13.05
Humanizar as relações humanas. Orientadas pelo olhar mecanicista as empresas também precisam considerar os sentimentos humanos.

Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Orientados pelo olhar  mecanicista as empresas... Leia mais

BP Tires

Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Orientados pelo olhar  mecanicista as empresas precisam considerar também os sentimentos  humanos e seus impactos nos processos de trabalho. Campanhas motivacionais surgem como respostas urgentes quando as pesquisas de clima mapeiam a pressão interna e descobrem que o pulso organizacional bate indiferente aos comandos. Os empregados estão deprimidos, sem desejo? Ou para usar o termo da moda “desengajados”? É difícil celebrar mais um milhão de toneladas de minério produzidas? Ou duzentos mil contêineres descarregados? Ou algum outro quantitativo alcançado? Claro! Qual o significado dos números para o imaginário do homem em meio aos maquinários pesados, sobrecarregado por reuniões intermináveis e metas sempre maiores?
No campo do diálogo, a comunicação interna se faz permanente não só pelos canais oficiais de entrega da informação mas também pela “rádio peão” e cada vez mais nos comentários das redes sociais. O comunicar se reflete na energia dos lugares de encontro, nas salas de reunião, no design dos locais de trabalho e no cuidado com a estética alinhada com a ética e com a técnica! A comunicação se faz presente pelos afetos aparentemente ausentes. Todos são afetados pelo ambiente, assim como pelos discursos oficiais e oficiosos (aqueles dos corredores). Nas empresas, cada vez mais o emocional mexe com o metabolismo da organização e numa sociedade de conhecimento em rede, essa tendência se amplia forçando o uso da tecnologia matemática a ganhar uma face mais humana e sensível.
Sabemos que ser emocional demais atrapalha, assim como ser unicamente racional inviabiliza a ternura. Se o lado racional nos permite tecer conclusões é o emocional que nos dá a energia para a ação. Por isso, reforço “humanizar as relações humanas” e assim considerar o outro e seus sentimentos, afetos e desejos. Sonhos, visão de mundo, modelo mental, modo de falar e se expressar. O objetivo a atingir deve ser comum: realizar a missão da empresa, cumprir a promessa da marca. Mas se o coração está vazio, a alma em crise, o cérebro não vale nada. É uma lâmpada apagada.
Pessoas comuns podem se tornar notáveis quando impulsionadas por sua emoção e quando percebem e acreditam que podem fazer coisas extraordinárias, com real significado em suas rotinas e verdadeiro sentido para suas vidas.
 #TalkTheWalk

 

01.05
A organização viva Empresas não são um amontoado de máquinas arieu

Arieu de Geus foi Diretor de Planejamento da Shell e escreveu o livro "The Living Company"  em 1997 e após vinte anos, suas ideias continuam atuais. Empresas não são um amontoado de máquinas,... Leia mais

Arieu de Geus foi Diretor de Planejamento da Shell e escreveu o livro “The Living Company”  em 1997 e após vinte anos, suas ideias continuam atuais. Empresas não são um amontoado de máquinas, matéria-prima e recursos financeiros mas verdadeiras “comunidades vivas de trabalho“. Em tempos de turbulência política e econômica, é preciso resgatar este autor e perceber que é a energia das pessoas que movimenta a dinâmica corporativa afetando resultados no curto e no longo prazo, bem como reforçando ou depredando valores. Organismos vivos são marcados não pelo batimento dos ponteiros do relógio, mas pelo batimento de seus corações. Energia em movimento.

Palavras são fluxos de energia e é por isso que a comunicação possui não só uma responsabilidade formal e burocrática de entrega de dados e informações, mas a missão de orientar essa rede de conversas corporativa no sentido de abrir espaços para o potencial de cada pessoa, dar voz e ouvidos aos empregados em seus diferentes locais de trabalho. A comunicação com e entre os empregados tem o poder de reforçar ou desconstruir valores através dos exemplos individuais que dão vida à organização. Pessoas empoderadas e reconhecidas são os agentes da alta performance e é essa disposição que cria empresas duradouras, capazes de inovar e se transformarem ao longo dos anos. Segundo Arieu de Geus, companhias como a multinacional finlandesa Stora Enso ou a japonesa Mitsui.

