24.04
Blog do Presidente. O sucesso de um modelo depende do estilo do líder e da cultura organizacional.

Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de... Leia mais

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Os blogs se multiplicaram e proliferaram em número de páginas e conteúdos graças à facilidade tecnológica. Percebidos como um diário virtual e um espaço pessoal para a publicação de opiniões sobre determinados temas específicos, os blogs surgem e morrem como um…espasmo. Cada CEO tem seu jeito de liderar e pode utilizar ou não esse formato para ampliar sua comunicação com a sociedade ou simplesmente ter um foco voltado exclusivamente para os empregados. O fato é que a proposta continua atual, mas o sucesso de um modelo depende do estilo do líder do momento e da cultura da organização.

Os blogs ajudam a costurar vínculos, formar opiniões e são fáceis de serem monitorados. A opinião aberta e direta de um presidente esclarece e direciona a empresa, influencia a cultura, acalma ânimos e tranquiliza as pessoas. Sua dinâmica de compartilhamento de ideias e conhecimentos em tempos de bonança ou de prestação de contas e esclarecimentos em momentos de crise (verdadeiras oportunidades para a criação de novas práticas de comunicação) deveria ser utilizada de forma planejada, dentro de uma proposta mais ampla de transparência e construção de relacionamentos com determinados stakeholders – o que pode ser feito a partir da escolha de temas específicos. Os blogs corporativos escritos diretamente pelo CEO ou em formatos coletivos divididos em publicações pelo conjunto de membros do diretoria não funcionam isolados do mix de comunicação integrada, interna e externa.

Blogs ou microblogs precisam fazer parte de uma linha estratégica coerente com outras ações e também estarem alinhados com a identidade da marca, o segmento de atuação e do negócio, os objetivos de comunicação e as metas almejadas pela empresa. O pior dos mundos é sempre o de ir olhar a concorrência para copiar as soluções dos outros. O que pode dar certo num ambiente corporativo pode dar errado em outro e o benchmarking não traz garantia nenhuma, apenas informações para serem analisadas. O sucesso de um modelo numa determinada companhia não é sinônimo de êxito em outra. O mais importante é pensar estrategicamente a comunicação. O CEO e os leitores agradecem!

30.03
Uma narrativa para a marca Brasil. O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino.

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”.... Leia mais

aberje bndes

O 76o Encontro ABERJE trouxe, no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro, na manhã do último dia 28 de abril, ricos debates sobre gestão de crise de imagem e também sobre a marca“Brasil”. Confesso que fiquei positivamente influenciado e, por isso, peço licença para escrever aqui no blog este texto que, a princípio, pouco tem a ver com o tema da comunicação interna, assunto das minhas permanentes publicações.

A imagem do Brasil como país emergente e um dos líderes do agronegócio mundial teve mais do que arranhões com a crise provocada pelas denúncias da Operação Carne Fraca. A divulgação atrapalhada das investigações policiais e a omissão de lideranças empresariais do setor estão retirando valor da marca “Brasil”. Quem perde com essa subtração? Todos nós brasileiros, com certeza.

As micronarrativas de cada novo escândalo e seus desdobramentos nas mídias digitais – muitas vezes redes de gritaria contra tudo e contra todos -, bem como a força das manchetes da grande imprensa derrubam a reputação de empresas envolvidas e por tabela de toda uma próspera cadeia produtiva. O orgulho de ser brasileiro se esvai pelo ralo da vergonha. Meu Deus, o que queremos ser como país? Nesse tiroteio, são os nossos concorrentes na América, na Europa e na Ásia que aplaudem. Seus produtos e suas marcas podem ganhar mercados e nossas conquistas globais podem perder terreno precioso no comércio internacional. Se uma empresa que desconhece a sua missão já tem problemas, imaginem um país inteiro que não sabe o que quer e tropeça nas próprias pernas, deixando campo livre para potências concorrentes?!

Uma percepção negativa crescente do Brasil pode contaminar várias áreas de negócios, ultrapassar as nossas fronteiras e atingir em cheio a nossa reputação e o nosso crédito. O que era uma crise localizada ganha, assim, grandes dimensões, já pensou? Evidentemente que a busca por justiça é vital, bem como a punição de criminosos na esfera pública e privada, mas a avalanche de histeria coletiva não pode resultar em uma terra arrasada e em um mercado com milhões de desempregados.

O enredo das crises pontuais não pode produzir dúvidas sobre o nosso destino. A história do Brasil – um gigante na economia mundial – é feita pelos bons exemplos. Claro que o nacionalismo não pode ser o refúgio de canalhas de variadas espécies. Por isso, o remédio para uma nação ferida em seu imaginário é fortalecer sua metanarrativa de país e de grandeza histórica.

