30.07
Marketing ou comunicação interna? Você considera os empregados da sua empresa como clientes internos?

Como você classifica o time de trabalho? Você considera os empregados da sua empresa como clientes internos?  Perguntas assim fazem parte de qualquer diagnóstico de comunicação interna. A... Leia mais

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Como você classifica o time de trabalho? Você considera os empregados da sua empresa como clientes internos?  Perguntas assim fazem parte de qualquer diagnóstico de comunicação interna. A cultura organizacional e seu jeito de ser impactam diretamente no clima, na produtividade e na energia das pessoas e o fato é que as empresas são formadas por departamentos que costumam trabalhar olhando para suas próprias metas e objetivos, sem se comunicarem direito uns com os outros. Nessas organizações, os empregados podem ser esquecidos na hora dos lançamentos de novos produtos. Eles ficam sabendo das “novidades” através de informações e notícias externas. Um tremendo gol contra!

Para resolver essa questão algumas áreas de marketing costumam fazer um pré-lançamento interno para que todas as equipes de trabalho saibam das inovações, promoções e lançamentos em primeiríssima mão. Afinal, os empregados são clientes em potencial e são os grandes embaixadores da marca! Se eles não compram ou não apostam nos próprios produtos ou serviços da empresa para a qual trabalham, alguma coisa está errada, não é? Já não é novidade que muitas empresas estejam utilizando os próprios empregados como estrelas e atores para falarem dos produtos e da marca.

Vale lembrar que o modelo tradicional do mix de marketing possui os chamados 4 Ps: Produto, Preço, Praça e Promoção. Na parte da “Promoção” temos a divulgação, a publicidade e a propaganda bem como as relações públicas, entre outros itens. Fazer um bom marketing interno é mostrar desde o início do processo de desenvolvimento de novos produtos que o time anda integrado e a vitória de um, será a conquista de todos. O sucesso no mercado se refletirá internamente e vice-versa. Nesse contexto, o tal endomarketing (*) deve ser trabalhado com uma linguagem diferenciada, em conjunto com a equipe de comunicação interna – que pode ser ou não parte da diretoria de recursos humanos. Os comunicadores internos tem a expertise de como escrever as mensagens e adaptar a linguagem comercial e “marqueteira” para a força de trabalho. Não podemos nos enganar: os empregados sabem muito bem como a empresa funciona de fato, nos seus bastidores e no dia a dia de suas operações. Por isso, não adianta fazer apenas uma bela propaganda interna e tentar “vender” para o empregado algum produto ou mesmo a marca da empresa como fazemos com um estranho ou um prospect.  É preciso  ter uma comunicação com os empregados feita de forma transparente, olho no olho. Falar a verdade de forma próxima, com respeito para quem faz a promessa e a razão de ser da companhia acontecer  de fato, muitas vezes longe dos holofotes e do glamour da publicidade.

O empregado compra a marca da empresa todos os dias. Na minha opinião, ele é um dos influenciadores vitais da organização. Quando ele acredita que a empresa, como um todo, é uma aposta confiável na construção de sua carreira e de seu sonho profissional, sendo reconhecido pelo seu talento e respeitado em suas opiniões pode fazer toda a diferença. Ambiente de trabalho, performance, superação de metas e desafios e engajamento são dimensões diretamente afetadas pelo comportamento, pela disposição e pela motivação do empregado. Por isso, não basta bater o bumbo marqueteiro. Uma comunicação interna inteligente e sensível opera milagres. Pode apostar.

 

 

(*) “Endomarketing” é um termo criado por Saul Faungaus Bekin, em 1995, que aliou o marketing de Kotler com a área de RH criando o conceito. 

Obs: A ilustração acima é de autoria da br.freepik.com

03.07
Twitter no engajamento dos empregados. Vale a pena tuitar para seus colaboradores?

As fronteiras entre o espaço interno e externo das organizações estão cada vez mais difusas. Dentro e fora são divisórias cada vez mais flexíveis e dinâmicas. As paredes e os muros já... Leia mais

BRF Employee

As fronteiras entre o espaço interno e externo das organizações estão cada vez mais difusas. Dentro e fora são divisórias cada vez mais flexíveis e dinâmicas. As paredes e os muros já não protegem mais as empresas como antigamente. O mundo digital avançou e provocou uma nova e complexa organização dos espaços e do tempo. O privado e o público se misturaram e por isso a comunicação interna e a externa também perderam suas antigas fronteiras. Os empregados, esses clientes internos valiosos e verdadeiros embaixadores da marca para a qual trabalham, ganharam mais influência diante da transparência que a inovação tecnológica promoveu. Muitas lideranças sentem saudades dos bons tempos do nada a declarar, mas o fato é que um empregado com um smartphone tem o mundo conectado em suas mãos. Vivemos a era da transparência.

