18.06
O melhor aplicativo de comunicação interna. Este app gratuito e revolucionário já está no mercado!

Tenho uma grande notícia para a comunicação organizacional. O melhor aplicativo de comunicação interna já existe, é 100% grátis, verdadeiramente revolucionário e muito eficiente. A... Leia mais

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Tenho uma grande notícia para a comunicação organizacional. O melhor aplicativo de comunicação interna já existe, é 100% grátis, verdadeiramente revolucionário e muito eficiente. A informação alvissareira não é de fato uma novidade, diga-se de passagem. Mesmo diante da alta tecnologia embutida e disponibilizada de forma viral e personalizada em todas as empresas, essa boa nova é…velha.

O melhor app de comunicação interna inventado já vem instalado em todos os executivos e  profissionais. Sua valiosa função se refere a nossa capacidade de ouvir. Isso mesmo! Ouvir o outro é um avanço tecnológico que até hoje não foi ultrapassado. Eu aposto que nunca será.

Ouvir o outro é bem diferente de escutar o outro, ok? A escuta pode ser mero jogo de cena, parar apressado diante de um interlocutor e enquanto ele fala, pensar em mil coisas diferentes. Nossa comunicação face a face é geralmente automatizada, com nossos pensamentos longe da conversa em curso. Ouvir é um “aplicativo” maior, muito mais avançado pois se refere ao significado das palavras. Ele se relaciona ao corpo, ao emocional, ao estar aberto para entender o ponto de vista do outro sem ficar com a mente envolta em conclusões precipitadas ou decisões já tomadas nos primeiros instantes da conversa.

Ouvir é outro papo, muito diferente do escuta formal e cheia de preconceitos. Ouvir se remete a uma tentativa real de integrar, colaborar, perceber com atenção e foco as ideias, as propostas, os motivos  e desejos ao longo do diálogo. Ouvir é estar presente na conversa. Perceber o outro por inteiro e não de forma fragmentada. Escutar é receber informação, é escutar uma ordem. Ouvir é mergulhar no contato para emergir dele de uma forma melhor, mais completa e que multiplicou potencialidades. Ouvir tem mais a ver com o afeto.

Não são todos os ambientes de trabalho e modelos organizacionais que nos permitem atingir um patamar de excelência do ouvir. A maioria das empresas, públicas e privadas, vive num redemoinho de ruídos, interferências provocadas pelos excessos de estímulos. Vive refém de uma montanha de dados, informações e retóricas pouco relevantes ou distantes da realidade das pessoas. Repetitiva em seus jargões, seus feedbacks by the book e pilotos automáticos ligados durante as reuniões. Presos nas burocracias ou cegamente obedientes a alguma causa ou propósito pelo qual pode existir algum envolvimento, mas não há comprometimento. O ouvir, pelo contrário, está conectado ao sentido e ao vínculo.

Todas as lideranças são capazes de escutar para depois  “emitir” mensagens, distribuir comandos. Muitas ainda precisam ouvir melhor para influenciar comportamentos e culturas. Bons ouvintes ainda estão em falta no mercado. E sinto dizer, inclusive entre nós comunicadores, muitas vezes perdidos com o lançamento do mais novo e milagroso dispositivo eletrônico, mas que não substitui um bom par de orelhas.

Sugiro rever o manual de instruções deste que é o melhor aplicativo de comunicação interna existente e começarmos a usufruir de seus benefícios já na próxima reunião de trabalho. Ahn! Lembro que em casa ele também serve e é verdadeiramente inovador. Faça um teste hoje mesmo.

13.06
E-mails, e-mails, e-mails. A quantidade de e-mails enviados continua afogando as empresas.

A quantidade de e-mails enviados continua afogando as empresas num mar de excesso de informação e mensagens. O nome disso é burocracia eletrônica! Uma pesquisa divulgada pelo IABC  nos EUA... Leia mais

ioda

A quantidade de e-mails enviados continua afogando as empresas num mar de excesso de informação e mensagens. O nome disso é burocracia eletrônica! Uma pesquisa divulgada pelo IABC  nos EUA mostrou que o uso do e-mail ainda é a ferramenta de comunicação interna mais utilizada como canal de CI. Aqui no Brasil não é diferente, muitas empresas tem uma cultura de comunicação que sobrecarrega o tempo útil dos seus profissionais com excessos de mensagens. O que deveria agilizar, acaba burocratizando.