Se a mudança é uma das únicas certezas que podemos ter em nossas vidas, os espaços corporativos também são campos impactados pela força da mudança. Diferentes áreas dirigidas por diferentes gestores devem ser entendidos como microcosmos de um mesmo universo. Um universo caótico, com certeza pois a vida é caos e mudança por mais que tentemos controlar seu rumo. Nas empresas não seria diferente e o  jeito como as pessoas se expressam, conversam e agem produzem narrativas de comunicação interna capazes de moldar o imaginário coletivo organizacional, bem como influenciar o alcance de metas e de resultados.

Nesse sentido, ainda encontramos diversas empresas cujos dirigentes as percebem como máquinas, incapazes de mudar ou de entender que a energia de seus empregados e os fluxos de comunicação interna são processos completamente opostos ao desejo de controlar as pessoas como se fossem peças mecânicas, simples crachás ambulantes ou head count na folha de pagamento. A própria insistência em definir a área de gente como de “recursos” humanos ainda comprova essa visão ultrapassada. A empresa enquanto uma comunidade viva é o futuro que chegou apesar de muitos gestores ainda não terem se dado conta dessa grande mudança na dinâmica dos negócios e de suas relações.

24.04
Blog do Presidente. O sucesso de um modelo depende do estilo do líder e da cultura organizacional.

Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de... Leia mais

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Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de opiniões sobre determinados temas específicos, os blogs surgem e morrem como um…espasmo. Cada CEO tem seu jeito de liderar e pode utilizar ou não esse formato para ampliar sua comunicação com a sociedade ou simplesmente ter um foco voltado exclusivamente para os empregados. O fato é que a proposta continua atual, mas o sucesso de um modelo depende do estilo do líder do momento e da cultura da organização.

Os blogs ajudam a costurar vínculos, formar opiniões e são fáceis de serem monitorados. A opinião aberta e direta de um presidente esclarece e direciona a empresa, influencia a cultura, acalma ânimos e tranquiliza as pessoas. Sua dinâmica de compartilhamento de ideias e conhecimentos em tempos de bonança ou de prestação de contas e esclarecimentos em momentos de crise (verdadeiras oportunidades para a criação de novas práticas de comunicação) deveria ser utilizada de forma planejada, dentro de uma proposta mais ampla de transparência e construção de relacionamentos com determinados stakeholders – o que pode ser feito a partir da escolha de temas específicos. Os blogs corporativos escritos diretamente pelo CEO ou em formatos coletivos divididos em publicações pelo conjunto de membros do diretoria não funcionam isolados do mix de comunicação integrada, interna e externa.

Blogs ou microblogs precisam fazer parte de uma linha estratégica coerente com outras ações e também estarem alinhados com a identidade da marca, o segmento de atuação e do negócio, os objetivos de comunicação e as metas almejadas pela empresa. O pior dos mundos é sempre o de ir olhar a concorrência para copiar as soluções dos outros. O que pode dar certo num ambiente corporativo pode dar errado em outro e o benchmarking não traz garantia nenhuma, apenas informações para serem analisadas. O sucesso de um modelo numa determinada companhia não é sinônimo de êxito em outra. O mais importante é pensar estrategicamente a comunicação. O CEO e os leitores agradecem!

30.03
Uma narrativa para a marca Brasil. O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino.

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”.... Leia mais

aberje bndes

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”. Confesso que fiquei positivamente influenciado e, por isso, peço licença para escrever aqui no blog este texto que, a princípio, pouco tem a ver com o tema da comunicação interna, assunto das minhas permanentes publicações.

A imagem do Brasil como país emergente e um dos líderes do agronegócio mundial teve mais do que arranhões com a crise provocada pelas denúncias da Operação Carne Fraca. A divulgação atrapalhada das investigações policiais e a omissão de lideranças empresariais do setor estão retirando valor da marca “Brasil”. Quem perde com essa subtração? Todos nós brasileiros, com certeza.

