07.06
A comunicação emoji. De degrau em degrau vamos descer até o grunhido?

José Saramago, ganhador do prêmio Nobel de Literatura, falecido em 2010, disse em uma entrevista para o jornal O Globo que a humanidade corria o risco de voltar aos tempos dos grunhidos. O... Leia mais

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José Saramago, ganhador do prêmio Nobel de Literatura, falecido em 2010, disse em uma entrevista para o jornal O Globo que a humanidade corria o risco de voltar aos tempos dos grunhidos. O escritor português, que tinha um blog, se referia ao Twitter e seus antigos 140 caracteres permitidos por postagem (hoje são 280). Polêmicas à parte, a declaração ainda é bastante válida, como um permanente alerta.

Vivemos numa sociedade digital. Tudo é muito rápido, muito interativo e…superficial. Você já reparou que nos elevadores, no metrô, nos restaurantes as pessoas grudam seus olhares nas telinhas e nos grupos de WhatsApp? Recebemos memes que nos contam versões criativas de fatos ou situações variadas. Achamos graça e…tocamos a vida.

Talvez sempre tenha sido assim, mas a internet e as suas redes sociais, com certeza, ampliaram a propagação de comentários tolos, idiotices de toda ordem, além de opiniões extremistas e intolerantes. Claro que a culpa não é da ferramenta. A escolha é sempre do indivíduo.  Se idiotas variados estão tagarelando com força global, podemos sempre bloquear essa turma, assim como é nossa decisão não frequentar mais aquela roda de filósofos de botequim. Muito do que acontece no ambiente digital, sempre aconteceu no bate papo entre as pessoas. Não é sempre possível falar sobre temas profundos, filosóficos, políticos, econômicos ou históricos. Corremos o risco de sermos chatos, metidos à besta – ao menos naquela rede. Falar abobrinhas faz parte da convivência social. Sem elas não teríamos diálogo nenhum, com muita gente. Duvida? Ora, então como não puxar conversa com algum desconhecido perguntado se vai chover ou fazer sol? O assunto clima é um sucesso de audiência.

O fato é que além das superficialidades estão circulando de forma exponencial nas mídias sociais junto com os recalques, as piadas mais grosseiras, achismos e comentários sem qualquer fundamento em fatos ou fontes confiáveis e as tais #fakenews. Nas empresas isso não é diferente. Se na rua desconhecidos falam tolices e reclamam da vida, nas empresas, alguns empregados desengajados fazem fofocas sobre os chefes, comentam negativamente os rumos da organização e as decisões tomadas. A rádio corredor ganhou novos meios digitais para causar seu estrago entre as equipes e prejudicar bons projetos. A boa notícia é que a turma de comunicação interna ganhou mais frentes de atuação.

Mas, voltando ao genial Saramago, me chamou a atenção o uso crescente dos tais emojis. Eles estão se multiplicando e substituindo o texto, as palavras e até o monossílabo! As figurinhas, tipo de hieróglifos modernos, são absolutamente superficiais e muitas vezes servem para reforçar, aprovar ou discordar de um comentário, como também encerrar a conversa da forma rápida e preguiçosa. Na idade digital, o tempo é muito precioso e para não ser rude com seu interlocutor, mande um like ou uma carinha feliz! Não diz quase nada e é como um grunhido em forma de pictograma. Saramago estava certo. Ele só não imaginou que o grunhido seria colorido, na forma de um gif animado e até divertido.

05.03
Comunicação 4.0 A indústria 4.0 exigirá maior habilidade de comunicação.

Internet das coisas, robôs, drones, inteligência artificial, big data, pesquisas sobre o cérebro e a união do digital com o físico e o biológico numa velocidade estonteante. Isso não é... Leia mais

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Internet das coisas, robôs, drones, inteligência artificial, big data, pesquisas sobre o cérebro e a união do digital com o físico e o biológico numa velocidade estonteante. Isso não é uma ficção, é uma realidade avassaladora percorrendo o universo empresarial e transformando a sociedade. De acordo Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial e autor do livro A Quarta Revolução Industrial muita gente ainda não está enxergando as implicações de todos estes movimentos transformadores e revolucionários que a tecnologia está potencializando. O mercado de trabalho nunca mais será o mesmo e as dificuldades das organizações para contratar e capacitar pessoas para esse admirável mundo novo já são igualmente desafiadoras.