Viu meu e-mail? – pergunta fulano na abertura de uma reunião. Não recebi – responde o outro colega, com cara desconfiada e tentando não se comprometer com prazos ou novas cobranças. Já testemunhou uma conversa dessas? O pior dos mundos é que muita gente não sabe utilizar a ferramenta até hoje. Culpa da Comunicação Interna? Pode ser. Afinal, o time de CI deve ter um papel educador nas suas ações. Se tudo comunica, tudo educa, podem apostar. Quando falamos sobre o excesso de e-mails, vale lembrar de um hábito que considero o mais nocivo de todos: copiar uma montanha de gente no espaço do destinatário e dar um reply to all provocando um tsunami de comentários sobre a mesma mensagem que fica reverberando pela rede, como um vírus.   O volume de informações trocadas por e-mail fala muito sobre o jeito de ser de uma organização. Mandar uma mensagem para registrar conversas é um hábito normal, mas em algumas empresas os e-mails servem como documentos de cobrança, registros de que o problema a ser resolvido foi parar no desk top do outro e por aí vamos…

Nessa conversa eletrônica corporativa que tal lembrar de quem é o motivo maior de estarmos trabalhando? Ops, esqueceu do nome dele? Então, anote: cliente. Você não trabalha para responder o correio eletrônico, nem seu colega, nem seu gestor ou o diretor. Todo mundo trabalha para garantir a satisfação o cliente, com agilidade, eficiência e simpatia. Portanto, vamos voltar ao básico e falar pelo telefone ou conversar pessoalmente para fazer as coisas andarem mais depressa.

 

30.05
Seu novo chefe é um algoritmo? Robotização das relações no trabalho é um fenômeno crescente.

Uma recente reportagem do jornal Financial Times mostrou como um número crescente de profissionais está sendo chefiada por algoritmos, através de seus smartphones. A nova gerência algorítmica... Leia mais

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Uma recente reportagem do jornal Financial Times mostrou como um número crescente de profissionais está sendo chefiada por algoritmos, através de seus smartphones. A nova gerência algorítmica (termo criado por professores da Carnegie Mellon University) direciona, instrui, controla e avalia o trabalho do empregado à distância, de forma anônima e utilizando um dispositivo eletrônico como intermediário. Marcas consideradas como disruptivas estão realmente revolucionando segmentos inteiros de negócios e gerenciando processos e pessoas através dessa matemática. Ela reduz despesas e custos de um lado, multiplica  serviços muitas vezes interessantes e válidos para os consumidores, mas, por outro lado, empobrece as relações de trabalho subtraindo a face humana do contexto.

Na área da informática e da computação um algoritmo é uma série de diretrizes que indicam explicitamente o passo a passo de uma determinada operação. Um tipo de manual de conduta e procedimento que comanda a execução, o controle e finalização de determinada tarefa. Conceito simples, direto, frio e calculista, uma evolução digital da administração científica de Frederick Taylor. Ideal para o mundo dos negócios, para o aumento da produtividade e vantajosa para as relações de trabalho que envolvem o poder. O poder de mandar, o poder de pagar, o poder de influenciar. Mas existem vantagens para o consumidor, o cliente? Sim, ele ganha mais opções de escolha com custos reduzidos e maior oferta de prestadores de serviços disponíveis para atenderem aos seus pedidos. Mas, por outro lado, nas relações humanas, dentro das organizações, os empregados ou colaboradores ficam distanciados de seus colegas ou mesmo de suas chefias. Não dá para convidar um algoritmo para tomar um chopp no happy hour e ter aquele feedback sobre a semana, dá? Exageros à parte, na minha visão de comunicador é preciso estar atento para não tratarmos pessoas como números de uma conta corrente, numa base de dados eletrônica.