A Aberje defendeu essa proposta e conquistou corações e mentes reunidos na plateia.

#Metanarrativas #ComunicaçãoEmpresarial #BNDES #EncontroAberjeRio #Brasil #BlogDoGaulia #TalkTheWalk

18.02
Comunicação interna e a rádio corredor. Comunicação interna oficial é o remédio contra a maledicência.

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que... Leia mais

Norman Rockwell (1894-1978), "The Gossips," 1948. Painting for "The Saturday Evening Post" cover, March 6, 1948. Oil on canvas. Private collection. ©SEPS: Curtis Publishing, Indianapolis, IN

A maledicência faz parte da nossa história. Mexericos, fofocas e intrigas ocorreram nos reinos mais poderosos e também nos vilarejos mais miseráveis. A fofoca é um hábito nocivo que tagarelas de todos os naipes e cacifes cultivam e que em diferentes condições de temperatura e pressão podem proliferar sem qualquer controle.

Nas empresas esse hábito é conhecido como a famosa e perversa “rádio corredor”. Um vírus que solapa a confiança, atinge a produtividade, afeta a motivação e o engajamento e produz danos na reputação de lideranças e das próprias marcas. A rádio corredor é um veneno para o ambiente de trabalho. O remédio para essa praga é uma boa comunicação interna oficial: estruturada, frequente, criativa, digna de confiança e dessa forma bastante influente.

Quanto mais altos os índices de fofoca, mais forte é a influência da rádio corredor no clima de trabalho da empresa e na energia gasta em reuniões. Canais de comunicação bem estruturados com periodicidade definida e conteúdos relevantes são como uma vacina contra o germe da maledicência e bons programas de feedback e feedforward  são remédios eficazes para diminuir a audiência da rádio corredor. Mas não bastam. O melhor antídoto contra a maledicência é a palavra do líder e a credibilidade de seus atos que podem contaminar para o bem toda a organização. O líder de equipes e o líder de líderes levam a rádio corredor a fechar suas estações de transmissão espalhadas desde a área do cafezinho até as redes sociais e seu ilimitado poder viral. A guerra de influência e as batalhas diárias contra a maledicência podem ser vencidas com coerência de discurso, bons exemplos, comprometimento e respeito.

Desvalorizar os outros, denegrir a missão e desqualificar decisões tomadas nas salas de reunião logo após a porta dos corredores se abir é coisa de gente desengajada e problemática. Todos nós conhecemos o ditado que diz que basta uma maça podre para estragar todo o cesto de frutas. É verdade. Por isso, diante de um boato, diante de um mexeriqueiro de plantão ou diante de um fruto podre redobre sua atenção e sua tentação. Perceba suas emoções antes de entrar no jogo neurótico do fofoqueiro. Escute, mas não opine. Escute, mas não passe nada adiante. Lembre-se: nunca fale de uma pessoa, fale com a pessoa e se possível, tente auxiliar quem transmitiu a fofoca a interromper seu falatório.

Imagem: Norman Rockwell (1894-1978), “The Gossips,” 1948.  

16.02
Comunicação interna. Do que estamos falando? Informar sem ter nada para dizer é perda de tempo.

A comunicação interna como ferramenta de gestão continua sendo a pedra no sapato de uma grande maioria de chefes, diretores e gerentes.  Informar nunca foi comunicar. Claro que ficar sabendo... Leia mais

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A comunicação interna como ferramenta de gestão continua sendo a pedra no sapato de uma grande maioria de chefes, diretores e gerentes.  Informar nunca foi comunicar. Claro que ficar sabendo qual será o cardápio da semana no restaurante da fábrica é uma informação valiosa para a hora sagrada do almoço, mas isso nunca será o suficiente para fazer as coisas andarem de fato ou as pessoas se sentirem parte do time, respeitadas, reconhecidas. Publicar notícias cujo vocabulário vem carregado de jargões repetitivos e conteúdo distante da realidade dos burburinhos dos corredores e das pessoas que trabalham na empresa é pura perda de tempo, além de pura chatice. Se a sua notícia chapa branca tivesse que ser vendida numa banca de jornais quem iria comprar? Entendo perfeitamente que a liderança precisa passar suas instruções e diretrizes, cobrar as metas, dar ordens administrativas sempre necessárias para fazerem funcionar a empresa “como um verdadeiro relógio” mas que tal evitar aquele tom doutrinário, distante, mecânico e o discurso de vendedor chato? Que tal fazer uma propaganda interna mais inteligente e criativa para embalar aquele feijão com arroz de forma a não só informar, mas entreter, abrir espaços reais para uma comunicação de mão múltipla com o empregado e perceber que seja qual for a mídia usada, o mais importante não são as palavras mas a conversa, a história contada, os bons exemplos e as narrativas calorosas, humanizadas. Chega de rodar a comunicação interna num piloto automático e disparar informativos robotizados que agradam ao alto escalão mas não convencem as pessoas. Saia do canal corporate e roube a audiência da rádio corredor.