A promessa da chamada indústria 4.0 será de maior autonomia para as máquinas inteligentes, capazes de aprender sozinhas e se comunicarem entre si, liberando seus operadores humanos a controles remotos e maior tempo livre para se dedicarem a outros trabalhos ou para terem mais tempo livre com suas famílias. As cidades e os espaços físicos serão inteligentes e completamente interconectados a bancos de informações, imagens e dados capazes de identificar num piscar de olhos os interesses de um cliente ou até mesmo as intenções de um cidadão. Robôs humanizados e programados para a empatia substituirão telefonistas estressados nos call centers; drones farão o delivery das pizzas sem pedir gorjetas; em dias de chuva poderemos moldar nossas galochas de borracha em casa, nas nossas impressoras 3D, rapidamente, antes de sairmos para a rua encharcada; smart offices farão grupos de profissionais trabalharem à distância através de reuniões virtuais holográficas acabando com viagens internacionais ou evitando deslocamentos no trânsito; consumidores poderão vivenciar emoções e sensações através de gadgets instalados em seus dedos e sobre seus olhos antes de comprarem produtos ou serviços, testando a compra por completo e assim, dezenas de milhares de hábitos e comportamentos deverão mudar por completo pela força dessas inovações.

Mas para que tudo isso aconteça como imaginado pelos cientistas e pelos visionários empreendedores globais,  tamanha revolução demanda não somente conhecimentos técnicos por parte dos profissionais, mas de habilidades pessoais preciosas. As empresas precisam de gente com a paixão por aprender, desaprender e reaprender; capacidade colaborativa sob pressão e de trabalho em rede; capacidade de trabalhar em ambientes ambíguos e sob constante processo de mudança; flexibilidade e inteligência emocional para lidar com conflitos e capacidade para prever, entender e resolver problemas. Todos eles, no meu entender, baseados unicamente na habilidade de comunicação intra pessoal e interpessoal. Na base de tudo, a comunicação é chave de processos bem sucedidos.

A indústria 4.0 exigirá maior habilidade de comunicação e poucos apps ou plataformas on line serão capazes de dar conta do lado emocional das relações humanas. Este desafio existe desde a produção industrial mecanizada – a primeira revolução industrial-, e passou pelas mudanças trazidas pela eletricidade, a manufatura em massa e também com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações. As inovações tecnológicas avançam, mas a dificuldade de conversar permanece. Ou não? E no meu entender, assim permanecerá. Se robôs com reações humanizadas substituirão as pessoas em determinados locais de trabalho ou no atendimento ao público, as interlocuções presenciais continuarão conflitantes pois as novas disputas por poder, reconhecimento do mérito, competitividade entre departamentos, egos e vaidades, iniciativa e estilos de liderança continuarão existindo dentro das empresas afetando diretamente as relações humanas e prejudicando o diálogo.

A comunicação 4.0 vai ganhar mais apetrechos digitais, repletos de cores e luzes inebriantes mas precisará ganhar também em qualidade de relacionamentos, empatia e abertura para o diálogo. Um desafio que nos acompanha desde o tempo das cavernas.

 

30.01
Dicas para a comunicação interna em 2018 Esta é a hora para se preparar para dar resultados consistentes

O início do ano é a melhor hora para se preparar para dar resultados consistentes na comunicação interna. Você que é um gestor ou um colaborador que trabalha na área de comunicação... Leia mais

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O início do ano é a melhor hora para se preparar para dar resultados consistentes na comunicação interna. Você que é um gestor ou um colaborador que trabalha na área de comunicação interna, anote as dicas abaixo e prepare-se para um ano que promete muitas emoções, dentro e fora da sua organização. Sempre lembrando que um bom sistema de comunicação interna reduz custos e amplia a performance das equipes!

DICA 1: PLANEJAMENTO

Planejamento não é um bicho de sete cabeças, pelo contrário. O processo de planejar a sua comunicação interna pode ser um ato criativo e multidisciplinar. Se você souber reunir as informações e os feedbacks do ano passado, convidar profissionais de outras áreas da empresa para contribuir no plano com insights e sugestões, você já começa o planejamento de uma forma muito mais positiva e produtiva. O planejamento de comunicação interna é parte do plano de negócios da empresa e deve estar alinhado aos objetivos do negócio, bem como em sintonia com os atributos da marca. Planejar é como construir o mapa do caminho sobre o qual se desdobrarão as ações táticas ao longo do ano, identificando temas, públicos, objetivos e revisitando os canais existentes bem como criando novos ou reformatando os mais antigos. Quem não se planeja acaba trabalhando por espasmos, no nível tarefeiro que é prejudicial para todo mundo pois não tem um mínimo de organização ou clareza sobre as metas a serem atingidas.