A matemática agiliza, calcula e determina o futuro do trabalho. Marcas como Uber, Cabify, Lyft, Televo no segmento de mobilidade e a Airbnb no segmento de hospedagem são exemplos de empreendimentos cuja base operacional funciona via aplicativo e dentro dessa nova tecno lógica. A robotização excessiva dos ambientes de trabalho não traz ganhos para as pessoas. O cumprimento de ordens seguindo o modelo de um piloto automático tem causado estragos emocionais e afetivos nas pessoas, sejam elas empregados de empresas privadas ou grandes estatais, funcionários de órgãos públicos e até colaboradores em ONGs. Por isso, eu defendo a humanização das relações humanas a partir do cuidar dessas relações com mais atenção, carinho, escuta…diálogo. Em tempos de crise é preciso avançar ainda mais na direção do saber cuidar e não se deixar seduzir por promessas engenhosas de uma tecnologia sem limites, cuja magia a todos encanta, mas não é capaz de calcular o valor das alegrias e dos amores ou considerar as angústias e as tristezas humanas.

Nossos corações não são máquinas, empregados não funcionam como relógios. Comportamentos baseados exclusivamente em outputs financeiros costumam atropelar as pessoas pelo meio do caminho. Os fins não justificam os meios, quando nossa missão é saber e querer cuidar das pessoas.

13.05
Humanizar as relações humanas. Orientadas pelo olhar mecanicista as empresas também precisam considerar os sentimentos humanos.

Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Orientados pelo olhar  mecanicista as empresas... Leia mais

BP Tires

Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Orientados pelo olhar  mecanicista as empresas precisam considerar também os sentimentos  humanos e seus impactos nos processos de trabalho. Campanhas motivacionais surgem como respostas urgentes quando as pesquisas de clima mapeiam a pressão interna e descobrem que o pulso organizacional bate indiferente aos comandos. Os empregados estão deprimidos, sem desejo? Ou para usar o termo da moda “desengajados”? É difícil celebrar mais um milhão de toneladas de minério produzidas? Ou duzentos mil contêineres descarregados? Ou algum outro quantitativo alcançado? Claro! Qual o significado dos números para o imaginário do homem em meio aos maquinários pesados, sobrecarregado por reuniões intermináveis e metas sempre maiores?
No campo do diálogo, a comunicação interna se faz permanente não só pelos canais oficiais de entrega da informação mas também pela “rádio peão” e cada vez mais nos comentários das redes sociais. O comunicar se reflete na energia dos lugares de encontro, nas salas de reunião, no design dos locais de trabalho e no cuidado com a estética alinhada com a ética e com a técnica! A comunicação se faz presente pelos afetos aparentemente ausentes. Todos são afetados pelo ambiente, assim como pelos discursos oficiais e oficiosos (aqueles dos corredores). Nas empresas, cada vez mais o emocional mexe com o metabolismo da organização e numa sociedade de conhecimento em rede, essa tendência se amplia forçando o uso da tecnologia matemática a ganhar uma face mais humana e sensível.
Sabemos que ser emocional demais atrapalha, assim como ser unicamente racional inviabiliza a ternura. Se o lado racional nos permite tecer conclusões é o emocional que nos dá a energia para a ação. Por isso, reforço “humanizar as relações humanas” e assim considerar o outro e seus sentimentos, afetos e desejos. Sonhos, visão de mundo, modelo mental, modo de falar e se expressar. O objetivo a atingir deve ser comum: realizar a missão da empresa, cumprir a promessa da marca. Mas se o coração está vazio, a alma em crise, o cérebro não vale nada. É uma lâmpada apagada.
Pessoas comuns podem se tornar notáveis quando impulsionadas por sua emoção e quando percebem e acreditam que podem fazer coisas extraordinárias, com real significado em suas rotinas e verdadeiro sentido para suas vidas.
 #TalkTheWalk

 