As micronarrativas de cada novo escândalo e seus desdobramentos nas mídias digitais – muitas vezes redes de gritaria contra tudo e contra todos -, bem como a força das manchetes da grande imprensa derrubam a reputação de empresas envolvidas e por tabela de toda uma próspera cadeia produtiva. O orgulho de ser brasileiro se esvai pelo ralo da vergonha. Meu Deus, o que queremos ser como país? Nesse tiroteio, são os nossos concorrentes na América, na Europa e na Ásia que aplaudem. Seus produtos e suas marcas podem ganhar mercados e nossas conquistas globais podem perder terreno precioso no comércio internacional. Se uma empresa que desconhece a sua missão já tem problemas, imaginem um país inteiro que não sabe o que quer e tropeça nas próprias pernas, deixando campo livre para potências concorrentes?!

Uma percepção negativa crescente do Brasil pode contaminar várias áreas de negócios, ultrapassar as nossas fronteiras e atingir em cheio a nossa reputação e o nosso crédito. O que era uma crise localizada ganha, assim, grandes dimensões, já pensou? Evidentemente que a busca por justiça é vital, bem como a punição de criminosos na esfera pública e privada, mas a avalanche de histeria coletiva não pode resultar em uma terra arrasada e em um mercado com milhões de desempregados.

O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino. A história do Brasil – um gigante na economia mundial – é feita pelos bons exemplos. Claro que o nacionalismo não pode ser o refúgio de canalhas de variadas espécies. Por isso, o remédio para uma nação ferida em seu imaginário é fortalecer sua metanarrativa de país e de grandeza histórica.

A Aberje defendeu essa proposta e conquistou corações e mentes reunidos na plateia.

#Metanarrativas #ComunicaçãoEmpresarial #BNDES #EncontroAberjeRio #Brasil #BlogDoGaulia #TalkTheWalk

18.02
Comunicação interna e a rádio corredor. Comunicação interna oficial é o remédio contra a maledicência.

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que... Leia mais

Norman Rockwell (1894-1978), "The Gossips," 1948. Painting for "The Saturday Evening Post" cover, March 6, 1948. Oil on canvas. Private collection. ©SEPS: Curtis Publishing, Indianapolis, IN

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que tagarelas de todos os naipes e cacifes cultivam e que em diferentes condições de temperatura e pressão podem proliferar sem qualquer controle.

Nas empresas esse hábito é conhecido como a famosa e perversa “rádio corredor”. Um vírus que solapa a confiança, atinge a produtividade, afeta a motivação e o engajamento e produz danos na reputação de lideranças e das próprias marcas. A rádio corredor é um veneno para o ambiente de trabalho. O remédio para essa praga é uma boa comunicação interna oficial: estruturada, frequente, criativa, digna de confiança e dessa forma bastante influente.

Quanto mais altos os índices de fofoca, mais forte é a influência da rádio corredor no clima de trabalho da empresa e na energia gasta em reuniões. Canais de comunicação bem estruturados com periodicidade definida e conteúdos relevantes são como uma vacina contra o germe da maledicência e bons programas de feedback e feedforward  são remédios eficazes para diminuir a audiência da rádio corredor. Mas não bastam. O melhor antídoto contra a maledicência é a palavra do líder e a credibilidade de seus atos que podem contaminar para o bem toda a organização. O líder de equipes e o líder de líderes levam a rádio corredor a fechar suas estações de transmissão espalhadas desde a área do cafezinho até as redes sociais e seu ilimitado poder viral. A guerra de influência e as batalhas diárias contra a maledicência podem ser vencidas com coerência de discurso, bons exemplos, comprometimento e respeito.

Desvalorizar os outros, denegrir a missão e desqualificar decisões tomadas nas salas de reunião logo após a porta dos corredores se abir é coisa de gente desengajada e problemática. Todos nós conhecemos o ditado que diz que basta uma maça podre para estragar todo o cesto de frutas. É verdade. Por isso, diante de um boato, diante de um mexeriqueiro de plantão ou diante de um fruto podre redobre sua atenção e sua tentação. Perceba suas emoções antes de entrar no jogo neurótico do fofoqueiro. Escute, mas não opine. Escute, mas não passe nada adiante. Lembre-se: nunca fale de uma pessoa, fale com a pessoa e se possível, tente auxiliar quem transmitiu a fofoca a interromper seu falatório.