DICA 2: DIÁLOGO

Tudo começa pelo diálogo e a comunicação interna, principalmente deve priorizar o contato face a face, a conversa presencial. Todos os outros canais e veículos devem ser pensados e trabalhados para estimular a conversa produtiva, olho no olho. A maior dificuldade nas empresas é exatamente essa conversa. Por mais que a tecnologia facilite a distribuição da informação e o contato, o diálogo no qual escutamos os outros e percebemos os afetos envolvidos na conversa são vitais para se fortalecer os laços de confiança e a transparência nas relações. Portanto, anote e lembre-se que conversar é uma habilidade valiosa para se construir relacionamentos mais saudáveis no ambiente de trabalho. Sempre que possível, dê o exemplo. Ao invés de mandar um e-mail, pegue o telefone. Ao invés de um telefonema, converse frente a frente. Dois minutos no cafézinho resolvem mais problemas do que uma troca cansativa de mensagens eletrônicas.

DICA 3: VÍDEOS

Cada vez mais os vídeos e os micro filmes estão invadindo as redes sociais e os canais internos de comunicação. Se uma imagem valia por mil palavras, um vídeo vale por dez mil palavras. Pequenos recados gravados dão mais vida e dinamismo para mensagens da alta diretoria, para o compartilhamento de projetos além de convites para reuniões, lembretes e datas importantes. Pense nisso e use os vídeos sempre que possível. Claro, textos são necessários para esclarecer ponto a ponto diferentes notícias e projetos, mas o apoio dos vídeos ajuda a chamar a atenção para questões relevantes na empresa. Evidentemente, tudo vai depender da tecnologia disponível e de como a sua TI vai trabalhar em sintonia com suas propostas. Mas aí, volte para a dica número dois e converse.

Afinal, é conversando que a gente se entende. Ou não?

 

07.01
Vista a fantasia, mas não perca o emprego O que podemos aprender com uma festa de final de ano para funcionários?

Uma festa de final de ano para funcionários. Gente animada. Som alto rolando, comidinhas e bebidinhas à vontade e um clima pra lá de descontraído. Tudo para ser uma noite inesquecível, certo?... Leia mais

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Uma festa de final de ano para funcionários. Gente animada. Som alto rolando, comidinhas e bebidinhas à vontade e um clima pra lá de descontraído. Tudo para ser uma noite inesquecível, certo? E foi mesmo! Só que pelos motivos errados…

A comemoração de fim de ano da multinacional Salesforce tinha tudo para dar certo e ser um momento de celebração nota dez. O que deu errado?  A celebração, embalada por um concurso de fantasias,  gerou uma crise após um empregado usar a prótese de um pênis para fazer graça (qual?) e imitar um personagem que circula em memes, chamado de “Negão do Whatsapp”.  Se a filial no Brasil permitiu tamanha tolice e mau gosto, a matriz não teve dúvidas e demitiu funcionário, diretor e presidente de uma só vez.

Navegando pelo website de empresa e conhecendo seu vídeo institucional, podemos ver uma  marca em crescimento, uma companhia cuja cultura se baseia num conceito de família, chamado “Ohana” na língua original havaiana. Nesse espírito aberto ao diálogo, característico também de outras empresas do Vale do Silício, quatro pilares se destacam na formação do jeito de ser da Salesforce: crescimento, inovação, confiança e igualdade. E foi justamente o quesito igualdade que fez falta na tão comentada festa, gerando a crise que começou, na minha avaliação, num gap de comunicação interna e na dificuldade de se repassar e esclarecer os valores culturais da sede para as pessoas na sua filial brasileira. Entre ser uma cultura aberta e que defende a igualdade de todos, entre todos, e liberar geral, existe uma enorme distância! A começar pelo princípio do respeito. Quando as pessoas perdem os limites mínimos do bom senso, da gentileza, da etiqueta profissional e também da tolerância e do respeito é preciso relembrar quais são as regras. Aliás, compliance não significa exatamente isso? Agir de acordo com regras e instruções?

De quem foi a responsabilidade?

O que podemos aprender com uma festa de final de ano que deu errado seria a pergunta mais inteligente a ser feita. Mesmo porque três profissionais foram punidos com demissão sumária para comprovar que algumas coisas não são passíveis de tolerância. Por isso, defendo que a comunicação interna deve ir muito além do broadcasting de informações. Ela deve apoiar os processos educacionais das pessoas na organização, de entendimento dos aspectos culturais, dos valores organizacionais e também dos atributos da marca para evitar suposições e mal entendidos. Deve orientar o comportamento correto on e off line. Os modelos de compliance devem ser ensinados através de uma comunicação capaz de fazer as pessoas pensarem sobre suas escolhas e atitudes, de forma a envolver e comprometer as lideranças e os empregados no dia a dia do universo profissional e separar com total clareza o que pode e o que não pode ser feito. Aquilo que é legal e aquilo que é desonesto, obsceno e totalmente sem noção.