Neste cenário de comunicação cada vez mais ágil e imediata, o Twitter tem crescido no mundo e no Brasil. De acordo com uma entrevista de Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter no Brasil, a plataforma alcançou a marca de 319 milhões de usuários ativos por mês. Independentemente do quantitativo, para nossa conversa aqui no blog, o que interessa é saber se ele pode ser usado de forma eficiente para uma comunicação entre a empresa e os seus empregados.

Vale a pena tuitar para os seus empregados?

Numa rápida busca na própria plataforma, descobrimos marcas que já utilizam o Twitter nas suas interações com empregados, seja promovendo notícias e informações para serem livremente compartilhadas ou incentivando seus times a se engajarem em causas ou ações. O @UPsers da UPS, por exemplo, celebra e homenageia suas pessoas e suas conquistas através da sua página e o @Starbucksprtnrs integra parceiros, franqueados e empregados promovendo a marca e os valores da empresa. A @BRF também faz ações permanentes nessa mesma linha como na campanha do Dia Internacional da Mulher, entre outras ações. É óbvio que cada canal deve ter um objetivo e todas as empresas devem esclarecer as regras do jogo on line antes de entrar em campo, alinhando as expectativas e evitando ruídos. Empresas de capital aberto, principalmente, devem ter políticas claras e treinamentos permanentes para deixar o time de colaboradores sempre atento para aquilo que pode ser um golaço nas redes ou uma tremenda bola fora. Pensar a estratégia e o objetivo de cada plataforma de relacionamento, seja ela o Twitter ou não, é o passo inicial. Integrar as ações, também.

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É claro que muita gente vai citar outras plataformas que podem ser igualmente recomendadas para a interatividade entre empregados e lideranças, talvez com menos riscos no “mundo exterior”, como  YammerWorkplace, Slack e o Fluig da brasileira Totvs. São diferentes possibilidades e opções e cada uma delas tem suas próprias características que devem ser analisadas em conjunto com o grau de maturidade da empresa, sua cultura e seus objetivos. Uma estratégia que integre o externo e interno ainda causa receio em muitos gestores, mas eu acredito que é um caminho que deva ser analisado e o Twitter é uma ferramenta poderosa.

 

 
18.06
O melhor aplicativo de comunicação interna. Este app gratuito e revolucionário já está no mercado!

Tenho uma grande notícia para a comunicação organizacional. O melhor aplicativo de comunicação interna já existe, é 100% grátis, verdadeiramente revolucionário e muito eficiente. A... Leia mais

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Tenho uma grande notícia para a comunicação organizacional. O melhor aplicativo de comunicação interna já existe, é 100% grátis, verdadeiramente revolucionário e muito eficiente. A informação alvissareira não é de fato uma novidade, diga-se de passagem. Mesmo diante da alta tecnologia embutida e disponibilizada de forma viral e personalizada em todas as empresas, essa boa nova é…velha.

O melhor app de comunicação interna inventado já vem instalado em todos os executivos e  profissionais. Sua valiosa função se refere a nossa capacidade de ouvir. Isso mesmo! Ouvir o outro é um avanço tecnológico que até hoje não foi ultrapassado. Eu aposto que nunca será.

Ouvir o outro é bem diferente de escutar o outro, ok? A escuta pode ser mero jogo de cena, parar apressado diante de um interlocutor e enquanto ele fala, pensar em mil coisas diferentes. Nossa comunicação face a face é geralmente automatizada, com nossos pensamentos longe da conversa em curso. Ouvir é um “aplicativo” maior, muito mais avançado pois se refere ao significado das palavras. Ele se relaciona ao corpo, ao emocional, ao estar aberto para entender o ponto de vista do outro sem ficar com a mente envolta em conclusões precipitadas ou decisões já tomadas nos primeiros instantes da conversa.