01.05
A organização viva Empresas não são um amontoado de máquinas arieu

Arieu de Geus foi Diretor de Planejamento da Shell e escreveu o livro "The Living Company"  em 1997 e após vinte anos, suas ideias continuam atuais. Empresas não são um amontoado de máquinas,... Leia mais

Arieu de Geus foi Diretor de Planejamento da Shell e escreveu o livro “The Living Company”  em 1997 e após vinte anos, suas ideias continuam atuais. Empresas não são um amontoado de máquinas, matéria-prima e recursos financeiros mas verdadeiras “comunidades vivas de trabalho“. Em tempos de turbulência política e econômica, é preciso resgatar este autor e perceber que é a energia das pessoas que movimenta a dinâmica corporativa afetando resultados no curto e no longo prazo, bem como reforçando ou depredando valores. Organismos vivos são marcados não pelo batimento dos ponteiros do relógio, mas pelo batimento de seus corações. Energia em movimento.

Palavras são fluxos de energia e é por isso que a comunicação possui não só uma responsabilidade formal e burocrática de entrega de dados e informações, mas a missão de orientar essa rede de conversas corporativa no sentido de abrir espaços para o potencial de cada pessoa, dar voz e ouvidos aos empregados em seus diferentes locais de trabalho. A comunicação com e entre os empregados tem o poder de reforçar ou desconstruir valores através dos exemplos individuais que dão vida à organização. Pessoas empoderadas e reconhecidas são os agentes da alta performance e é essa disposição que cria empresas duradouras, capazes de inovar e se transformarem ao longo dos anos. Segundo Arieu de Geus, companhias como a multinacional finlandesa Stora Enso ou a japonesa Mitsui.

Se a mudança é uma das únicas certezas que podemos ter em nossas vidas, os espaços corporativos também são campos impactados pela força da mudança. Diferentes áreas dirigidas por diferentes gestores devem ser entendidos como microcosmos de um mesmo universo. Um universo caótico, com certeza pois a vida é caos e mudança por mais que tentemos controlar seu rumo. Nas empresas não seria diferente e o  jeito como as pessoas se expressam, conversam e agem produzem narrativas de comunicação interna capazes de moldar o imaginário coletivo organizacional, bem como influenciar o alcance de metas e de resultados.

Nesse sentido, ainda encontramos diversas empresas cujos dirigentes as percebem como máquinas, incapazes de mudar ou de entender que a energia de seus empregados e os fluxos de comunicação interna são processos completamente opostos ao desejo de controlar as pessoas como se fossem peças mecânicas, simples crachás ambulantes ou head count na folha de pagamento. A própria insistência em definir a área de gente como de “recursos” humanos ainda comprova essa visão ultrapassada. A empresa enquanto uma comunidade viva é o futuro que chegou apesar de muitos gestores ainda não terem se dado conta dessa grande mudança na dinâmica dos negócios e de suas relações.

24.04
Blog do Presidente. O sucesso de um modelo depende do estilo do líder e da cultura organizacional.

Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de... Leia mais

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Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de opiniões sobre determinados temas específicos, os blogs surgem e morrem como um…espasmo. Cada CEO tem seu jeito de liderar e pode utilizar ou não esse formato para ampliar sua comunicação com a sociedade ou simplesmente ter um foco voltado exclusivamente para os empregados. O fato é que a proposta continua atual, mas o sucesso de um modelo depende do estilo do líder do momento e da cultura da organização.

Os blogs ajudam a costurar vínculos, formar opiniões e são fáceis de serem monitorados. A opinião aberta e direta de um presidente esclarece e direciona a empresa, influencia a cultura, acalma ânimos e tranquiliza as pessoas. Sua dinâmica de compartilhamento de ideias e conhecimentos em tempos de bonança ou de prestação de contas e esclarecimentos em momentos de crise (verdadeiras oportunidades para a criação de novas práticas de comunicação) deveria ser utilizada de forma planejada, dentro de uma proposta mais ampla de transparência e construção de relacionamentos com determinados stakeholders – o que pode ser feito a partir da escolha de temas específicos. Os blogs corporativos escritos diretamente pelo CEO ou em formatos coletivos divididos em publicações pelo conjunto de membros do diretoria não funcionam isolados do mix de comunicação integrada, interna e externa.

