O que eu iria ser quando eu crescesse?

Preparo e futuro

Eu iria ser astronauta. Me lembro claramente que estava debaixo da mesa da cozinha assistindo a Neil Armstrong dar o primeiro passo na lua no dia 20 de julho de 1969. Eu, um pequeno nerd de 4 anos de idade, tinha as camisas da Apolo 11 e miniaturas de foguetes.

O tempo passou e acabei seguindo para o lado da psicologia, passando pelo teatro, mas sem perder um pouco do sonho de criança: fiz o curso de piloto privado. É, nem tudo acontece como imaginamos.

Mudei-me para a Califórnia com meus pais em 1977, aos 12 anos e, sem dúvida, isso foi um dos grandes momentos da minha vida. Tudo novo! Imagina um moleque que tinha acabado de sair de um país que passava por uma ditadura, que frequentava uma escola hipertradicional, podendo estudar de bermuda, camiseta e chinelos… foi o máximo! Ia para a escola de skate ou de bicicleta, havia dois campos de futebol gramados e naquela época o futebol ainda estava engatinhando nos Estados Unidos. Eu, que era (e sou) péssimo jogador de futebol, era considerado um Messi local. Tínhamos várias quadras de tênis, basquete, vôlei, etc. Tudo isso em uma escola pública. Eu realmente curtia ir à escola.

E o idioma? E as pessoas? E o preconceito? Principalmente, e o choque de culturas?

Sabe aqueles filmes de escola americana, em que as pessoas são divididas em “tribos”, os atletas, os populares, os nerds? Pois é tudo verdade. Dentro desta nova estrutura social, linguística e cultural, o mais importante foi adquirir a fluência cultural, interagir com o meio sem que ele o perceba como um intruso, o que não é diferente dentro das empresas quando você vai ser expatriado, receber expatriados ou interagir com escritórios, fábricas e empresas ao redor do mundo.

Um dos maiores problemas em uma fusão ou compra de uma empresa pela outra são gerados pelo choque de culturas e dificuldade de comunicação entre elas. Não é fácil mudar uma cultura e, muitas vezes, é uma briga inócua de custo-benefício que não vale o esforço. Temos que saber escolher nossas batalhas.

Conseguir falar o idioma destes lugares é algo que, sem dúvida, vai trazer grandes benefícios, ou mesmo falar um idioma comum, como o inglês, já é um trunfo. Mas sabemos que a comunicação não é só verbal. Aliás, somente a comunicação pode nos colocar em saias justas em várias situações. A comunicação não verbal e o conhecimento da cultura, sem dúvida, fazem grande diferença.

Certa vez, participamos de um processo em que uma empresa brasileira comprou uma fábrica no Canadá. Inicialmente, fomos contratados para cuidar da questão gestão de idiomas: como, quem, qual metodologia, quais escolas, quais níveis. Muito rapidamente, percebemos que o “problema idioma” era sério, uma vez que diversos executivos e famílias que foram expatriados não tinham o domínio do inglês. Porém, o maior problema era a integração. Naquele ano, acho que meu sócio David Goldich passou mais tempo no Canadá do que aqui no Brasil. Depois de conseguirmos fazer a integração entre as duas culturas, quase passei a chamá-lo de David Copperfield.

O que você iria ser na sua empresa quando ela e você crescerem?

Planos são importantes, mas sabemos que os cenários mudam drasticamente, principalmente nos dias em que estamos vivendo. Seu contato multicultural é inevitável. Esteja sensível à sua interação, estude a cultura de quem você vai ter contato. Você iria ser gerente da empresa que vendia soja e acabou virando diretor da NASA.

Be prepared!

 

 


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