Comunicação interna que interessa. Interessa? Deixe as matrículas e as fotos dos crachás de lado, conte as histórias verdadeiras e cheias de emoção das pessoas de carne e osso. Que tal fazer a comunicação que interessa e dar voz e também ouvidos aos empregados?  Sei que muitos gestores fingem defender essa máxima, mas na prática são uns caras de pau, quando não verdadeiros Pinóquios. Informar sem ter nada para dizer é mais do que perda de tempo e gasto de energia. É lenha na fogueira da comédia organizacional, combustível para o sarcasmo, tiro no pé da motivação. A pergunta que não quer calar: de qual comunicação interna nós estamos falando?

Você já sabe a resposta.

26.12
Desafios da sustentabilidade em 2017. Sustentabilidade enquanto um valor organizacional será a maior vantagem competitiva das empresas.

Um dos grandes desafios organizacionais para 2017 continuará sendo a sustentabilidade. Eu não estou simplesmente falando do entendimento do termo, que já é bastante difícil para muita gente... Leia mais

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Um dos grandes desafios organizacionais para 2017 continuará sendo a sustentabilidade. Eu não estou simplesmente falando do entendimento do termo, que já é bastante difícil para muita gente pois cada um tem uma ideia na cabeça e a mídia nem sempre explica do que trata exatamente essa tal sustentabilidade, mas para além disso, a sustentabilidade enquanto prática diária entre os colaboradores e seu trabalho. O problema imediato é a atenção dos empregados para a sustentabilidade enquanto uma atitude rotineira e inserida de forma transversal no dia a dia de cada área. Entendo que muitas das metas e objetivos específicos de cada departamento se distanciam da sustentabilidade por não considerarem esse tema como sendo de sua responsabilidade ou aparentemente estarem distantes de seu dia a dia.
Questões ligadas a sustentabilidade ambiental, por exemplo, parecem distantes do pessoal da área comercial em suas visitas aos clientes e na sua busca por mais pedidos e vendas. As diretorias jurídicas, um outro exemplo, podem não perceber que temas ligados à ética, transparência e direitos humanos estão inseridas não só dentro da organização como também na cadeia de valor e impactam profundamente suas atividades profissionais sendo temas vitais da sustentabilidade. No mundo ideal, todas as áreas de uma organização deveriam enxergar suas responsabilidades para com a sustentabilidade. Mas se diferentes equipes podem se perceber mais ou menos ligadas ao tema do que outras, como resolver essa questão?
É hora de simplificar as coisas.
Muitas empresas têm mania de dificultar processos, rotinas, fluxos. Talvez por receio de perder o controle e o poder muitos gestores sobem muros e estimulam feudos dentro da organização. Vamos simplificar! Um primeiro passo no meu entender é definir de forma simples e prática o significado do tema da sustentabilidade para que todas as pessoas na organização saibam do que se trata e como podem contribuir. Simplificar as coisas é um desafio dos gestores e também dos comunicadores. Traduzir o jargão embolado dos tecnicismos para o universo cotidiano deveria ser uma premissa de trabalho dos comunicadores organizacionais. Sempre lembrando que cada empresa em seu nicho de mercado pode ter foco maior ou menor em diferentes dimensões da sustentabilidade, uma definição mais ampla e abrangente facilita a comunicação interna e a disseminação das boas práticas individuais.

 

Num segundo momento, a definição do que no jargão das consultorias de sustentabilidade é a materialidade, ajuda a empresa a ter foco maior ou menor num determinado item ambiental ou em questões sociais específicas. Sabemos que as empresas já estão sobrecarregadas de impostos, taxas e regulações que se tornam um emaranhado burocrático penoso ao funcionamento do negócio.
Por isso, as questões econômicas e financeiras continuarão com peso maior nas decisões tendo o cuidado de se considerar não só a perenidade do negócio no tempo e as suas margens de lucro, mas o custo do capital investido, por exemplo, de forma ambientalmente responsável para que passivos ou acidentes ambientais não inviabilizem a continuidade das operações ou causem tragédias sociais sem precedentes. A BP viveu isso no Golfo do México e a Samarco continua sendo cobrada pelos seus erros. A Odebrecht também vive uma crise de sustentabilidade.
Sustentabilidade enquanto valor organizacional.