Ouvir é outro papo, muito diferente do escuta formal e cheia de preconceitos. Ouvir se remete a uma tentativa real de integrar, colaborar, perceber com atenção e foco as ideias, as propostas, os motivos  e desejos ao longo do diálogo. Ouvir é estar presente na conversa. Perceber o outro por inteiro e não de forma fragmentada. Escutar é receber informação, é escutar uma ordem. Ouvir é mergulhar no contato para emergir dele de uma forma melhor, mais completa e que multiplicou potencialidades. Ouvir tem mais a ver com o afeto.

Não são todos os ambientes de trabalho e modelos organizacionais que nos permitem atingir um patamar de excelência do ouvir. A maioria das empresas, públicas e privadas, vive num redemoinho de ruídos, interferências provocadas pelos excessos de estímulos. Vive refém de uma montanha de dados, informações e retóricas pouco relevantes ou distantes da realidade das pessoas. Repetitiva em seus jargões, seus feedbacks by the book e pilotos automáticos ligados durante as reuniões. Presos nas burocracias ou cegamente obedientes a alguma causa ou propósito pelo qual pode existir algum envolvimento, mas não há comprometimento. O ouvir, pelo contrário, está conectado ao sentido e ao vínculo.

Todas as lideranças são capazes de escutar para depois  “emitir” mensagens, distribuir comandos. Muitas ainda precisam ouvir melhor para influenciar comportamentos e culturas. Bons ouvintes ainda estão em falta no mercado. E sinto dizer, inclusive entre nós comunicadores, muitas vezes perdidos com o lançamento do mais novo e milagroso dispositivo eletrônico, mas que não substitui um bom par de orelhas.

Sugiro rever o manual de instruções deste que é o melhor aplicativo de comunicação interna existente e começarmos a usufruir de seus benefícios já na próxima reunião de trabalho. Ahn! Lembro que em casa ele também serve e é verdadeiramente inovador. Faça um teste hoje mesmo.

13.06
E-mails, e-mails, e-mails A quantidade de e-mails enviados continua afogando as empresas

A quantidade de e-mails enviados continua afogando as empresas num mar de excesso de informação e mensagens. O nome disso é burocracia eletrônica! Uma pesquisa divulgada pelo IABC  nos EUA... Leia mais

ioda

A quantidade de e-mails enviados continua afogando as empresas num mar de excesso de informação e mensagens. O nome disso é burocracia eletrônica! Uma pesquisa divulgada pelo IABC  nos EUA mostrou que o uso do e-mail ainda é a ferramenta de comunicação interna mais utilizada como canal de CI. Aqui no Brasil não é diferente, muitas empresas tem uma cultura de comunicação que sobrecarrega o tempo útil dos seus profissionais com excessos de mensagens. O que deveria agilizar, acaba burocratizando.

Viu meu e-mail? – pergunta fulano na abertura de uma reunião. Não recebi – responde o outro colega, com cara desconfiada e tentando não se comprometer com prazos ou novas cobranças. Já testemunhou uma conversa dessas? O pior dos mundos é que muita gente não sabe utilizar a ferramenta até hoje. Culpa da Comunicação Interna? Pode ser. Afinal, o time de CI deve ter um papel educador nas suas ações. Se tudo comunica, tudo educa, podem apostar. Quando falamos sobre o excesso de e-mails, vale lembrar de um hábito que considero o mais nocivo de todos: copiar uma montanha de gente no espaço do destinatário e dar um reply to all provocando um tsunami de comentários sobre a mesma mensagem que fica reverberando pela rede, como um vírus.   O volume de informações trocadas por e-mail fala muito sobre o jeito de ser de uma organização. Mandar uma mensagem para registrar conversas é um hábito normal, mas em algumas empresas os e-mails servem como documentos de cobrança, registros de que o problema a ser resolvido foi parar no desk top do outro e por aí vamos…

Nessa conversa eletrônica corporativa que tal lembrar de quem é o motivo maior de estarmos trabalhando? Ops, esqueceu do nome dele? Então, anote: cliente. Você não trabalha para responder o correio eletrônico, nem seu colega, nem seu gestor ou o diretor. Todo mundo trabalha para garantir a satisfação o cliente, com agilidade, eficiência e simpatia. Portanto, vamos voltar ao básico e falar pelo telefone ou conversar pessoalmente para fazer as coisas andarem mais depressa.