 

06.11
Comunicação interna positiva Balancear o tom de voz de incentivo pessoal e cobrança de resultados é um aprendizado diário.

Imagem: Iconicbestiary - Freepik.com Participar de um grupo de trabalho ou mesmo de uma comunidade é um processo contínuo de assimilação da cultura organizacional existente.Um movimento de... Leia mais

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Imagem: Iconicbestiary – Freepik.com

Participar de um grupo de trabalho ou mesmo de uma comunidade é um processo contínuo de assimilação da cultura organizacional existente.Um movimento de convivência mútua no qual uma identidade de grupo vai sendo criada e reforçada através do espírito de coletividade. “Quando uma pessoa pertence convictamente a um grupo, ela adquire uma identidade social: valores, hábitos, objetivos e memórias. Essa identidade contrapõe o participante aos que não fazem parte do seu grupo”, afirma Geraldo José de Paiva, psicólogo da Universidade de São Paulo. Podemos acreditar que um sentimento de pertencer a um grupo gera mais confiança para cada membro participante. Percebemos de forma mais evidente isso nas torcidas de futebol, nos partidos políticos, nos fiéis religiosos e nos membros de escolas de samba e também em empresas públicas. Nas empresas privadas esse sentimento também existe, mas fica sempre atrelado aos objetivos do negócio e exigências da performance individual e seu cumprimento de metas. Há risco portanto do participante desse grupo ser demitido e afastado daquela cultura na qual ela se encontrava e com a qual se identificava.

E o que tudo isso tem a ver com o título deste post? Muita coisa. Grupos religiosos, torcidas organizadas, partidos políticos e escolas de samba possuem um forte apelo emocional compartilhado através de seu estilo de comunicação. Uma vez que a cultura organizacional é aprendida através da experiência direta (hábitos praticados) e das histórias contadas, grande parte do tempo de um CEO é consumido em reuniões nas quais as orientações são passadas pessoalmente e não apenas através de um manual ou de regras escritas (Fisman, Sullivan, 2013).

A comunicação positiva segue essa lógica: pessoas empoderadas a partir do reconhecimento de estão colocando em prática as crenças pelas quais o grupo trabalha, acredita. Pelos objetivos compartilhados, os rituais coletivos vivenciados e o sentimento de pertencer – uma força extra para vencer obstáculos. Palavras capazes de potencializar o talento humano, de incentivar as pessoas dentro de forma individual dentro do time de trabalho são como alavancas motivacionais. Se a “vida á a busca por um ouvinte” como escreveu Nelson Rodrigues, uma comunicação interna interpessoal e as palavras usadas pelas lideranças têm o poder de energizar o espírito de time a partir do reconhecimento do talento individual  de cada pessoa. Para um bom gestor, saber fazer essa escuta e balancear o tom de voz de incentivo pessoal e cobrança de resultados é um aprendizado diário. Mas vale a pena buscar essa sintonia.

12.10
Fake news e a comunicação interna. Notícias falsas perturbam o dia a dia das empresas há muito tempo.

As fake news digitais deram um upgrade na sua rádio corredor! Atualmente, as narrativas mentirosas e as notícias falsas ganharam pernas mais longas e correm muito mais rápido pelos... Leia mais

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As fake news digitais deram um upgrade na sua rádio corredor!

Atualmente, as narrativas mentirosas e as notícias falsas ganharam pernas mais longas e correm muito mais rápido pelos corredores das empresas, ganhando espaço e atenção através de plataformas digitais e interlocutores que não se desligam das sua telinhas. Se as tais fake news são um termo moderninho, as notícias falsas perturbam o dia a dia das empresas há muito tempo. Mas a diferença é que antes dos sistemas digitais ganharem o mercado e invadirem os ambientes corporativos, a mentira tinha pernas curtas. A rádio corredor com suas variadas versões e percepções dos fatos que acontecem dentro das empresas foi turbinada pela facilidade de distribuição de percepções erradas e intrigas maliciosas através das novas linguagens tecnológicas. Mais velozes, elas deixam rastros históricos que podem ganhar releituras permanentes e voltar a causar danos de imagem, reputação e confiança na palavra dos líderes e dos gestores. As lideranças precisam ser rápidas no gatilho e atingir o poder da maledicência e das notícias falsas de forma completa. Fake news internas são uma ameaça ao ambiente de trabalho. E vamos combinar, com tantos problemas que o mercado já coloca, as empresas deveriam cuidar para que a comunicação interna fosse um estímulo poderoso para a produtividade e a confiança nos rumos do negócio, bem como uma vacina contra a proliferação de crises. O antídoto imediato contra todo tipo de notícias infundadas e abordagens inverídicas.