Se a sustentabilidade for inserida nos valores da organização, outro desafio será fazer com que os colaboradores integrem as considerações sociais e ambientais em seus hábitos e comportamentos. Uma cultura baseada em valores e na sustentabilidade não se consolida com quadros emoldurados nas paredes ou totens com os valores espalhados pelos corredores. Por mais que essas peças de comunicação interna sejam vitais, elas sozinhas não bastarão para fazer as coisas acontecerem de fato. O fosso entre discurso e prática deve ser preenchido com bons exemplos e as lideranças ao invés de emitir ordens e mensagens em vias de mão única, devem buscar as qualidades e as virtudes que já existam nas pessoas, nos profissionais contratados. É por isso que programas de estágio e de trainees possuem uma responsabilidade única na formação de profissionais por toda a sua vida.
Pensemos nos primeiros dias de trabalho de muita gente. Olhos abertos, ouvidos atentos e curiosidade total para aprender e fazer o melhor. Mas com o tempo, muitas organizações queimam essa vantagem da largada e seus sonolentos processos burocráticos e de comunicados distantes da realidade do dia a dia dos empregados transforma tudo em baile de máscaras. A sustentabilidade que era um ato de saber e querer cuidar, torna-se um lero lero sem fim e enfadonho que acaba por resultar num belo relatório anual que ninguém vai ler. Mas que deu um trabalhão! Estou mentindo? Precisamos vivenciar os valores e não apenas decorar trechos da missão, da visão…
Depois de uma certa idade e de experiências profissionais vividas em diferentes empresas, as pessoas terão maior dificuldade em mudar seus hábitos, seus comportamentos. Mas se a empresa apostou na contratação desses talentos, as lideranças devem facilitar e permitir que o melhor de cada pessoas possa florescer. A sustentabilidade enquanto um valor organizacional vai se alinhar de forma natural aos anseios dos bons profissionais, uma vez que através de um trabalho de comunicação interna permanente, contando as histórias e as boas ações das pessoas na organização, um ambiente mais aberto para que cada um demonstre seu talento pode ser criado. A inovação surge de ambientes assim e sustentabilidade nos exige inovar para resolvermos problemas que não tínhamos há alguns anos.
A maior vantagem competitiva.
Evidentemente que capacitações, treinamentos e a disseminação de conhecimento formarão a base para que as pessoas percebam como contribuir individualmente na grande visão geral dos objetivos e estratégias de sustentabilidade da empresa.Orientar os empregados desde a sua chegada, day one, na fábrica, no escritório da unidade, na loja, na usina, no campo de colheita, na mineração e também na holding é potencializar a descoberta de como os interesses e as virtudes de cada pessoa podem ficar integrados aos objetivos da organização. Reforço mútuo, potencial e performance ampliada.
Se o desafio de 2017 é o de fazer a sustentabilidade acontecer de fato, a maior vantagem competitiva das empresas não está naquela última ferramenta eletrônica ou equipamento operacional que o concorrente também vai comprar. A maior vantagem de uma empresa vitoriosa, de uma marca admirável será a inteligência das suas pessoas. Pessoas comuns realizando feitos extraordinários!

04.12
Tendências da comunicação interna para 2017. A comunicação com os empregados continuará sendo uma poderosa ferramenta de gestão. upsers

Facilidades tecnológicas cada vez mais acessíveis em termos de custo e simples em termos de utilização prática continuarão em alta no ano 2017. Esta não é nenhuma grande novidade para o... Leia mais

Facilidades tecnológicas cada vez mais acessíveis em termos de custo e simples em termos de utilização prática continuarão em alta no ano 2017. Esta não é nenhuma grande novidade para o universo da comunicação empresarial. Entretanto, algumas considerações são necessárias diante desse universo fabuloso que invade os territórios corporativos, quase que obrigando hierarquias inteiras a se reorganizarem para dar conta de tendências aparentemente avassaladoras.

O que podemos esperar para a comunicação interna no ano de 2017?

Primeiramente, eu apostaria num crescente uso de imagens e vídeos e uma redução cada vez maior de textos longos e informativos insossos. A agilidade do digital demanda formatos e linguagens capazes de passar recados de forma instantânea e é preciso comunicar em 140 caracteres recheados de apelos visuais. Chega de chatice.