 

30.05
Seu novo chefe é um algoritmo? Robotização das relações no trabalho é um fenômeno crescente.

Uma recente reportagem do jornal Financial Times mostrou como um número crescente de profissionais está sendo chefiada por algoritmos, através de seus smartphones. A nova gerência algorítmica... Leia mais

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Uma recente reportagem do jornal Financial Times mostrou como um número crescente de profissionais está sendo chefiada por algoritmos, através de seus smartphones. A nova gerência algorítmica (termo criado por professores da Carnegie Mellon University) direciona, instrui, controla e avalia o trabalho do empregado à distância, de forma anônima e utilizando um dispositivo eletrônico como intermediário. Marcas consideradas como disruptivas estão realmente revolucionando segmentos inteiros de negócios e gerenciando processos e pessoas através dessa matemática. Ela reduz despesas e custos de um lado, multiplica  serviços muitas vezes interessantes e válidos para os consumidores, mas, por outro lado, empobrece as relações de trabalho subtraindo a face humana do contexto.

Na área da informática e da computação um algoritmo é uma série de diretrizes que indicam explicitamente o passo a passo de uma determinada operação. Um tipo de manual de conduta e procedimento que comanda a execução, o controle e finalização de determinada tarefa. Conceito simples, direto, frio e calculista, uma evolução digital da administração científica de Frederick Taylor. Ideal para o mundo dos negócios, para o aumento da produtividade e vantajosa para as relações de trabalho que envolvem o poder. O poder de mandar, o poder de pagar, o poder de influenciar. Mas existem vantagens para o consumidor, o cliente? Sim, ele ganha mais opções de escolha com custos reduzidos e maior oferta de prestadores de serviços disponíveis para atenderem aos seus pedidos. Mas, por outro lado, nas relações humanas, dentro das organizações, os empregados ou colaboradores ficam distanciados de seus colegas ou mesmo de suas chefias. Não dá para convidar um algoritmo para tomar um chopp no happy hour e ter aquele feedback sobre a semana, dá? Exageros à parte, na minha visão de comunicador é preciso estar atento para não tratarmos pessoas como números de uma conta corrente, numa base de dados eletrônica.

A matemática agiliza, calcula e determina o futuro do trabalho. Marcas como Uber, Cabify, Lyft, Televo no segmento de mobilidade e a Airbnb no segmento de hospedagem são exemplos de empreendimentos cuja base operacional funciona via aplicativo e dentro dessa nova tecno lógica. A robotização excessiva dos ambientes de trabalho não traz ganhos para as pessoas. O cumprimento de ordens seguindo o modelo de um piloto automático tem causado estragos emocionais e afetivos nas pessoas, sejam elas empregados de empresas privadas ou grandes estatais, funcionários de órgãos públicos e até colaboradores em ONGs. Por isso, eu defendo a humanização das relações humanas a partir do cuidar dessas relações com mais atenção, carinho, escuta…diálogo. Em tempos de crise é preciso avançar ainda mais na direção do saber cuidar e não se deixar seduzir por promessas engenhosas de uma tecnologia sem limites, cuja magia a todos encanta, mas não é capaz de calcular o valor das alegrias e dos amores ou considerar as angústias e as tristezas humanas.

Nossos corações não são máquinas, empregados não funcionam como relógios. Comportamentos baseados exclusivamente em outputs financeiros costumam atropelar as pessoas pelo meio do caminho. Os fins não justificam os meios, quando nossa missão é saber e querer cuidar das pessoas.

13.05
Humanizar as relações humanas. Orientadas pelo olhar mecanicista as empresas também precisam considerar os sentimentos humanos.

Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Orientados pelo olhar  mecanicista as empresas... Leia mais

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Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Orientados pelo olhar  mecanicista as empresas precisam considerar também os sentimentos  humanos e seus impactos nos processos de trabalho. Campanhas motivacionais surgem como respostas urgentes quando as pesquisas de clima mapeiam a pressão interna e descobrem que o pulso organizacional bate indiferente aos comandos. Os empregados estão deprimidos, sem desejo? Ou para usar o termo da moda “desengajados”? É difícil celebrar mais um milhão de toneladas de minério produzidas? Ou duzentos mil contêineres descarregados? Ou algum outro quantitativo alcançado? Claro! Qual o significado dos números para o imaginário do homem em meio aos maquinários pesados, sobrecarregado por reuniões intermináveis e metas sempre maiores?
No campo do diálogo, a comunicação interna se faz permanente não só pelos canais oficiais de entrega da informação mas também pela “rádio peão” e cada vez mais nos comentários das redes sociais. O comunicar se reflete na energia dos lugares de encontro, nas salas de reunião, no design dos locais de trabalho e no cuidado com a estética alinhada com a ética e com a técnica! A comunicação se faz presente pelos afetos aparentemente ausentes. Todos são afetados pelo ambiente, assim como pelos discursos oficiais e oficiosos (aqueles dos corredores). Nas empresas, cada vez mais o emocional mexe com o metabolismo da organização e numa sociedade de conhecimento em rede, essa tendência se amplia forçando o uso da tecnologia matemática a ganhar uma face mais humana e sensível.
Sabemos que ser emocional demais atrapalha, assim como ser unicamente racional inviabiliza a ternura. Se o lado racional nos permite tecer conclusões é o emocional que nos dá a energia para a ação. Por isso, reforço “humanizar as relações humanas” e assim considerar o outro e seus sentimentos, afetos e desejos. Sonhos, visão de mundo, modelo mental, modo de falar e se expressar. O objetivo a atingir deve ser comum: realizar a missão da empresa, cumprir a promessa da marca. Mas se o coração está vazio, a alma em crise, o cérebro não vale nada. É uma lâmpada apagada.
Pessoas comuns podem se tornar notáveis quando impulsionadas por sua emoção e quando percebem e acreditam que podem fazer coisas extraordinárias, com real significado em suas rotinas e verdadeiro sentido para suas vidas.
 #TalkTheWalk

 

01.05
A organização viva Empresas não são um amontoado de máquinas arieu

Arieu de Geus foi Diretor de Planejamento da Shell e escreveu o livro "The Living Company"  em 1997 e após vinte anos, suas ideias continuam atuais. Empresas não são um amontoado de máquinas,... Leia mais

Arieu de Geus foi Diretor de Planejamento da Shell e escreveu o livro “The Living Company”  em 1997 e após vinte anos, suas ideias continuam atuais. Empresas não são um amontoado de máquinas, matéria-prima e recursos financeiros mas verdadeiras “comunidades vivas de trabalho“. Em tempos de turbulência política e econômica, é preciso resgatar este autor e perceber que é a energia das pessoas que movimenta a dinâmica corporativa afetando resultados no curto e no longo prazo, bem como reforçando ou depredando valores. Organismos vivos são marcados não pelo batimento dos ponteiros do relógio, mas pelo batimento de seus corações. Energia em movimento.

Palavras são fluxos de energia e é por isso que a comunicação possui não só uma responsabilidade formal e burocrática de entrega de dados e informações, mas a missão de orientar essa rede de conversas corporativa no sentido de abrir espaços para o potencial de cada pessoa, dar voz e ouvidos aos empregados em seus diferentes locais de trabalho. A comunicação com e entre os empregados tem o poder de reforçar ou desconstruir valores através dos exemplos individuais que dão vida à organização. Pessoas empoderadas e reconhecidas são os agentes da alta performance e é essa disposição que cria empresas duradouras, capazes de inovar e se transformarem ao longo dos anos. Segundo Arieu de Geus, companhias como a multinacional finlandesa Stora Enso ou a japonesa Mitsui.

Se a mudança é uma das únicas certezas que podemos ter em nossas vidas, os espaços corporativos também são campos impactados pela força da mudança. Diferentes áreas dirigidas por diferentes gestores devem ser entendidos como microcosmos de um mesmo universo. Um universo caótico, com certeza pois a vida é caos e mudança por mais que tentemos controlar seu rumo. Nas empresas não seria diferente e o  jeito como as pessoas se expressam, conversam e agem produzem narrativas de comunicação interna capazes de moldar o imaginário coletivo organizacional, bem como influenciar o alcance de metas e de resultados.