Imagem: Norman Rockwell (1894-1978), “The Gossips,” 1948.  

16.02
Comunicação interna. Do que estamos falando? Informar sem ter nada para dizer é perda de tempo.

A comunicação interna como ferramenta de gestão continua sendo a pedra no sapato de uma grande maioria de chefes, diretores e gerentes.  Informar nunca foi comunicar. Claro que ficar sabendo... Leia mais

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A comunicação interna como ferramenta de gestão continua sendo a pedra no sapato de uma grande maioria de chefes, diretores e gerentes.  Informar nunca foi comunicar. Claro que ficar sabendo qual será o cardápio da semana no restaurante da fábrica é uma informação valiosa para a hora sagrada do almoço, mas isso nunca será o suficiente para fazer as coisas andarem de fato ou as pessoas se sentirem parte do time, respeitadas, reconhecidas. Publicar notícias cujo vocabulário vem carregado de jargões repetitivos e conteúdo distante da realidade dos burburinhos dos corredores e das pessoas que trabalham na empresa é pura perda de tempo, além de pura chatice. Se a sua notícia chapa branca tivesse que ser vendida numa banca de jornais quem iria comprar? Entendo perfeitamente que a liderança precisa passar suas instruções e diretrizes, cobrar as metas, dar ordens administrativas sempre necessárias para fazerem funcionar a empresa “como um verdadeiro relógio” mas que tal evitar aquele tom doutrinário, distante, mecânico e o discurso de vendedor chato? Que tal fazer uma propaganda interna mais inteligente e criativa para embalar aquele feijão com arroz de forma a não só informar, mas entreter, abrir espaços reais para uma comunicação de mão múltipla com o empregado e perceber que seja qual for a mídia usada, o mais importante não são as palavras mas a conversa, a história contada, os bons exemplos e as narrativas calorosas, humanizadas. Chega de rodar a comunicação interna num piloto automático e disparar informativos robotizados que agradam ao alto escalão mas não convencem as pessoas. Saia do canal corporate e roube a audiência da rádio corredor.

Comunicação interna que interessa. Interessa? Deixe as matrículas e as fotos dos crachás de lado, conte as histórias verdadeiras e cheias de emoção das pessoas de carne e osso. Que tal fazer a comunicação que interessa e dar voz e também ouvidos aos empregados?  Sei que muitos gestores fingem defender essa máxima, mas na prática são uns caras de pau, quando não verdadeiros Pinóquios. Informar sem ter nada para dizer é mais do que perda de tempo e gasto de energia. É lenha na fogueira da comédia organizacional, combustível para o sarcasmo, tiro no pé da motivação. A pergunta que não quer calar: de qual comunicação interna nós estamos falando?

Você já sabe a resposta.

26.12
Desafios da sustentabilidade em 2017. Sustentabilidade enquanto um valor organizacional será a maior vantagem competitiva das empresas.

Um dos grandes desafios organizacionais para 2017 continuará sendo a sustentabilidade. Eu não estou simplesmente falando do entendimento do termo, que já é bastante difícil para muita gente... Leia mais

