Acredito que um relevante número de empresas já utiliza pautas de comunicação direta para apoiar o desdobramento das informações entre líder e liderado. Mas, certamente, grande parte dessas organizações fazem uma única pauta para distribuir a todos os gestores da empresa. Isso acontece por dois motivos:

1. A área de comunicação interna enxerga os gestores como um único público, sem diferenciá-los por níveis hierárquicos.

2. Falta de braço para elaborar uma pauta segmentada por nível de liderança.

O fato é que, quanto mais específicos formos ao elaborar a pauta, mais efetivos seremos. O papel do líder é alinhar seu time dando foco ao que é importante, ao o que é preciso fazer e ao como fazer. E somos nós de comunicação interna que precisamos apoiar o líder a fazer sentido, conectar e transformar em ação as narrativas da empresa junto à equipe.

Para facilitar essa segmentação, separei os aspectos da comunicação do livro Pipeline da Liderança (veja o quadro abaixo). No livro, escrito por Ram Charan, Stephen Drotter e James Noel, são abordadas três habilidades para os líderes em diferentes níveis hierárquicos e, para cada nível, são exigidas responsabilidades específicas. Dos seis níveis, extraí quatro por fazerem parte do dia a dia de toda empresa:

1. Líder de si (colaborador)

2. Líder dos outros (supervisores/coordenadores)

3. Líder de líderes (gerentes)

4. Líder funcional (diretores e vice-presidentes)

Pipeline da Liderança – aspectos da comunicação

Adevani Rotter_Pipeline da liderança 2

Para saber se é necessário fazer algum tipo de segmentação, tenho uma dica: pensar a comunicação a partir do fim, questionando-se o seguinte:

– O que os colaboradores precisam fazer?
– No quê os colaboradores precisam se envolver para fazer o que precisa ser feito?
– Quais informações cada nível de liderança precisa receber e desdobrar com a equipe para que os seus colaboradores façam o que precisa ser feito?

Se a resposta for a mesma para todos os níveis de líderes e áreas, não é preciso segmentar a informação. Mas se as perguntas tiverem respostas diferentes, é preciso dirigir a informação dando objetivamente as informações necessárias. E o mais importante: dar a oportunidade para os líderes manifestarem se faz sentido comunicarem aquela mensagem naquele momento. Se eles estiverem seguros, desdobrarão e endossarão a mensagem, caso contrário, eles não compartilharão.

Ainda é comum alguns comunicadores não considerarem as vice-presidências e diretoria em suas pautas e comunicados por deduzir que eles sabem de tudo. Nem sempre. Eles sabem das estratégias e grandes movimentos da organização, mas podem desconhecer alguma iniciativa que vai acontecer e que está sendo comunicada para toda a empresa. Com essa visão, tais comunicadores perdem a oportunidade de ter o endosso desde a alta administração. Por sua vez, os gerentes são os responsáveis por traduzir as grandes estratégias em metas e fazer as conexões da mensagem com a atividade da área, além de também apoiarem seus coordenadores nesse papel. Já os coordenadores e supervisores têm de dizer claramente aos seus colaboradores qual é o impacto da mensagem no dia a dia do trabalho deles.

Além da segmentação da mensagem há outras três questões relevantes neste processo: prazo com que a informação chega aos gestores para ser desdobrada; pautas que vão com informações incompletas e pautas com notícias ruins. Detalharei esses aspectos em um próximo artigo aqui no Portal da Aberje.

Em resumo, os líderes de diferentes níveis hierárquicos têm opiniões, sentimentos e necessidades que precisamos conhecer se quisermos ser assertivos na comunicação interna. Devemos falar com eles e não para eles. Precisamos ser parceiros dos líderes, já que são eles os autores principais do processo de comunicação interna na empresa.


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