Nesse sentido, ainda encontramos diversas empresas cujos dirigentes as percebem como máquinas, incapazes de mudar ou de entender que a energia de seus empregados e os fluxos de comunicação interna são processos completamente opostos ao desejo de controlar as pessoas como se fossem peças mecânicas, simples crachás ambulantes ou head count na folha de pagamento. A própria insistência em definir a área de gente como de “recursos” humanos ainda comprova essa visão ultrapassada. A empresa enquanto uma comunidade viva é o futuro que chegou apesar de muitos gestores ainda não terem se dado conta dessa grande mudança na dinâmica dos negócios e de suas relações.

24.04
Blog do Presidente. O sucesso de um modelo depende do estilo do líder e da cultura organizacional.

Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de... Leia mais

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Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de opiniões sobre determinados temas específicos, os blogs surgem e morrem como um…espasmo. Cada CEO tem seu jeito de liderar e pode utilizar ou não esse formato para ampliar sua comunicação com a sociedade ou simplesmente ter um foco voltado exclusivamente para os empregados. O fato é que a proposta continua atual, mas o sucesso de um modelo depende do estilo do líder do momento e da cultura da organização.

Os blogs ajudam a costurar vínculos, formar opiniões e são fáceis de serem monitorados. A opinião aberta e direta de um presidente esclarece e direciona a empresa, influencia a cultura, acalma ânimos e tranquiliza as pessoas. Sua dinâmica de compartilhamento de ideias e conhecimentos em tempos de bonança ou de prestação de contas e esclarecimentos em momentos de crise (verdadeiras oportunidades para a criação de novas práticas de comunicação) deveria ser utilizada de forma planejada, dentro de uma proposta mais ampla de transparência e construção de relacionamentos com determinados stakeholders – o que pode ser feito a partir da escolha de temas específicos. Os blogs corporativos escritos diretamente pelo CEO ou em formatos coletivos divididos em publicações pelo conjunto de membros do diretoria não funcionam isolados do mix de comunicação integrada, interna e externa.

Blogs ou microblogs precisam fazer parte de uma linha estratégica coerente com outras ações e também estarem alinhados com a identidade da marca, o segmento de atuação e do negócio, os objetivos de comunicação e as metas almejadas pela empresa. O pior dos mundos é sempre o de ir olhar a concorrência para copiar as soluções dos outros. O que pode dar certo num ambiente corporativo pode dar errado em outro e o benchmarking não traz garantia nenhuma, apenas informações para serem analisadas. O sucesso de um modelo numa determinada companhia não é sinônimo de êxito em outra. O mais importante é pensar estrategicamente a comunicação. O CEO e os leitores agradecem!

30.03
Uma narrativa para a marca Brasil. O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino.

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”.... Leia mais

aberje bndes

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”. Confesso que fiquei positivamente influenciado e, por isso, peço licença para escrever aqui no blog este texto que, a princípio, pouco tem a ver com o tema da comunicação interna, assunto das minhas permanentes publicações.

A imagem do Brasil como país emergente e um dos líderes do agronegócio mundial teve mais do que arranhões com a crise provocada pelas denúncias da Operação Carne Fraca. A divulgação atrapalhada das investigações policiais e a omissão de lideranças empresariais do setor estão retirando valor da marca “Brasil”. Quem perde com essa subtração? Todos nós brasileiros, com certeza.

As micronarrativas de cada novo escândalo e seus desdobramentos nas mídias digitais – muitas vezes redes de gritaria contra tudo e contra todos -, bem como a força das manchetes da grande imprensa derrubam a reputação de empresas envolvidas e por tabela de toda uma próspera cadeia produtiva. O orgulho de ser brasileiro se esvai pelo ralo da vergonha. Meu Deus, o que queremos ser como país? Nesse tiroteio, são os nossos concorrentes na América, na Europa e na Ásia que aplaudem. Seus produtos e suas marcas podem ganhar mercados e nossas conquistas globais podem perder terreno precioso no comércio internacional. Se uma empresa que desconhece a sua missão já tem problemas, imaginem um país inteiro que não sabe o que quer e tropeça nas próprias pernas, deixando campo livre para potências concorrentes?!

