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Importantes avanços no agronegócio

 

Dois acontecimentos marcaram os meses de junho e julho para o Brasil. O primeiro foi a assinatura do Acordo entre União Europeia (UE) e o Mercosul. O segundo, e não menos importante, a aprovação, em primeiro turno na Câmara dos Deputados, da proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo Jair Bolsonaro. 

Uma das mais longas negociações comerciais, o Acordo entre União Europeia e Mercosul começou em 28 de junho de 1999 e foi concretizado exatamente 20 anos depois, em 28 de junho de 2019. E o que esse acordo significa exatamente? Basicamente cria um mercado de 800 milhões de pessoas para bens e serviços. Em termos de redução de tarifas, espera-se que os impostos sobre as exportações da UE para o Mercosul sejam cortados em R$ 20 bilhões por ano. Para o Mercosul, o acordo elimina as tarifas sobre 93% das exportações para a UE e concede “tratamento preferencial” para os 7% restantes. 

O Brasil e os demais países do bloco terão maior acesso ao mercado europeu de produtos agrícolas, especialmente carne bovina, aves, açúcar e etanol. Nossa expectativa é que as tarifas sobre suco de laranja, café instantâneo e frutas sejam zeradas. Da mesma forma, a UE terá vantagens em relação ao restante do mundo nas vendas para o Mercosul. Com redução de impostos para 91% dos bens que as empresas exportarem para os países sul-americanos. Um passo importantíssimo para o Brasil, sem sombra de dúvida. 

Mercosul e UE trabalharam, intensamente nesses últimos anos, para fechar o acordo. Trabalho que merece todo nosso reconhecimento, principalmente do atual governo que favoreceu para o desfecho positivo dessa negociação. O acordo vem enfrentando resistência de países, que garantem aos seus produtores rurais subsídios como preço mínimo, juros baixos e outros benefícios. Com certeza, não teremos vida fácil para colocar os nossos produtos nesses mercados. Portanto é fundamental que estejamos preparados para as regras desses exigentes parceiros comerciais. 

Já em Brasília, com placar expressivo de 379 a favor e 131 contra a PEC da reforma da Previdência foi votada na Câmara dos Deputados em Primeiro Turno. O texto aprovado pelos deputados, que ainda pode ser alterado, estima uma economia em torno de R$900 bilhões nas despesas da Previdência em 10 anos. Para que as regras passem a valer, ainda será necessária uma segunda votação na Câmara e depois segue para o Senado para ser referendada. 

A caminhada ainda é longa, mas se seguirmos nessa trajetória de equilíbrio das contas públicas e abertura de novos mercados internacionais a economia brasileira terá novo folego para avançar e se fortalecer. Isso mostrará o amadurecimento do Brasil, como um País que pensa a longo prazo e que se planeja para o futuro. 

No que depender do agronegócio, como um dos setores que mais contribui para o PIB do País, faremos a nossa parte para atender as demandas e expectativas de produzir cada vez mais com sustentabilidade, atendendo exigências dos mercados e investindo em inovação para aumento da produtividade das nossas cadeias produtivas. 

Marcello Brito
Marcello Brito
Formado em Engenharia de Alimentos pela UNIFEB de Barretos - SP, com especializações pelo Palm Oil Research Institute of Malaysia de Kuala Lumpur - Malásia e Federation of Oils, Fats and Seeds Association de Londres - Inglaterra. MBA em Comércio Internacional pela FIA/USP e em Gestão do Comércio Internacional pelo IAE / Universidade Pierre Mendes em Grenoble - França. Com atuação no setor de óleos vegetais nos últimos 20 anos, ocupa os cargos de conselheiro externo da EMBRAPA Transferência de tecnologia e é o atual presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

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