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Pesquisa mapeia corporações signatárias da Rede Brasil do Pacto Global Conheça o perfil das corporações brasileiras que aderiram ao Pacto Global e entenda o poder da comunicação para criar uma cultura de paz

Por Marcos Cardinalli

Estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP – Bauru/SP) mostra comprometimento das empresas brasileiras com o Pacto Global nos últimos anos. A pesquisa foi apresentada em setembro de 2019 durante o Congresso Latinoamericano de Estudos para a Paz, que, neste ano, ocorreu na cidade de São Paulo.

Pacto Global e os estudos para a paz

Nos últimos anos, ganharam forças movimentos globais que orientam e sensibilizam as sociedades para uma cultura de paz, como o Pacto Global das Nações Unidas, objeto de estudo dos pesquisadores.

Criado no ano 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Pacto Global visa engajar empresas privadas, públicas e do terceiro setor em um compromisso público de alinhar suas ações com o desenvolvimento sustentável, favorecendo uma cultura de paz.

De acordo com os estudiosos, mais que a busca por um selo de alinhamento ético global, as empresas e instituições que aderem ao Pacto Global da ONU estão comunicando algo à sociedade brasileira.

Com seu poder de influência, as corporações pautam a opinião pública com temas da Agenda 2030 e assumem compromissos públicos de combate à violência. Por isso, analisar esse movimento e o perfil das instituições torna-se totalmente relevante para compreender o papel que essas corporações têm na promoção de uma sociedade voltada para a paz.

Para os autores da pesquisa, os Estudos para a Paz – ou Peace Studies – estão alinhados com o propósito do Pacto Global, uma vez que favorecem uma perspectiva teórica e prática cujo objetivo é atingir a “paz positiva”, que segundo os pesquisadores é a eliminação da violência estrutural e cultural. A partir disso, torna-se estratégico repensar as formas de comunicação para romper com a cultura de violência, e as instituições têm importante papel nesse objetivo.

Os resultados da pesquisa

Em maio de 2019, a Rede Brasil do Pacto Global informou que 838 organizações brasileiras, sendo elas empresas públicas, privadas ou do terceiro setor, aderiram ao movimento. Segundo Raquel Cabral, professora responsável pela pesquisa, foram mapeadas todas essas organizações, segmentando-as por setor, segmento, tamanho ou porte, número de funcionários, e ano de adesão ao Pacto Global, com o objetivo de identificar tendências na adesão e comprometimento com as diretrizes do movimento.

O mapeamento constatou que, das organizações signatárias da Rede Brasil do Pacto Global, aproximadamente 13,4% pertencem ao primeiro setor, 62,3% ao segundo setor e 24% ao terceiro, o que demonstra relevante participação da iniciativa privada. Das 838 organizações signatárias, 522 são empresas privadas.

Já na segmentação por tamanho, a pesquisa revela que as instituições consideradas grandes – com mais de mil funcionários – são as que aparecem com maior frequência, estando mais inclinadas a seguir as diretrizes do Pacto Global.

Além disso, o estudo analisa a relação entre o ano de adesão das empresas e as ações de comunicação da Rede Brasil do Pacto Global para engajar novas signatárias. Embora o Pacto Global estivesse ativo no Brasil desde o ano de 2003, apenas em 2015, com a publicação da Agenda 2030, observou-se um grande salto nas adesões. Os anos de 2016 e 2018 foram os que apresentaram maior número de novas signatárias, datas nas quais foram lançadas campanhas de comunicação como a Cartilha Rede Brasil do Pacto Global e o guia “Integrando os ODS nos relatórios corporativos”. Em 2019, segundo os pesquisadores, observa-se uma grande articulação do movimento, principalmente com a realização de diversos eventos sobre a Agenda 2030.

Quantidade de adesões à Rede Brasil do Pacto Global por ano. Gráfico disponibilizado pelos pesquisadores consultados.,

“Reconhecemos que há uma mobilização relevante por parte do Pacto Global brasileiro que vem se intensificando nos últimos anos. Também observamos um movimento crescente de organizações que se tornaram signatárias. Suas motivações podem ser as mais variadas, contudo, é relevante identificar que se trata de um alinhamento global que tem pressionado as organizações do mundo todo a assumirem a responsabilidade pela implementação dos ODS”, afirmam.

A importância da comunicação organizacional

Ao aderirem ao Pacto Global, as corporações têm alinhado sua comunicação com as diretrizes do movimento, transmitindo mensagens e estabelecendo uma relação comunicacional com seus públicos de interesse.

Além dos esforços de comunicação do Pacto Global para engajar as instituições, os discursos produzidos pelas corporações signatárias, sejam pelos anúncios publicitários e declarações institucionais, por exemplo, conseguem pautar a opinião pública e fomentar o debate sobre os temas da Agenda 2030.

Nesse sentido, a comunicação para a paz, de acordo com os pesquisadores, pode oferecer diretrizes relevantes para a comunicação organizacional, uma vez que a gestão da comunicação requer competências de responsabilidade, ética e transparência, para favorecer uma comunicação que rompa com a cultura de violência.

Em breve, a pesquisa completa poderá ser consultada nos anais do evento. Para maiores informações, entrar em contato com a professora Raquel, pelo e-mail raquel.cabral@unesp.br

 

Marcos Cardinalli é jornalista e administrador, especializado em conteúdos sobre sustentabilidade e diversidade.  Atualmente, é coordenador de Comunicação na consultoria Ideia Sustentável e membro da Comissão de Engajamento e Comunicação da Rede Brasil do Pacto Global.

 


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