõem a nova sociedade do conhecimento.
A palavra conhecimento diz tudo, não? As empresas não querem mais “um bom apertador de parafuso”, como no passado. Elas querem pessoas que sejam capazes de pensar e de criar valor no trabalho.
Para isso, anote aí: esse “novo profissional” precisa executar suas tarefas com muita criatividade, inovação, espírito de equipe, complexidade, interatividade e multifuncionalidade.
* Marco Tulio Zanini é professor da Fundação Dom Cabral e doutor pela Universidade de Magdeburg (Alemanha). É especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Comportamento Organizacional. Autor dos livros: “Confiança – O Principal Ativo Intangível de uma Empresa” Editora Campus Elsevier, 2007; e, “Trust within Organizations of the New Economy” Deutscher Universitäts Verlag, Wiesbaden, Alemanha, 2007.
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