Blogs ou microblogs precisam fazer parte de uma linha estratégica coerente com outras ações e também estarem alinhados com a identidade da marca, o segmento de atuação e do negócio, os objetivos de comunicação e as metas almejadas pela empresa. O pior dos mundos é sempre o de ir olhar a concorrência para copiar as soluções dos outros. O que pode dar certo num ambiente corporativo pode dar errado em outro e o benchmarking não traz garantia nenhuma, apenas informações para serem analisadas. O sucesso de um modelo numa determinada companhia não é sinônimo de êxito em outra. O mais importante é pensar estrategicamente a comunicação. O CEO e os leitores agradecem!

30.03
Uma narrativa para a marca Brasil. O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino.

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”.... Leia mais

aberje bndes

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”. Confesso que fiquei positivamente influenciado e, por isso, peço licença para escrever aqui no blog este texto que, a princípio, pouco tem a ver com o tema da comunicação interna, assunto das minhas permanentes publicações.

A imagem do Brasil como país emergente e um dos líderes do agronegócio mundial teve mais do que arranhões com a crise provocada pelas denúncias da Operação Carne Fraca. A divulgação atrapalhada das investigações policiais e a omissão de lideranças empresariais do setor estão retirando valor da marca “Brasil”. Quem perde com essa subtração? Todos nós brasileiros, com certeza.

As micronarrativas de cada novo escândalo e seus desdobramentos nas mídias digitais – muitas vezes redes de gritaria contra tudo e contra todos -, bem como a força das manchetes da grande imprensa derrubam a reputação de empresas envolvidas e por tabela de toda uma próspera cadeia produtiva. O orgulho de ser brasileiro se esvai pelo ralo da vergonha. Meu Deus, o que queremos ser como país? Nesse tiroteio, são os nossos concorrentes na América, na Europa e na Ásia que aplaudem. Seus produtos e suas marcas podem ganhar mercados e nossas conquistas globais podem perder terreno precioso no comércio internacional. Se uma empresa que desconhece a sua missão já tem problemas, imaginem um país inteiro que não sabe o que quer e tropeça nas próprias pernas, deixando campo livre para potências concorrentes?!

Uma percepção negativa crescente do Brasil pode contaminar várias áreas de negócios, ultrapassar as nossas fronteiras e atingir em cheio a nossa reputação e o nosso crédito. O que era uma crise localizada ganha, assim, grandes dimensões, já pensou? Evidentemente que a busca por justiça é vital, bem como a punição de criminosos na esfera pública e privada, mas a avalanche de histeria coletiva não pode resultar em uma terra arrasada e em um mercado com milhões de desempregados.

O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino. A história do Brasil – um gigante na economia mundial – é feita pelos bons exemplos. Claro que o nacionalismo não pode ser o refúgio de canalhas de variadas espécies. Por isso, o remédio para uma nação ferida em seu imaginário é fortalecer sua metanarrativa de país e de grandeza histórica.

A Aberje defendeu essa proposta e conquistou corações e mentes reunidos na plateia.

#Metanarrativas #ComunicaçãoEmpresarial #BNDES #EncontroAberjeRio #Brasil #BlogDoGaulia #TalkTheWalk

18.02
Comunicação interna e a rádio corredor. Comunicação interna oficial é o remédio contra a maledicência.

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que... Leia mais

Norman Rockwell (1894-1978), "The Gossips," 1948. Painting for "The Saturday Evening Post" cover, March 6, 1948. Oil on canvas. Private collection. ©SEPS: Curtis Publishing, Indianapolis, IN

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que tagarelas de todos os naipes e cacifes cultivam e que em diferentes condições de temperatura e pressão podem proliferar sem qualquer controle.