Os games também são outra linguagem que vai  proliferar, podem apostar. A mobilidade dos dispositivos e a potencialidade dos Apps facilitam o acesso de empregados aos sites corporativos e o recebimento de links, pesquisas, comunicados e mini games cuja interatividade pode não só informar, mas também educar e engajar os empregados.

Infelizmente, nem sempre as organizações publicarão mensagens bem humoradas. Se a velocidade já está na pauta de algumas lideranças quando se fala em comunicação interna, o bom humor ainda não entrou nessa história. Mas a criatividade não tem limites e publicitários podem ajudar nessa tarefa de transformar de vez os comunicados frios em peças vendedoras!

Outra tendência que considero sempre importante e insubstituível  para fazer as coisas funcionarem. Rodas de diálogo do tipo “Café com o Presidente” vão continuar em alta. As empresas vão descobrindo por pressão cada vez maior da sociedade e das crises que são e serão sempre empresas de comunicação e essa espiral começa pelo diálogo entre lideranças e times de trabalho. Gestores que ainda têm dificuldade de conversar precisam do apoio e do trabalho dos comunicadores empresariais para ganhar confiança e encarar as emoções envolvidas num diálogo face a face, desde um simples “obrigado pelo trabalho bem feito” até uma demissão.

Apesar de nenhum futuro gestor ser ensinado ou orientado nas faculdades de administração sobre como encarar uma conversa olho no olho, lidando com suas próprias emoções e a emoção do seu interlocutor, a comunicação enquanto ferramenta de gestão começa por saber dialogar. Nenhuma tecnologia vai poder substituir esse contato humano presencial cujas reações, anseios, linguagem corporal e afetos são sempre um grande desafio.

 

 

 

06.11
A reinvenção do agora. A velocidade tecnológica ultrapassou a própria realidade.

A cada dia que passa vemos a ficção se tornar realidade. A imaginação tomou o poder e, com ele, as rédeas do futuro. Quem leu Jules Verne na juventude sabe do que estou falando. O célebre... Leia mais

A cada dia que passa vemos a ficção se tornar realidade. A imaginação tomou o poder e, com ele, as rédeas do futuro. Quem leu Jules Verne na juventude sabe do que estou falando. O célebre escritor francês cujos romances descreviam inovações e conquistas humanas aparentemente impossíveis para o século XIX, instigava a imaginação de seus leitores. Hoje, entretanto, obras como “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “A Volta ao Mundo em 80 dias” parecem aventuras sem lógica, porque submarinos e balões deixaram de causar espanto e jatos podem cruzar o mundo em pouco mais de uma hora.  Além disso, temos hoje uma geração inteira nascida e criada sob efeito da avassaladora sedução das mídias, da web, da tecnologia fácil, disponível para cada vez mais pessoas e capaz de reduzir distâncias e comprimir o tempo.

Em “A Ilha de Hélice”, Julio Verne criou uma cidade flutuante movida pela eletricidade e descreveu livros iconográficos, além de falar sobre transmissão de dados e informações, vozes e imagens. Visionário, ele imaginou, sem saber, a internet . Mesmo sendo genial para a sua época, atualmente, o escritor parece totalmente ultrapassado para os nascidos sob o signo da virtualidade e do digital.

Vivemos numa aceleração permanente. O dia continua tendo 24 horas, mas parece cada vez mais curto. Alguns números nos facilitam a compreensão dessa revolução digital, que chamei de a reinvenção do “agora”, no título acima. Uma pesquisa feita pelo Facebook mostrou que 3,2 bilhões de pessoas no mundo estão conectadas à internet. O iPhone – que não existia em 2007 – já vendeu mais de 1 bilhão de aparelhos no mundo, assim como o WhatsApp que ultrapassou o primeiro bilhão de usuários em fevereiro de 2016. Mark Zuckerberg disse recentemente que sua empresa vai atingir 5 bilhões de pessoas até o ano de 2030. São 400 milhões de pessoas no Instagram e mais de 300 no Twitter.

Nosso entendimento do que é a realidade e a própria noção de tempo está sendo revista, ampliada, alterada a cada dia. “A velocidade ultrapassou o tempo da realidade, o nosso tempo vivido” (“Ctrl+Art+Del: Distúrbios em Arte e Tecnologia, 2010). Empresas e profissionais, estudantes e instituições, governos e mercados que não compreenderem o impacto dessa aceleração já estão perdendo espaço, oportunidades, influência e, até mesmo, sua reputação. O agora tornou-se uma espécie de ditadura; exige atenção, respostas, medidas rápidas, instantâneas. Interagir  nessa rede impaciente demanda uma agilidade quase impossível para as relações humanas. Tudo leva a crer que o algoritmo vai substituir cada vez mais o diálogo por conversas robotizadas. Será?