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Um dos grandes desafios organizacionais para 2017 continuará sendo a sustentabilidade. Eu não estou simplesmente falando do entendimento do termo, que já é bastante difícil para muita gente pois cada um tem uma ideia na cabeça e a mídia nem sempre explica do que trata exatamente essa tal sustentabilidade, mas para além disso, a sustentabilidade enquanto prática diária entre os colaboradores e seu trabalho. O problema imediato é a atenção dos empregados para a sustentabilidade enquanto uma atitude rotineira e inserida de forma transversal no dia a dia de cada área. Entendo que muitas das metas e objetivos específicos de cada departamento se distanciam da sustentabilidade por não considerarem esse tema como sendo de sua responsabilidade ou aparentemente estarem distantes de seu dia a dia.
Questões ligadas a sustentabilidade ambiental, por exemplo, parecem distantes do pessoal da área comercial em suas visitas aos clientes e na sua busca por mais pedidos e vendas. As diretorias jurídicas, um outro exemplo, podem não perceber que temas ligados à ética, transparência e direitos humanos estão inseridas não só dentro da organização como também na cadeia de valor e impactam profundamente suas atividades profissionais sendo temas vitais da sustentabilidade. No mundo ideal, todas as áreas de uma organização deveriam enxergar suas responsabilidades para com a sustentabilidade. Mas se diferentes equipes podem se perceber mais ou menos ligadas ao tema do que outras, como resolver essa questão?
É hora de simplificar as coisas.
Muitas empresas têm mania de dificultar processos, rotinas, fluxos. Talvez por receio de perder o controle e o poder muitos gestores sobem muros e estimulam feudos dentro da organização. Vamos simplificar! Um primeiro passo no meu entender é definir de forma simples e prática o significado do tema da sustentabilidade para que todas as pessoas na organização saibam do que se trata e como podem contribuir. Simplificar as coisas é um desafio dos gestores e também dos comunicadores. Traduzir o jargão embolado dos tecnicismos para o universo cotidiano deveria ser uma premissa de trabalho dos comunicadores organizacionais. Sempre lembrando que cada empresa em seu nicho de mercado pode ter foco maior ou menor em diferentes dimensões da sustentabilidade, uma definição mais ampla e abrangente facilita a comunicação interna e a disseminação das boas práticas individuais.

 

Num segundo momento, a definição do que no jargão das consultorias de sustentabilidade é a materialidade, ajuda a empresa a ter foco maior ou menor num determinado item ambiental ou em questões sociais específicas. Sabemos que as empresas já estão sobrecarregadas de impostos, taxas e regulações que se tornam um emaranhado burocrático penoso ao funcionamento do negócio.
Por isso, as questões econômicas e financeiras continuarão com peso maior nas decisões tendo o cuidado de se considerar não só a perenidade do negócio no tempo e as suas margens de lucro, mas o custo do capital investido, por exemplo, de forma ambientalmente responsável para que passivos ou acidentes ambientais não inviabilizem a continuidade das operações ou causem tragédias sociais sem precedentes. A BP viveu isso no Golfo do México e a Samarco continua sendo cobrada pelos seus erros. A Odebrecht também vive uma crise de sustentabilidade.
Sustentabilidade enquanto valor organizacional.

Se a sustentabilidade for inserida nos valores da organização, outro desafio será fazer com que os colaboradores integrem as considerações sociais e ambientais em seus hábitos e comportamentos. Uma cultura baseada em valores e na sustentabilidade não se consolida com quadros emoldurados nas paredes ou totens com os valores espalhados pelos corredores. Por mais que essas peças de comunicação interna sejam vitais, elas sozinhas não bastarão para fazer as coisas acontecerem de fato. O fosso entre discurso e prática deve ser preenchido com bons exemplos e as lideranças ao invés de emitir ordens e mensagens em vias de mão única, devem buscar as qualidades e as virtudes que já existam nas pessoas, nos profissionais contratados. É por isso que programas de estágio e de trainees possuem uma responsabilidade única na formação de profissionais por toda a sua vida.
Pensemos nos primeiros dias de trabalho de muita gente. Olhos abertos, ouvidos atentos e curiosidade total para aprender e fazer o melhor. Mas com o tempo, muitas organizações queimam essa vantagem da largada e seus sonolentos processos burocráticos e de comunicados distantes da realidade do dia a dia dos empregados transforma tudo em baile de máscaras. A sustentabilidade que era um ato de saber e querer cuidar, torna-se um lero lero sem fim e enfadonho que acaba por resultar num belo relatório anual que ninguém vai ler. Mas que deu um trabalhão! Estou mentindo? Precisamos vivenciar os valores e não apenas decorar trechos da missão, da visão…
Depois de uma certa idade e de experiências profissionais vividas em diferentes empresas, as pessoas terão maior dificuldade em mudar seus hábitos, seus comportamentos. Mas se a empresa apostou na contratação desses talentos, as lideranças devem facilitar e permitir que o melhor de cada pessoas possa florescer. A sustentabilidade enquanto um valor organizacional vai se alinhar de forma natural aos anseios dos bons profissionais, uma vez que através de um trabalho de comunicação interna permanente, contando as histórias e as boas ações das pessoas na organização, um ambiente mais aberto para que cada um demonstre seu talento pode ser criado. A inovação surge de ambientes assim e sustentabilidade nos exige inovar para resolvermos problemas que não tínhamos há alguns anos.
A maior vantagem competitiva.
Evidentemente que capacitações, treinamentos e a disseminação de conhecimento formarão a base para que as pessoas percebam como contribuir individualmente na grande visão geral dos objetivos e estratégias de sustentabilidade da empresa.Orientar os empregados desde a sua chegada, day one, na fábrica, no escritório da unidade, na loja, na usina, no campo de colheita, na mineração e também na holding é potencializar a descoberta de como os interesses e as virtudes de cada pessoa podem ficar integrados aos objetivos da organização. Reforço mútuo, potencial e performance ampliada.
Se o desafio de 2017 é o de fazer a sustentabilidade acontecer de fato, a maior vantagem competitiva das empresas não está naquela última ferramenta eletrônica ou equipamento operacional que o concorrente também vai comprar. A maior vantagem de uma empresa vitoriosa, de uma marca admirável será a inteligência das suas pessoas. Pessoas comuns realizando feitos extraordinários!