Nas empresas esse hábito é conhecido como a famosa e perversa “rádio corredor”. Um vírus que solapa a confiança, atinge a produtividade, afeta a motivação e o engajamento e produz danos na reputação de lideranças e das próprias marcas. A rádio corredor é um veneno para o ambiente de trabalho. O remédio para essa praga é uma boa comunicação interna oficial: estruturada, frequente, criativa, digna de confiança e dessa forma bastante influente.

Quanto mais altos os índices de fofoca, mais forte é a influência da rádio corredor no clima de trabalho da empresa e na energia gasta em reuniões. Canais de comunicação bem estruturados com periodicidade definida e conteúdos relevantes são como uma vacina contra o germe da maledicência e bons programas de feedback e feedforward  são remédios eficazes para diminuir a audiência da rádio corredor. Mas não bastam. O melhor antídoto contra a maledicência é a palavra do líder e a credibilidade de seus atos que podem contaminar para o bem toda a organização. O líder de equipes e o líder de líderes levam a rádio corredor a fechar suas estações de transmissão espalhadas desde a área do cafezinho até as redes sociais e seu ilimitado poder viral. A guerra de influência e as batalhas diárias contra a maledicência podem ser vencidas com coerência de discurso, bons exemplos, comprometimento e respeito.

Desvalorizar os outros, denegrir a missão e desqualificar decisões tomadas nas salas de reunião logo após a porta dos corredores se abir é coisa de gente desengajada e problemática. Todos nós conhecemos o ditado que diz que basta uma maça podre para estragar todo o cesto de frutas. É verdade. Por isso, diante de um boato, diante de um mexeriqueiro de plantão ou diante de um fruto podre redobre sua atenção e sua tentação. Perceba suas emoções antes de entrar no jogo neurótico do fofoqueiro. Escute, mas não opine. Escute, mas não passe nada adiante. Lembre-se: nunca fale de uma pessoa, fale com a pessoa e se possível, tente auxiliar quem transmitiu a fofoca a interromper seu falatório.

Imagem: Norman Rockwell (1894-1978), “The Gossips,” 1948.  

16.02
Comunicação interna. Do que estamos falando? Informar sem ter nada para dizer é perda de tempo.

A comunicação interna como ferramenta de gestão continua sendo a pedra no sapato de uma grande maioria de chefes, diretores e gerentes.  Informar nunca foi comunicar. Claro que ficar sabendo... Leia mais

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A comunicação interna como ferramenta de gestão continua sendo a pedra no sapato de uma grande maioria de chefes, diretores e gerentes.  Informar nunca foi comunicar. Claro que ficar sabendo qual será o cardápio da semana no restaurante da fábrica é uma informação valiosa para a hora sagrada do almoço, mas isso nunca será o suficiente para fazer as coisas andarem de fato ou as pessoas se sentirem parte do time, respeitadas, reconhecidas. Publicar notícias cujo vocabulário vem carregado de jargões repetitivos e conteúdo distante da realidade dos burburinhos dos corredores e das pessoas que trabalham na empresa é pura perda de tempo, além de pura chatice. Se a sua notícia chapa branca tivesse que ser vendida numa banca de jornais quem iria comprar? Entendo perfeitamente que a liderança precisa passar suas instruções e diretrizes, cobrar as metas, dar ordens administrativas sempre necessárias para fazerem funcionar a empresa “como um verdadeiro relógio” mas que tal evitar aquele tom doutrinário, distante, mecânico e o discurso de vendedor chato? Que tal fazer uma propaganda interna mais inteligente e criativa para embalar aquele feijão com arroz de forma a não só informar, mas entreter, abrir espaços reais para uma comunicação de mão múltipla com o empregado e perceber que seja qual for a mídia usada, o mais importante não são as palavras mas a conversa, a história contada, os bons exemplos e as narrativas calorosas, humanizadas. Chega de rodar a comunicação interna num piloto automático e disparar informativos robotizados que agradam ao alto escalão mas não convencem as pessoas. Saia do canal corporate e roube a audiência da rádio corredor.