A transparência deve ser a base da comunicação interna, mas como sabemos, se a mentira ganhou velocidade digital, a gestão ainda não acompanhou o ritmo e muito executivo tecnicamente competente continua com dificuldades para falar com os empregados de forma franca, honesta e cara a cara. A situação só piora se a empresa tiver esqueletos no armário, aquele tipo de problema que tentou ser jogado para debaixo do tapete da sala de reunião mas que virou um cadáver robusto esquecido num canto que de repente, caiu como uma bomba em pleno expediente. O cenário ideal para as fake news, no qual a boa e velha rádio corredor vai reverberar de forma avassaladora. Por isso, é melhor cuidar da sua comunicação interna com a devida competência: bom planejamento, feedback permanente, canais e veículos eficientes e frequentes com conteúdo relevante e em sintonia com o trabalho das outras áreas e departamentos. E claro, com a mesma velocidade que o mundo digital demanda! Pense nisso.

#fakenews #comunicacaointerna #comunicar #comunicacaocorporativa #radiocorredor #digital

27.09
Gerenciar riscos e administrar crises. Planejamento, comunicação e treino são a base para realizar uma missão de sucesso.

                                   US Navy Coast Guard Recentemente vi uma entrevista de um militar da Guarda Costeira americana falando sobre seu treinamento... Leia mais

US Navy Coast Guard

                                   US Navy Coast Guard

Recentemente vi uma entrevista de um militar da Guarda Costeira americana falando sobre seu treinamento para as missões realizadas em tempos de paz e em tempos de guerra. O mais impressionante da matéria foi quando o apresentador perguntou como faziam quando as coisas davam errado durante a missão. A resposta tranquila do militar me surpreendeu quando ele afirmou que todo tipo de erro ou imprevisto era mapeado antes da execução e que o grupo treinava até 4 mil horas (!) para dar conta dessas situações. A sintonia e a comunicação do grupo era tanta que ao final do treino, até a respiração do time estava no mesmo nível. Planejamento, comunicação e muito treino são a base para realizar uma missão de sucesso.

Trazendo o exemplo para dentro das nossas empresas, o que a entrevista me confirmou mais uma vez? Que a gestão de riscos, a comunicação e a capacitação dos profissionais envolvidos diretamente em determinadas situações e decisões podem reduzir as chances de erros e de que estes erros se transformem em desastres. O melhor da entrevista foi ter um exemplo prático de como uma organização deve se preparar para alcançar resultados, evitar erros de execução, mas também se preparar para quando e se o pior acontecer no momento em que estiver concretizando seu plano de ação.

O Brasil não tem uma cultura arraigada ou ao menos o hábito valioso de planejar as coisas. Vejam vocês quantos exemplos de entrega de orçamento, dentro de algumas empresas, acontece antes mesmo do planejamento para o ano seguinte. Na nossa própria área de comunicação! Pensamos em tarefas e elencamos atividades muitas vezes sem conexão entre si e sem alinhamento com as outras equipes ou com o planejamento estratégico da companhia. Além da falta de planejamento, a falta de integração e de comunicação entre os departamentos conspira contra o sucesso da missão empresarial. Muitas empresas sequer esclarecem as suas decisões estratégicas ou desdobram metas corporativas de forma alinhada definindo papéis, responsabilidades e direcionamentos para os seus empregados. Querem um exemplo? Quantos treinamentos de combate a incêndios ou evacuação do escritório você realizou este ano? Este assunto foi sequer comentado nas salas de reunião, o que fazer em situações de incêndio ou inundação?Você tem ao menos um manual impresso na sua gaveta sobre uma situação como essa?

Na área pública nem se fala, me parece muito pior. O próprio orçamento anual é rasgado ao sabor dos conchavos políticos e interesses de curto prazo. O país não sabe qual é o seu projeto de nação e o Estado peca na representatividade da nação ao se transformar num trambolho burocrático movido por interesses de grupos de influência e pelo corporativismo estatal. A cada novo ministro navegamos ao sabor da sua vaidade pessoal ou da ideologia da hora. Em alguns momentos, acertamos. Em outros retornamos ao caos. Mas voltemos ao mundo dos negócios e da iniciativa privada, bem mais preparada, teoricamente, para criar modelos de sucesso na gestão de metas e de riscos.