04.12
Tendências da comunicação interna para 2017. A comunicação com os empregados continuará sendo uma poderosa ferramenta de gestão. upsers

Facilidades tecnológicas cada vez mais acessíveis em termos de custo e simples em termos de utilização prática continuarão em alta no ano 2017. Esta não é nenhuma grande novidade para o... Leia mais

Facilidades tecnológicas cada vez mais acessíveis em termos de custo e simples em termos de utilização prática continuarão em alta no ano 2017. Esta não é nenhuma grande novidade para o universo da comunicação empresarial. Entretanto, algumas considerações são necessárias diante desse universo fabuloso que invade os territórios corporativos, quase que obrigando hierarquias inteiras a se reorganizarem para dar conta de tendências aparentemente avassaladoras.

O que podemos esperar para a comunicação interna no ano de 2017?

Primeiramente, eu apostaria num crescente uso de imagens e vídeos e uma redução cada vez maior de textos longos e informativos insossos. A agilidade do digital demanda formatos e linguagens capazes de passar recados de forma instantânea e é preciso comunicar em 140 caracteres recheados de apelos visuais. Chega de chatice.

Os games também são outra linguagem que vai  proliferar, podem apostar. A mobilidade dos dispositivos e a potencialidade dos Apps facilitam o acesso de empregados aos sites corporativos e o recebimento de links, pesquisas, comunicados e mini games cuja interatividade pode não só informar, mas também educar e engajar os empregados.

Infelizmente, nem sempre as organizações publicarão mensagens bem humoradas. Se a velocidade já está na pauta de algumas lideranças quando se fala em comunicação interna, o bom humor ainda não entrou nessa história. Mas a criatividade não tem limites e publicitários podem ajudar nessa tarefa de transformar de vez os comunicados frios em peças vendedoras!

Outra tendência que considero sempre importante e insubstituível  para fazer as coisas funcionarem. Rodas de diálogo do tipo “Café com o Presidente” vão continuar em alta. As empresas vão descobrindo por pressão cada vez maior da sociedade e das crises que são e serão sempre empresas de comunicação e essa espiral começa pelo diálogo entre lideranças e times de trabalho. Gestores que ainda têm dificuldade de conversar precisam do apoio e do trabalho dos comunicadores empresariais para ganhar confiança e encarar as emoções envolvidas num diálogo face a face, desde um simples “obrigado pelo trabalho bem feito” até uma demissão.

Apesar de nenhum futuro gestor ser ensinado ou orientado nas faculdades de administração sobre como encarar uma conversa olho no olho, lidando com suas próprias emoções e a emoção do seu interlocutor, a comunicação enquanto ferramenta de gestão começa por saber dialogar. Nenhuma tecnologia vai poder substituir esse contato humano presencial cujas reações, anseios, linguagem corporal e afetos são sempre um grande desafio.