O novo agora diluiu os limites do tempo e do espaço e antecipa o futuro a cada novo milésimo de segundo; a cada novo hashtag circulando o mundo.  Ele já nos define o que está por vir, aponta para tendências e potencialidades, assim como para modelos de controle social, industrial e cultural que o próprio Jules Verne poderia sequer imaginar em seus devaneios literários.

05.10
Como planejar a comunicação para a sustentabilidade? Grandes negócios são como viagens cuja estrada deve nos levar ao sucesso do negócio.

Planejar é um ato criativo e assim deve ser encarado. Planejar não é implantar um trilho, mas é fundar estações que nos levarão ao destino final. O objetivo é completar a viagem no prazo... Leia mais

Planejar é um ato criativo e assim deve ser encarado. Planejar não é implantar um trilho, mas é fundar estações que nos levarão ao destino final. O objetivo é completar a viagem no prazo previsto, com qualidade e sem (muitos) tropeços pelo caminho. O plano precisa ter flexibilidade para considerar os “retornos” durante a jornada. Saber voltar e recomeçar, sem se fixar na culpa deste ou daquele setor, pois superar adversidades faz parte da jornada. Grandes negócios são como viagens cuja estrada deve nos levar  ao sucesso do negócio, no longo prazo.

Na comunicação também é assim quando pensamos na sustentabilidade enquanto um aprendizado permanente da organização. Precisamos não só traçar criativamente nossas ações, num determinado período de tempo, como devemos ressaltar as oportunidades de comunicação em cada ponto de contato e experiência com a marca.  Comunicação como ferramenta de gestão, mas também de educação para a sustentabilidade organizacional. Pense nisso!

Nenhuma empresa ou negócio neste nosso mundo pode dizer que seja sustentável. Ela pode estar momentaneamente sustentável, pois soube fazer seu dever de casa e evitar riscos, bem como estabelecer ganhos de eco eficiência. Mas sustentabilidade vai sempre além! Demanda uma visão holística e também demanda inovação, como o horizonte que fica sempre mais distante mesmo que tenhamos feito uma exaustiva caminhada.  Neste cenário, considerar o que pode dar errado  deve fazer parte do roteiro de nossa viagem. Portanto, o planejamento da comunicação deve considerar não somente as peças e os veículos usados, mas  ser criativo o suficiente para superar os limites dos orçamentos e outros obstáculos que apareçam durante o percurso.

Como planejar a comunicação para a sustentabilidade?

O plano de comunicação para a sustentabilidade deve ser pensado como um canal  “multistakeholder”, considerando temas sensíveis, cenários de crise e ainda datas de celebração. Afinal, boas notícias devem ser comemoradas por todos que trabalham na empresa! Resgatar a memória dos acertos e dos erros, aprender com os tropeços dos outros, estudando casos de crises de outras empresas, mesmo que sejam de outros segmentos de atuação é parte do trabalho de planejamento. O plano deve considerar a complexidade dos cenários atuais cada vez mais reativos ao estilo de “comando e controle” e trabalhar modelos autônomos, como é a lógica das redes.

Ou seja, planejar a comunicação para a sustentabilidade é abrir portas e janelas para públicos muitas vezes não percebidos como essenciais para o negócio. Perceber a força das mídias sociais e os riscos reputacionais em jogo nesse universo virtual. Saber ouvir, compreender as características de cada público e entender suas expectativas, muito mais do que apenas inserir num calendário a emissão de comunicados frios e distantes e o envio de informações sem alma ou calor humano.

Vamos lembrar: tudo comunica, tudo educa e tudo pode (des) motivar. Assim, o aprendizado é o combustível da viagem rumo à sustentabilidade. Ao longo do caminho ele deve ser completado, pois cada curva nova vai demandar novas habilidades e competências.  Nos produtos, nos processos, serviços e nas oportunidades futuras que vão gerar uma singularidade valiosa para a marca. Um perenidade  resultante da busca pela excelência e cuja comunicação eficiente celebrou virtudes, gerando admiração. Virtudes monitoradas por indicadores confiáveis, evidentemente. Por isso, vamos sempre perguntar: nossos objetivos de comunicação estão sendo alcançados?