Movida pela saudável competição e pela superação de suas conquistas, as empresas deveriam ser também as campeãs no gerenciamento de riscos e no planejamento de ações para mitigar quaisquer erros, crises ou imprevistos. A leitura de cenários e a capacitação das equipes deveria ser um processo alinhado ao do planejamento estratégico. Tudo azeitado por fluxos inteligentes e permanentes de comunicação interna em sintonia com marketing, comercial, operações, RI e jurídico, entre outras áreas. O fato é que aqui também temos problemas. As horas de treinamento, por exemplo, nem se comparam ao exemplo do militar acima descrito. as prioridades então, quais são? Guardando as devidas proporções, podemos dizer que uma organização militar é diferente de uma empresa privada. Mas se o mercado é uma verdadeira guerra, a analogia poderia ser bastante útil. O exemplo deve ser seguido.

A gestão de riscos é ação preventiva e anterior ao gerenciamento de crises. A comunicação estratégica faz parte inseparável dos dois processos. A capacitação para situações e cenários fora do controle de nossas planilhas e apresentações de power point deve ser pauta permanente das lideranças num mundo cada vez mais complexo, conectado e imprevisível.

 

Foto: www.gocoastguard.com/active-duty-careers

 

30.08
Comunicação face a face. O fiar de um conversa aumenta a confiança na gestão.

Conversa fiada não combina com o ambiente empresarial. Será mesmo? Eu sei que o “jogar conversa fora” é sinônimo de perda de tempo para gestores, cujo foco é alcançar a produtividade... Leia mais

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Conversa fiada não combina com o ambiente empresarial. Será mesmo? Eu sei que o “jogar conversa fora” é sinônimo de perda de tempo para gestores, cujo foco é alcançar a produtividade máxima, mas uma boa conversa baseada na confiança mútua é uma força motriz importante na organização. Olha só…

Acontece que o fiar de uma boa conversa é como tecer laços e vínculos trabalhando a prosa de um interlocutor para o outro. O fiar é o escutar o outro. Nessa troca, nessa costura de palavras e significados, a confiança surge e pode gerar entusiasmo e promover a motivação, além de ser a melhor dinâmica para o entendimento mútuo, de diferentes pontos de vista. O alcance das metas e a superação de desafios, bem como a alavanca de times de alta performance é uma consequência quando entendemos nosso papel no contexto e somos reconhecidos pelas lideranças. Reconhecimento é muitas vezes ser escutado, com atenção. Nelson Rodrigues falava que a vida era a busca por um ouvinte e num mundo no qual publicamos nossas opiniões on line e gostamos de receber likes, a conversa face a face é um diferencial valioso para um time. Muito diferente do simples cumprir ordens ou do escutar o monólogo do chefe, sem conseguir dar um palpite sequer.

Saber dialogar é saber fluir numa via de mão dupla, aberta, uma vez que “dois monólogos não fazem um diálogo”. Por isso, a conversa fiada nos ensina a tecer um vai e vem de troca, de esclarecimento mútuo e de colaboração, cooperação e redução das fofocas de corredor. Olho no olho, perceber nossa emoção e a do outro. Perceber que o corpo também comunica e que numa troca real, a empatia agrega mais na qualidade da conversa.

Ora, o que é a maledicência e o ti ti ti nos corredores das empresas, senão o resultado patente da falta de confiança nos canais oficiais de comunicação interna? Ou mesmo na própria palavra dos chefes imediatos? Credibilidade na palavra da organização é um fator vital para o engajamento. Alguém duvida? Quanto prejuízo as empresas não têm com conversas decoradas, sem energia ou crença real nos discursos automatizados ou cheio de jargões vazios, sem emoção, sem significado que faça a diferença para as pessoas. Ordens são ordens, mas diálogo e colaboração levam a outro patamar o ambiente de trabalho. Cumprir ordens é coisa de tarefeiro e eu falo aqui de potencialidades humanas.

Somos energia em movimento e a comunicação é o nosso combustível, através dela enxergamos não só com os olhos, mas através da nossa crença, com nossos corações. Isso tem muito de psicologia e mesmo que eu não seja um expert nessa área, vale lembrar que a cura pela fala é um processo individual na terapia e que dentro das organizações também opera milagres na integração das equipes e resolução de conflitos. Compreender nossa conversa interior, comunicação intrapessoal para ampliar o entendimento mútuo com outros interlocutores (comunicação interpessoal) é um aprendizado.