 

 

 

06.11
A reinvenção do agora. A velocidade tecnológica ultrapassou a própria realidade.

A cada dia que passa vemos a ficção se tornar realidade. A imaginação tomou o poder e, com ele, as rédeas do futuro. Quem leu Jules Verne na juventude sabe do que estou falando. O célebre... Leia mais

A cada dia que passa vemos a ficção se tornar realidade. A imaginação tomou o poder e, com ele, as rédeas do futuro. Quem leu Jules Verne na juventude sabe do que estou falando. O célebre escritor francês cujos romances descreviam inovações e conquistas humanas aparentemente impossíveis para o século XIX, instigava a imaginação de seus leitores. Hoje, entretanto, obras como “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “A Volta ao Mundo em 80 dias” parecem aventuras sem lógica, porque submarinos e balões deixaram de causar espanto e jatos podem cruzar o mundo em pouco mais de uma hora.  Além disso, temos hoje uma geração inteira nascida e criada sob efeito da avassaladora sedução das mídias, da web, da tecnologia fácil, disponível para cada vez mais pessoas e capaz de reduzir distâncias e comprimir o tempo.

Em “A Ilha de Hélice”, Julio Verne criou uma cidade flutuante movida pela eletricidade e descreveu livros iconográficos, além de falar sobre transmissão de dados e informações, vozes e imagens. Visionário, ele imaginou, sem saber, a internet . Mesmo sendo genial para a sua época, atualmente, o escritor parece totalmente ultrapassado para os nascidos sob o signo da virtualidade e do digital.

Vivemos numa aceleração permanente. O dia continua tendo 24 horas, mas parece cada vez mais curto. Alguns números nos facilitam a compreensão dessa revolução digital, que chamei de a reinvenção do “agora”, no título acima. Uma pesquisa feita pelo Facebook mostrou que 3,2 bilhões de pessoas no mundo estão conectadas à internet. O iPhone – que não existia em 2007 – já vendeu mais de 1 bilhão de aparelhos no mundo, assim como o WhatsApp que ultrapassou o primeiro bilhão de usuários em fevereiro de 2016. Mark Zuckerberg disse recentemente que sua empresa vai atingir 5 bilhões de pessoas até o ano de 2030. São 400 milhões de pessoas no Instagram e mais de 300 no Twitter.

Nosso entendimento do que é a realidade e a própria noção de tempo está sendo revista, ampliada, alterada a cada dia. “A velocidade ultrapassou o tempo da realidade, o nosso tempo vivido” (“Ctrl+Art+Del: Distúrbios em Arte e Tecnologia, 2010). Empresas e profissionais, estudantes e instituições, governos e mercados que não compreenderem o impacto dessa aceleração já estão perdendo espaço, oportunidades, influência e, até mesmo, sua reputação. O agora tornou-se uma espécie de ditadura; exige atenção, respostas, medidas rápidas, instantâneas. Interagir  nessa rede impaciente demanda uma agilidade quase impossível para as relações humanas. Tudo leva a crer que o algoritmo vai substituir cada vez mais o diálogo por conversas robotizadas. Será?

O novo agora diluiu os limites do tempo e do espaço e antecipa o futuro a cada novo milésimo de segundo; a cada novo hashtag circulando o mundo.  Ele já nos define o que está por vir, aponta para tendências e potencialidades, assim como para modelos de controle social, industrial e cultural que o próprio Jules Verne poderia sequer imaginar em seus devaneios literários.

05.10
Como planejar a comunicação para a sustentabilidade? Grandes negócios são como viagens cuja estrada deve nos levar ao sucesso do negócio.

Planejar é um ato criativo e assim deve ser encarado. Planejar não é implantar um trilho, mas é fundar estações que nos levarão ao destino final. O objetivo é completar a viagem no prazo... Leia mais

Planejar é um ato criativo e assim deve ser encarado. Planejar não é implantar um trilho, mas é fundar estações que nos levarão ao destino final. O objetivo é completar a viagem no prazo previsto, com qualidade e sem (muitos) tropeços pelo caminho. O plano precisa ter flexibilidade para considerar os “retornos” durante a jornada. Saber voltar e recomeçar, sem se fixar na culpa deste ou daquele setor, pois superar adversidades faz parte da jornada. Grandes negócios são como viagens cuja estrada deve nos levar  ao sucesso do negócio, no longo prazo.