Neste mundo cada vez mais sem segredos, cuja transparência e agilidade de opiniões e comentários mobilizam milhares de pessoas em poucos segundos, o planejamento da sustentabilidade da empresa deve vir calibrado por uma comunicação igualmente responsável nas suas promessas e nas suas atitudes.

24.09
Clima de trabalho e comunicação interna. A energia dos colegas de trabalho é contagiosa.

Você já entrou em empresas cujo "astral" estava para baixo? Já sentiu arrepios ao entrar em salas de reuniões? Teve dor de cabeça logo após um almoço no área de convivência do escritório?... Leia mais

Você já entrou em empresas cujo “astral” estava para baixo? Já sentiu arrepios ao entrar em salas de reuniões? Teve dor de cabeça logo após um almoço no área de convivência do escritório? Pois é, o tal clima de trabalho não é apenas uma lista de questões construída por alguma consultoria especializada para confirmar se o ambiente de trabalho é bom ou ruim. O clima de trabalho é feito principalmente pela ENERGIA das pessoas, de seus companheiros de trabalho, dos chefes e dessa interação diária permanente.

Nessa análise aparentemente esotérica, cujas tabelas de Excell não vão conseguir monitorar nem medir, podemos ter a certeza de que a energia positiva ou negativa das pessoas no local de trabalho podem afetar profundamente a qualidade dos relacionamentos. O clima de trabalho fica impregnado pela energia das pessoas e nosso trabalho, nossa produtividade também é influenciada para o bem ou para o mal  por essa energia. Os sentimentos que as pessoas experimentam impactam no conjunto geral do trabalho. Somos energia em movimento e nós nem precisamos falar para transmitir essa energia para os outros. Gestos e olhares estão carregados de sentimentos e energias que se espalham pelo ar. Empresas que trabalham com situações de risco sabem muito bem disso e nas suas unidades industriais praticam, a cada troca de turno, encontros rápidos entre as equipes para saberem como os operadores estão se sentindo e assim identificar quem está com algum problema a fim de detectar se este sentimento pode afetar a segurança individual ou do grupo durante o trabalho.

Dois tipos negativos.

A energia humana contamina o clima de trabalho e  para o universo dos comunicadores existem dois tipos perniciosos de empregados que podem afetar diretamente o moral de toda a tropa. Um desses tipos que habitam as organizações (e nas nossas vidas privadas, com certeza) é aquela pessoa literalmente “tóxica” cujas más intenções são como uma metralhadora atirando principalmente naqueles que têm brilho próprio. De acordo com a psicóloga Patricia Ramírez: “É preciso se afastar radicalmente desse tipo de pessoas que vivem constantemente tomadas pela raiva, como se o mundo lhes devesse alguma coisa. Não suportam que os outros tenham êxito ou tenham força de vontade”.

Outro tipo extremamente pernicioso para o ambiente de trabalho é o fofoqueiro profissional, geralmente um reclamão incorrigível. Sei que todos nós temos um pouco dessa característica, mas é o limite das coisas que faz toda a diferença. O tipo “fofoqueiro do mal” é antes de tudo um falso colega de trabalho. Ele é desonesto nos seus comentários e extremamente invejoso. Com esse tipo devemos seguir uma regra valiosa, cortando o mal pela raiz. Assim que essa pessoa surgir pelos corredores ou no cafézinho com sua língua venenosa, não podemos deixar que esse tipo julgue ou ofenda outras pessoas que não estejam presentes na conversa. Lembre-se que você vai ser a próxima vítima desse mesmo fofoqueiro, um elo desagregador e negativo dentro da empresa.

O que o comunicador interno pode fazer?

A energia das pessoas pode mover montanhas ou construir barreiras intransponíveis. Pode realizar feitos extraordinários ou pelo contrário, derrubar um time inteiro de estrelas. Se o nosso entusiasmo pode ser  uma alavanca para o sucesso, o empreendedorismo, a iniciativa e a inovação, não podemos deixar que a energia tóxica de certas pessoas nos afetem. As maçãs podres devem ser eliminadas da cesta. Mas como a comunicação interna pode ajudar a reduzir o impacto negativo dessas pessoas?