O fiar de uma conversa é portanto, a possibilidade de se valorizar o diálogo enquanto escuta atenta e afetuosa das outras pessoas com as quais nos relacionamos, percebendo a riqueza de pontos de vista diferentes, dos sentimentos humanos (não somos robôs, somos?) e muitas vezes inovadores. Uma conversa assim pede que deixemos o território conhecido dos nossos pressupostos e busquemos mais empatia na relação. E me perdoem os amantes da tecnologia digital, nada vai substituir o calor humano e o relacionamento olho no olho. O digital é ferramenta e eu falo aqui sobre presença, contato, vínculo.

Uma conversa fiada na base da confiança, da troca, do olhar, da escuta atenciosa e da empatia, organizada num sistema de comunicação interna eficiente, frequente e planejado,  substituindo o simples disparo de informações e encerrando em definitivo com o antigo conceito de um emissor distribuindo uma mensagem para um receptor passivo deve ser como um mantra de gestão eficiente e mais humana. Capaz de energizar as pessoas, facilitar a vida dos líderes e encerrar de uma vez com as fofocas ácidas da rádio corredor.

30.07
Marketing ou comunicação interna? Você considera os empregados da sua empresa como clientes internos?

Como você classifica o time de trabalho? Você considera os empregados da sua empresa como clientes internos?  Perguntas assim fazem parte de qualquer diagnóstico de comunicação interna. A... Leia mais

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Como você classifica o time de trabalho? Você considera os empregados da sua empresa como clientes internos?  Perguntas assim fazem parte de qualquer diagnóstico de comunicação interna. A cultura organizacional e seu jeito de ser impactam diretamente no clima, na produtividade e na energia das pessoas e o fato é que as empresas são formadas por departamentos que costumam trabalhar olhando para suas próprias metas e objetivos, sem se comunicarem direito uns com os outros. Nessas organizações, os empregados podem ser esquecidos na hora dos lançamentos de novos produtos. Eles ficam sabendo das “novidades” através de informações e notícias externas. Um tremendo gol contra!

Para resolver essa questão algumas áreas de marketing costumam fazer um pré-lançamento interno para que todas as equipes de trabalho saibam das inovações, promoções e lançamentos em primeiríssima mão. Afinal, os empregados são clientes em potencial e são os grandes embaixadores da marca! Se eles não compram ou não apostam nos próprios produtos ou serviços da empresa para a qual trabalham, alguma coisa está errada, não é? Já não é novidade que muitas empresas estejam utilizando os próprios empregados como estrelas e atores para falarem dos produtos e da marca.

Vale lembrar que o modelo tradicional do mix de marketing possui os chamados 4 Ps: Produto, Preço, Praça e Promoção. Na parte da “Promoção” temos a divulgação, a publicidade e a propaganda bem como as relações públicas, entre outros itens. Fazer um bom marketing interno é mostrar desde o início do processo de desenvolvimento de novos produtos que o time anda integrado e a vitória de um, será a conquista de todos. O sucesso no mercado se refletirá internamente e vice-versa. Nesse contexto, o tal endomarketing (*) deve ser trabalhado com uma linguagem diferenciada, em conjunto com a equipe de comunicação interna – que pode ser ou não parte da diretoria de recursos humanos. Os comunicadores internos tem a expertise de como escrever as mensagens e adaptar a linguagem comercial e “marqueteira” para a força de trabalho. Não podemos nos enganar: os empregados sabem muito bem como a empresa funciona de fato, nos seus bastidores e no dia a dia de suas operações. Por isso, não adianta fazer apenas uma bela propaganda interna e tentar “vender” para o empregado algum produto ou mesmo a marca da empresa como fazemos com um estranho ou um prospect.  É preciso  ter uma comunicação com os empregados feita de forma transparente, olho no olho. Falar a verdade de forma próxima, com respeito para quem faz a promessa e a razão de ser da companhia acontecer  de fato, muitas vezes longe dos holofotes e do glamour da publicidade.

O empregado compra a marca da empresa todos os dias. Na minha opinião, ele é um dos influenciadores vitais da organização. Quando ele acredita que a empresa, como um todo, é uma aposta confiável na construção de sua carreira e de seu sonho profissional, sendo reconhecido pelo seu talento e respeitado em suas opiniões pode fazer toda a diferença. Ambiente de trabalho, performance, superação de metas e desafios e engajamento são dimensões diretamente afetadas pelo comportamento, pela disposição e pela motivação do empregado. Por isso, não basta bater o bumbo marqueteiro. Uma comunicação interna inteligente e sensível opera milagres. Pode apostar.