Comunicação interna que interessa. Interessa? Deixe as matrículas e as fotos dos crachás de lado, conte as histórias verdadeiras e cheias de emoção das pessoas de carne e osso. Que tal fazer a comunicação que interessa e dar voz e também ouvidos aos empregados?  Sei que muitos gestores fingem defender essa máxima, mas na prática são uns caras de pau, quando não verdadeiros Pinóquios. Informar sem ter nada para dizer é mais do que perda de tempo e gasto de energia. É lenha na fogueira da comédia organizacional, combustível para o sarcasmo, tiro no pé da motivação. A pergunta que não quer calar: de qual comunicação interna nós estamos falando?

Você já sabe a resposta.

26.12
Desafios da sustentabilidade em 2017. Sustentabilidade enquanto um valor organizacional será a maior vantagem competitiva das empresas.

Um dos grandes desafios organizacionais para 2017 continuará sendo a sustentabilidade. Eu não estou simplesmente falando do entendimento do termo, que já é bastante difícil para muita gente... Leia mais

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Um dos grandes desafios organizacionais para 2017 continuará sendo a sustentabilidade. Eu não estou simplesmente falando do entendimento do termo, que já é bastante difícil para muita gente pois cada um tem uma ideia na cabeça e a mídia nem sempre explica do que trata exatamente essa tal sustentabilidade, mas para além disso, a sustentabilidade enquanto prática diária entre os colaboradores e seu trabalho. O problema imediato é a atenção dos empregados para a sustentabilidade enquanto uma atitude rotineira e inserida de forma transversal no dia a dia de cada área. Entendo que muitas das metas e objetivos específicos de cada departamento se distanciam da sustentabilidade por não considerarem esse tema como sendo de sua responsabilidade ou aparentemente estarem distantes de seu dia a dia.
Questões ligadas a sustentabilidade ambiental, por exemplo, parecem distantes do pessoal da área comercial em suas visitas aos clientes e na sua busca por mais pedidos e vendas. As diretorias jurídicas, um outro exemplo, podem não perceber que temas ligados à ética, transparência e direitos humanos estão inseridas não só dentro da organização como também na cadeia de valor e impactam profundamente suas atividades profissionais sendo temas vitais da sustentabilidade. No mundo ideal, todas as áreas de uma organização deveriam enxergar suas responsabilidades para com a sustentabilidade. Mas se diferentes equipes podem se perceber mais ou menos ligadas ao tema do que outras, como resolver essa questão?
É hora de simplificar as coisas.
Muitas empresas têm mania de dificultar processos, rotinas, fluxos. Talvez por receio de perder o controle e o poder muitos gestores sobem muros e estimulam feudos dentro da organização. Vamos simplificar! Um primeiro passo no meu entender é definir de forma simples e prática o significado do tema da sustentabilidade para que todas as pessoas na organização saibam do que se trata e como podem contribuir. Simplificar as coisas é um desafio dos gestores e também dos comunicadores. Traduzir o jargão embolado dos tecnicismos para o universo cotidiano deveria ser uma premissa de trabalho dos comunicadores organizacionais. Sempre lembrando que cada empresa em seu nicho de mercado pode ter foco maior ou menor em diferentes dimensões da sustentabilidade, uma definição mais ampla e abrangente facilita a comunicação interna e a disseminação das boas práticas individuais.

 

Num segundo momento, a definição do que no jargão das consultorias de sustentabilidade é a materialidade, ajuda a empresa a ter foco maior ou menor num determinado item ambiental ou em questões sociais específicas. Sabemos que as empresas já estão sobrecarregadas de impostos, taxas e regulações que se tornam um emaranhado burocrático penoso ao funcionamento do negócio.
Por isso, as questões econômicas e financeiras continuarão com peso maior nas decisões tendo o cuidado de se considerar não só a perenidade do negócio no tempo e as suas margens de lucro, mas o custo do capital investido, por exemplo, de forma ambientalmente responsável para que passivos ou acidentes ambientais não inviabilizem a continuidade das operações ou causem tragédias sociais sem precedentes. A BP viveu isso no Golfo do México e a Samarco continua sendo cobrada pelos seus erros. A Odebrecht também vive uma crise de sustentabilidade.
Sustentabilidade enquanto valor organizacional.