Uma sugestão é criar eventos capazes de promover a energia positiva entre a equipe. Encontros mensais com palestrantes que falem sobre motivação, empatia, trabalho em equipe etc. Que tal aproveitar os bons exemplos das Olimpíadas, com tantas histórias vitoriosas de times medalhistas que souberam usar a energia coletiva em prol de grandes conquistas. Outra ação: palestras da própria equipe de CI sobre comunicação face a face, diálogofeedback e conversas produtivas. Que tal o grupo de comunicação ser uma espécie de coach de gestores e dos demais colaboradores? Programas permanentes de comunicação face a face têm o mérito de capacitar as pessoas a não se tornarem vítimas dos fofoqueiros e também tornar a organização um lugar mais saudável, no qual a energia das pessoas seja o motor da superação e do sucesso. Evidentemente, as lideranças devem dar bons exemplos nessa linha de trabalho, mas o comportamento pessoal de cada empregado é decisivo para mudar o astral dentro da empresa.

Todas as nossas ações e as nossas palavras afetam a energia e o clima de trabalho na empresa. Somos todos comunicadores fazendo parte do círculo vicioso das fofocas negativas ou, escolha nossa, fazendo  parte da rede do bem, da motivação e do alto astral no ambiente de trabalho.

08.09
Redes sociais e gestão de riscos. Seus empregados sabem como defender sua marca?

A sedução das mídias sociais é avassaladora. Muitos profissionais navegam e compartilham fatos, dados, fotos e opiniões nesse universo, participando de diferentes comunidades e redes, assim como... Leia mais

A sedução das mídias sociais é avassaladora. Muitos profissionais navegam e compartilham fatos, dados, fotos e opiniões nesse universo, participando de diferentes comunidades e redes, assim como muitas empresas e suas marcas de diferentes serviços e produtos. Para os gestores de verbas curtas e diante de budgets enxutos, o universo das redes sociais parece campo perfeito para gerar resultados no curto prazo, alavancar vendas e ativar potenciais consumidores. O fato é que muitas cabeças ainda pensam de forma totalmente analógica sem perceber que a dinâmica interativa é outra. Principalmente quando o modelo mental carrega a falsa ideia de garantir o controle de mensagens.

A web é um ambiente em expansão que cresce em milhares de terabytes de informação, conexão e de múltiplas percepções disponíveis. Para o comunicador empresarial dedicado a defender a reputação da empresa e da marca para qual trabalha, o desafio é completo. Este universo nunca dorme e palpita 24 horas, sete dias por semana sem descanso nos domingos ou nos feriados.

Gerenciar as redes sociais de uma organização demanda estratégia, ou seja, saber exatamente o que a empresa pensa fazer ao participar de uma rede social e como essa interatividade se alinha ao planejamento de comunicação institucional e ao plano de marketing. Demanda ainda o monitoramento permanente de discussões e de trending topics além de timing correto e muita sensibilidade ao conversar com as pessoas nesses ambientes. Vamos lembrar sempre que nas redes sociais estamos nos relacionando com clientes, admiradores, prospects, ex-clientes magoados com alguma quebra de promessa ou insatisfeitos com erros, governo, imprensa, professores fazendo pesquisas, empregados e concorrentes numa vasta galeria de stakeholders que muitas vezes misturam seus perfis pois um jornalista pode, por exemplo, ser um cliente feliz com a marca ou ser um ex-consumidor insatisfeito. Portanto, atenção gestores. Para todos que desejam blindar suas marcas contra crises e buscam controlar as opiniões e as percepções, lembro que as crises acontecem no mundo real, no off line, mas é nas redes sociais, no on line, all the time, que a batalha pela influência acontece. Muitas vezes sem regras, sem limites. Isto assusta, mas é o mercado funcionando em alto e bom som, com fofoca, gritaria e muita paixão pelas marcas.

Assim, quando e se a crise chegar esteja com seu time de comunicação pronto para o bom combate e seus empregados sabendo como defender sua marca, sua reputação e o futuro da empresa diante de uma opinião pública que desconhece fronteiras quando o assunto é falar bem ou mal de você. Então, deu para perceber que a gestão dos riscos de reputação nas redes sociais é uma valiosa oportunidade para quem estiver com os radares ligados?

Luiz Antônio Gaulia

Luiz Antônio Gaulia

Luiz Antônio Gaulia

Jornalista. Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio. Especialista em Comunicação Empresarial pela Syracuse University/Aberje. Pós-graduado em Marketing e em Comunicação Jornalística. Ex-Gerente de Comunicação da CSN - Cia. Siderúrgica Nacional e da Alunorte (PA). Atuou também no O Boticário e no Grupo Votorantim. Realizou projetos de comunicação corporativa e sustentabilidade para a VALE, a Light, Petrobras e Ajinomoto. Foi Gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Estácio, companhia na qual também foi o responsável pela comunicação com os empregados. Consultor e professor, escreve para a Aberje, a PLURALE e no Blog do Gaulia.