* Por Lilian Dorighello e Suzel Figueiredo

Em tempos como os que estamos vivendo, de grandes mudanças sociais, culturais e econômicas, profissionais têm que se reinventar. Não tem jeito. A chamada 4a Revolução Industrial (conceito do engenheiro e economista Klaus Schwabe) mudou indústrias inteiras, mudou nosso jeito de nos relacionarmos com a mídia, com as marcas, com o mundo. E tudo isso tem acontecido de maneira tão intensa e acelerada que mal damos conta de acompanhar. Nas palavras do sociólogo Sérgio Abranches, estamos vivendo a Era do Imprevisto. As situações experimentadas hoje são inéditas, muitas vezes contraditórias, e não fazem parte do nosso mapa de previsões.

Você deve estar se perguntando o que esses conceitos da Economia e da Sociologia têm a ver com o tema desse post. Eu respondo: tudo.


Tempos como esses requerem novas habilidades. Exigem dos comunicadores alguns passos à frente no tabuleiro. Se antes justificativas como: “o resultado desse projeto não dá para medir” ou “esta é uma ação apenas qualitativa” se aplicavam a algumas situações, hoje não se aplicam mais. Organizações e seus respectivos líderes estão igualmente inseridos nesse contexto de complexidades e novos desafios. Por isso, avançarão os profissionais capazes de desafiarem a si mesmos: suas convicções e habilidades.

Nessa nova ordem, não será possível prosperar sem questionar o modo como as coisas foram feitas até aqui. Como diz o especialista em gestão e liderança, Marshall Goldsmith, “o que nos trouxe até aqui, não nos levará até lá”. Definitivamente não. Talvez seja exatamente por isso que estejamos assistindo cada vez mais engenheiros ingressarem na área da Comunicação – a pedido das empresas, inclusive – e assistindo também a grandes agências de publicidade perderem contas importantes para consultorias de estratégia. Consultorias estas repletas de administradores, engenheiros e economistas.

Ah, então quer dizer que a área está sendo “invadida” por outros profissionais? SIM.


E os próprios comunicadores que estão abrindo esse espaço. Já passou da hora de soltarem as amarras do medo e das certezas absolutas, e focarem no desenvolvimento de habilidades como visão estratégica e capacidade de análise. “Demorou”, como dizem.

Historicamente os comunicadores são formados para serem técnicos, para trabalharem muito bem com as ferramentas da comunicação. Mas, os novos tempos pedem novas habilidades, especialmente aquelas ligadas à estratégia e aos resultados do negócio. Enquanto não derem esse passo à frente e se posicionarem como verdadeiros consultores dentro das organizações, a área manterá sua fragilidade e, consequentemente, seus profissionais também.

Índices, indicadores, balance score card, KPIs, ROI etc. Chegou a hora de dar as mãos ao idioma e à lógica dos negócios. Caso contrário, comunicadores continuarão a ser vistos como meros executores, “tiradores de pedidos” de textos e peças. O ganho de relevância – e o progresso na carreira – só depende dessa mudança. E então? Vai encarar?


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