Se a sustentabilidade for inserida nos valores da organização, outro desafio será fazer com que os colaboradores integrem as considerações sociais e ambientais em seus hábitos e comportamentos. Uma cultura baseada em valores e na sustentabilidade não se consolida com quadros emoldurados nas paredes ou totens com os valores espalhados pelos corredores. Por mais que essas peças de comunicação interna sejam vitais, elas sozinhas não bastarão para fazer as coisas acontecerem de fato. O fosso entre discurso e prática deve ser preenchido com bons exemplos e as lideranças ao invés de emitir ordens e mensagens em vias de mão única, devem buscar as qualidades e as virtudes que já existam nas pessoas, nos profissionais contratados. É por isso que programas de estágio e de trainees possuem uma responsabilidade única na formação de profissionais por toda a sua vida.
Pensemos nos primeiros dias de trabalho de muita gente. Olhos abertos, ouvidos atentos e curiosidade total para aprender e fazer o melhor. Mas com o tempo, muitas organizações queimam essa vantagem da largada e seus sonolentos processos burocráticos e de comunicados distantes da realidade do dia a dia dos empregados transforma tudo em baile de máscaras. A sustentabilidade que era um ato de saber e querer cuidar, torna-se um lero lero sem fim e enfadonho que acaba por resultar num belo relatório anual que ninguém vai ler. Mas que deu um trabalhão! Estou mentindo? Precisamos vivenciar os valores e não apenas decorar trechos da missão, da visão…
Depois de uma certa idade e de experiências profissionais vividas em diferentes empresas, as pessoas terão maior dificuldade em mudar seus hábitos, seus comportamentos. Mas se a empresa apostou na contratação desses talentos, as lideranças devem facilitar e permitir que o melhor de cada pessoas possa florescer. A sustentabilidade enquanto um valor organizacional vai se alinhar de forma natural aos anseios dos bons profissionais, uma vez que através de um trabalho de comunicação interna permanente, contando as histórias e as boas ações das pessoas na organização, um ambiente mais aberto para que cada um demonstre seu talento pode ser criado. A inovação surge de ambientes assim e sustentabilidade nos exige inovar para resolvermos problemas que não tínhamos há alguns anos.
A maior vantagem competitiva.
Evidentemente que capacitações, treinamentos e a disseminação de conhecimento formarão a base para que as pessoas percebam como contribuir individualmente na grande visão geral dos objetivos e estratégias de sustentabilidade da empresa.Orientar os empregados desde a sua chegada, day one, na fábrica, no escritório da unidade, na loja, na usina, no campo de colheita, na mineração e também na holding é potencializar a descoberta de como os interesses e as virtudes de cada pessoa podem ficar integrados aos objetivos da organização. Reforço mútuo, potencial e performance ampliada.
Se o desafio de 2017 é o de fazer a sustentabilidade acontecer de fato, a maior vantagem competitiva das empresas não está naquela última ferramenta eletrônica ou equipamento operacional que o concorrente também vai comprar. A maior vantagem de uma empresa vitoriosa, de uma marca admirável será a inteligência das suas pessoas. Pessoas comuns realizando feitos extraordinários!

Luiz Antônio Gaulia

Luiz Antônio Gaulia

Jornalista. Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio. Especialista em Comunicação Empresarial pela Syracuse University/Aberje. Pós-graduado em Marketing e em Comunicação Jornalística. Ex-Gerente de Comunicação da CSN - Cia. Siderúrgica Nacional e da Alunorte (PA). Atuou também no O Boticário e no Grupo Votorantim. Realizou projetos de comunicação corporativa e sustentabilidade para a VALE, a Light, Petrobras e Ajinomoto. Foi Gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Estácio, companhia na qual também foi o responsável pela comunicação com os empregados. Consultor e professor, escreve para a Aberje, a PLURALE e no Blog do Gaulia.