 

 

(*) “Endomarketing” é um termo criado por Saul Faungaus Bekin, em 1995, que aliou o marketing de Kotler com a área de RH criando o conceito. 

Obs: A ilustração acima é de autoria da br.freepik.com

03.07
Twitter no engajamento dos empregados. Vale a pena tuitar para seus colaboradores?

As fronteiras entre o espaço interno e externo das organizações estão cada vez mais difusas. Dentro e fora são divisórias cada vez mais flexíveis e dinâmicas. As paredes e os muros já... Leia mais

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As fronteiras entre o espaço interno e externo das organizações estão cada vez mais difusas. Dentro e fora são divisórias cada vez mais flexíveis e dinâmicas. As paredes e os muros já não protegem mais as empresas como antigamente. O mundo digital avançou e provocou uma nova e complexa organização dos espaços e do tempo. O privado e o público se misturaram e por isso a comunicação interna e a externa também perderam suas antigas fronteiras. Os empregados, esses clientes internos valiosos e verdadeiros embaixadores da marca para a qual trabalham, ganharam mais influência diante da transparência que a inovação tecnológica promoveu. Muitas lideranças sentem saudades dos bons tempos do nada a declarar, mas o fato é que um empregado com um smartphone tem o mundo conectado em suas mãos. Vivemos a era da transparência.

Neste cenário de comunicação cada vez mais ágil e imediata, o Twitter tem crescido no mundo e no Brasil. De acordo com uma entrevista de Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter no Brasil, a plataforma alcançou a marca de 319 milhões de usuários ativos por mês. Independentemente do quantitativo, para nossa conversa aqui no blog, o que interessa é saber se ele pode ser usado de forma eficiente para uma comunicação entre a empresa e os seus empregados.

Vale a pena tuitar para os seus empregados?

Numa rápida busca na própria plataforma, descobrimos marcas que já utilizam o Twitter nas suas interações com empregados, seja promovendo notícias e informações para serem livremente compartilhadas ou incentivando seus times a se engajarem em causas ou ações. O @UPsers da UPS, por exemplo, celebra e homenageia suas pessoas e suas conquistas através da sua página e o @Starbucksprtnrs integra parceiros, franqueados e empregados promovendo a marca e os valores da empresa. A @BRF também faz ações permanentes nessa mesma linha como na campanha do Dia Internacional da Mulher, entre outras ações. É óbvio que cada canal deve ter um objetivo e todas as empresas devem esclarecer as regras do jogo on line antes de entrar em campo, alinhando as expectativas e evitando ruídos. Empresas de capital aberto, principalmente, devem ter políticas claras e treinamentos permanentes para deixar o time de colaboradores sempre atento para aquilo que pode ser um golaço nas redes ou uma tremenda bola fora. Pensar a estratégia e o objetivo de cada plataforma de relacionamento, seja ela o Twitter ou não, é o passo inicial. Integrar as ações, também.

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É claro que muita gente vai citar outras plataformas que podem ser igualmente recomendadas para a interatividade entre empregados e lideranças, talvez com menos riscos no “mundo exterior”, como  YammerWorkplace, Slack e o Fluig da brasileira Totvs. São diferentes possibilidades e opções e cada uma delas tem suas próprias características que devem ser analisadas em conjunto com o grau de maturidade da empresa, sua cultura e seus objetivos. Uma estratégia que integre o externo e interno ainda causa receio em muitos gestores, mas eu acredito que é um caminho que deva ser analisado e o Twitter é uma ferramenta poderosa.

 

 
Luiz Antônio Gaulia

Luiz Antônio Gaulia

Jornalista. Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio. Especialista em Comunicação Empresarial pela Syracuse University/Aberje. Pós-graduado em Marketing e em Comunicação Jornalística. Ex-Gerente de Comunicação da CSN - Cia. Siderúrgica Nacional e da Alunorte (PA). Atuou no O Boticário e no Grupo Votorantim. Realizou projetos de comunicação corporativa e sustentabilidade para a VALE, a Light, Petrobras e Ajinomoto. Foi Gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Estácio, companhia na qual também foi o responsável pela comunicação com os empregados. Consultor e professor, escreve para a Aberje, a PLURALE e no Blog do Gaulia. É Diretor da Talk the Walk Comunicação Sustentável.