Na comunicação também é assim quando pensamos na sustentabilidade enquanto um aprendizado permanente da organização. Precisamos não só traçar criativamente nossas ações, num determinado período de tempo, como devemos ressaltar as oportunidades de comunicação em cada ponto de contato e experiência com a marca.  Comunicação como ferramenta de gestão, mas também de educação para a sustentabilidade organizacional. Pense nisso!

Nenhuma empresa ou negócio neste nosso mundo pode dizer que seja sustentável. Ela pode estar momentaneamente sustentável, pois soube fazer seu dever de casa e evitar riscos, bem como estabelecer ganhos de eco eficiência. Mas sustentabilidade vai sempre além! Demanda uma visão holística e também demanda inovação, como o horizonte que fica sempre mais distante mesmo que tenhamos feito uma exaustiva caminhada.  Neste cenário, considerar o que pode dar errado  deve fazer parte do roteiro de nossa viagem. Portanto, o planejamento da comunicação deve considerar não somente as peças e os veículos usados, mas  ser criativo o suficiente para superar os limites dos orçamentos e outros obstáculos que apareçam durante o percurso.

Como planejar a comunicação para a sustentabilidade?

O plano de comunicação para a sustentabilidade deve ser pensado como um canal  “multistakeholder”, considerando temas sensíveis, cenários de crise e ainda datas de celebração. Afinal, boas notícias devem ser comemoradas por todos que trabalham na empresa! Resgatar a memória dos acertos e dos erros, aprender com os tropeços dos outros, estudando casos de crises de outras empresas, mesmo que sejam de outros segmentos de atuação é parte do trabalho de planejamento. O plano deve considerar a complexidade dos cenários atuais cada vez mais reativos ao estilo de “comando e controle” e trabalhar modelos autônomos, como é a lógica das redes.

Ou seja, planejar a comunicação para a sustentabilidade é abrir portas e janelas para públicos muitas vezes não percebidos como essenciais para o negócio. Perceber a força das mídias sociais e os riscos reputacionais em jogo nesse universo virtual. Saber ouvir, compreender as características de cada público e entender suas expectativas, muito mais do que apenas inserir num calendário a emissão de comunicados frios e distantes e o envio de informações sem alma ou calor humano.

Vamos lembrar: tudo comunica, tudo educa e tudo pode (des) motivar. Assim, o aprendizado é o combustível da viagem rumo à sustentabilidade. Ao longo do caminho ele deve ser completado, pois cada curva nova vai demandar novas habilidades e competências.  Nos produtos, nos processos, serviços e nas oportunidades futuras que vão gerar uma singularidade valiosa para a marca. Um perenidade  resultante da busca pela excelência e cuja comunicação eficiente celebrou virtudes, gerando admiração. Virtudes monitoradas por indicadores confiáveis, evidentemente. Por isso, vamos sempre perguntar: nossos objetivos de comunicação estão sendo alcançados?

Neste mundo cada vez mais sem segredos, cuja transparência e agilidade de opiniões e comentários mobilizam milhares de pessoas em poucos segundos, o planejamento da sustentabilidade da empresa deve vir calibrado por uma comunicação igualmente responsável nas suas promessas e nas suas atitudes.

Luiz Antônio Gaulia

Luiz Antônio Gaulia

Jornalista. Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio. Especialista em Comunicação Empresarial pela Syracuse University/Aberje. Pós-graduado em Marketing e em Comunicação Jornalística. Ex-Gerente de Comunicação da CSN - Cia. Siderúrgica Nacional e da Alunorte (PA). Atuou também no O Boticário e no Grupo Votorantim. Realizou projetos de comunicação corporativa e sustentabilidade para a VALE, a Light, Petrobras e Ajinomoto. Foi Gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Estácio, companhia na qual também foi o responsável pela comunicação com os empregados. Consultor e professor, escreve para a Aberje, a PLURALE e no Blog do Gaulia.