Uma percepção negativa crescente do Brasil pode contaminar várias áreas de negócios, ultrapassar as nossas fronteiras e atingir em cheio a nossa reputação e o nosso crédito. O que era uma crise localizada ganha, assim, grandes dimensões, já pensou? Evidentemente que a busca por justiça é vital, bem como a punição de criminosos na esfera pública e privada, mas a avalanche de histeria coletiva não pode resultar em uma terra arrasada e em um mercado com milhões de desempregados.

O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino. A história do Brasil – um gigante na economia mundial – é feita pelos bons exemplos. Claro que o nacionalismo não pode ser o refúgio de canalhas de variadas espécies. Por isso, o remédio para uma nação ferida em seu imaginário é fortalecer sua metanarrativa de país e de grandeza histórica.

A Aberje defendeu essa proposta e conquistou corações e mentes reunidos na plateia.

#Metanarrativas #ComunicaçãoEmpresarial #BNDES #EncontroAberjeRio #Brasil #BlogDoGaulia #TalkTheWalk

18.02
Comunicação interna e a rádio corredor. Comunicação interna oficial é o remédio contra a maledicência.

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que... Leia mais

Norman Rockwell (1894-1978), "The Gossips," 1948. Painting for "The Saturday Evening Post" cover, March 6, 1948. Oil on canvas. Private collection. ©SEPS: Curtis Publishing, Indianapolis, IN

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que tagarelas de todos os naipes e cacifes cultivam e que em diferentes condições de temperatura e pressão podem proliferar sem qualquer controle.

Nas empresas esse hábito é conhecido como a famosa e perversa “rádio corredor”. Um vírus que solapa a confiança, atinge a produtividade, afeta a motivação e o engajamento e produz danos na reputação de lideranças e das próprias marcas. A rádio corredor é um veneno para o ambiente de trabalho. O remédio para essa praga é uma boa comunicação interna oficial: estruturada, frequente, criativa, digna de confiança e dessa forma bastante influente.

Quanto mais altos os índices de fofoca, mais forte é a influência da rádio corredor no clima de trabalho da empresa e na energia gasta em reuniões. Canais de comunicação bem estruturados com periodicidade definida e conteúdos relevantes são como uma vacina contra o germe da maledicência e bons programas de feedback e feedforward  são remédios eficazes para diminuir a audiência da rádio corredor. Mas não bastam. O melhor antídoto contra a maledicência é a palavra do líder e a credibilidade de seus atos que podem contaminar para o bem toda a organização. O líder de equipes e o líder de líderes levam a rádio corredor a fechar suas estações de transmissão espalhadas desde a área do cafezinho até as redes sociais e seu ilimitado poder viral. A guerra de influência e as batalhas diárias contra a maledicência podem ser vencidas com coerência de discurso, bons exemplos, comprometimento e respeito.

Desvalorizar os outros, denegrir a missão e desqualificar decisões tomadas nas salas de reunião logo após a porta dos corredores se abir é coisa de gente desengajada e problemática. Todos nós conhecemos o ditado que diz que basta uma maça podre para estragar todo o cesto de frutas. É verdade. Por isso, diante de um boato, diante de um mexeriqueiro de plantão ou diante de um fruto podre redobre sua atenção e sua tentação. Perceba suas emoções antes de entrar no jogo neurótico do fofoqueiro. Escute, mas não opine. Escute, mas não passe nada adiante. Lembre-se: nunca fale de uma pessoa, fale com a pessoa e se possível, tente auxiliar quem transmitiu a fofoca a interromper seu falatório.

Imagem: Norman Rockwell (1894-1978), “The Gossips,” 1948.  

Luiz Antônio Gaulia

Luiz Antônio Gaulia

Jornalista. Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio. Especialista em Comunicação Empresarial pela Syracuse University/Aberje. Pós-graduado em Marketing e em Comunicação Jornalística. Ex-Gerente de Comunicação da CSN - Cia. Siderúrgica Nacional e da Alunorte (PA). Atuou também no O Boticário e no Grupo Votorantim. Realizou projetos de comunicação corporativa e sustentabilidade para a VALE, a Light, Petrobras e Ajinomoto. Foi Gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Estácio, companhia na qual também foi o responsável pela comunicação com os empregados. Consultor e professor, escreve para a Aberje, a PLURALE e no Blog do Gaulia.