“Pós-verdade” foi escolhida a palavra do ano pelo Dicionário Oxford. Palavra bonita, politicamente correta, mas que representa algo ruim e condenável: a disseminação de mentiras por meio das redes sociais.

Vivemos hoje um momento em que o acesso à informação é democrático e muito fácil. Qualquer dúvida que temos é resolvida por meio de um clique; qualquer definição é encontrada rapidamente numa simples consulta. É claro que tamanha facilidade acaba oferecendo riscos!

Às vezes uma interpretação simplista, algo baseado em crenças pessoais, preconceitos, influência emocional… E lá postamos algo um pouco distante da realidade, alguma coisa que “não é bem assim”.

O mais assustador é que muitas vezes essas informações são compartilhadas, passadas adiante numa velocidade imensa! Claro que geralmente são informações pitorescas, fatos inusitados, algo que costuma estar em pauta; coisas que chamam a nossa atenção. Frequentemente lemos só o título, nem nos ocupamos da leitura criteriosa do conteúdo, e já compartilhamos.

Há inúmeros episódios assim que provocaram transtornos, arruinaram vidas, plantaram desconfiança… E impactaram no resultado de eleições, por exemplo. Lembra do Pizzagate? Além das eleições americanas, há relatos de problemas assim nas Filipinas, na Indonésia, no Brasil, sobre a Lava Jato, e outros.

Este tema tem sido alvo de muitas publicações na mídia. Há um dado muito curioso: mentiras são propagadas mais rapidamente e mais compartilhadas! O tempo de ocorrer um desmentido é de cerca de 14h. Imagine o estrago que algo assim pode promover no seu negócio, na sua vida pessoal, profissional. O problema é tão importante que já acionou sites como o Facebook e o Google, que passaram a ser mais criteriosos em relação à credibilidade daquilo que é postado. Fora essas situações de maior impacto, nosso WhatsApp de cada dia também traz mensagens equivocadas ou mentirosas. Aí achamos interessante, compartilhamos nos nossos grupos… E perdemos o controle do que é real ou não. Geralmente essas informações assustam as pessoas, alarmam, e acabamos nos baseando em algo irreal, que nos estressa desnecessariamente, que nos faz deixar de consumir alguma coisa, que nos leva a desconfiarmos, a formarmos conceitos equivocados, por causa de uma fonte, de dados falsos.

Comunicação sempre é um processo que envolve riscos. É frequente falarmos algo e o nosso interlocutor entender diferente! Chamamos sempre a atenção para a importância de nos apropriarmos da nossa comunicação e de seu impacto, buscando formas de nos expressarmos que aumentem a probabilidade de sermos bem entendidos. Assim, vamos levar em conta: mentiras abalam reputações, algo extremamente valioso para cada um de nós. O efeito é muito rápido e demora muito para se reverter. Cuidado! Não faça isso. Olhe com critério e isenção aquilo a que você tem acesso. Procure checar a credibilidade da fonte, entender a lógica ou a necessidade de dar valor àquela informação. Só compartilhe aquilo que você tem convicção da fonte e da necessidade! Como diz Gil Giardelli, professor e estudioso da cultura digital, “você é o que você compartilha”. Qual é a imagem que você vem construindo? Pense sobre isso!


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