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Ativismo corporativo em 4 “Is” e Agenda 2030 Como mitigar os riscos do ativismo e promover desenvolvimento sustentável

Fim de ano chegando, retrospectivas a todo vapor, planejamentos para o próximo ano idem. Daqui a poucos dias estaremos em 2020, o que me leva a pensar que estamos a poucos suspiros de chegarmos em 2030, deadline estipulado pela ONU para que a gente alcance os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Temos ainda muito a fazer no combate à fome e às desigualdades, para a proteção das nossas florestas e águas, para o desenvolvimento sustentável de nossas cidades. Com tanto a ser feito, não adianta esperar apenas iniciativas do governo.

As empresas tem papel importante nas transformações sociais. Greta Thunberg (foto), por exemplo, é patrocinada por diversas pessoas jurídicas que adotam a causa das mudanças climáticas. Outros tantos são os exemplos de CEOs ativistas mundo afora, pedindo mais inclusão e diversidade.

Além de somar esforços efetivos para a construção de um mundo melhor, ser percebido como uma empresa que contribui para transformações sociais ajuda a criar lastro reputacional. Empresas que se envolvem genuinamente com causas tendem a ser percebidas como empresas com lucro ético, o que atrai acionistas, funcionários e consumidores preocupados em minimizar os impactos negativos gerados pelos negócios.

Apesar dos benefícios, as empresas redobram os cuidados antes de se envolver em causas e há aquelas que evitam todo e qualquer envolvimento. A razão? Crises sérias acontecem quando as empresas decidem se envolver com causas com as quais os stakeholders envolvidos não percebem legitimidade para a ação.

Se a sua empresa quer se envolver em alguma causa para ajudar no desenvolvimento sustentável do país, mas não sabe como mitigar os riscos para a reputação, deixo aqui um modelo que criei recentemente, que acredito ser simples e eficiente. Precisamos tratar o ativismo corporativo como uma jornada baseada em um processo de quatro is: identificar, idealizar, integrar e interagir. 

  • Identificando as causas com aderência ao negócio

Cada negócio tem as suas particularidades e é cobrado de forma diferente por parte de seus stakeholders. O primeiro passo para uma empresa começar a sua jornada de ativismo de maneira segura é identificar as causas que têm aderência ao negócio e quais as causas que a empresa têm legitimidade para se envolver.

  • Idealizando um futuro compartilhado

Engajamento só acontece quando as pessoas compartilham os mesmos objetivos. Portanto, após descobrir quais as causas que a empresa pode abraçar, ela precisa dialogar com os seus stakeholders sobre os benefícios que o envolvimento com determinada causa trará para todos os envolvidos, idealizando um futuro compartilhado. Esta etapa ajudará a traçar metas que a empresa e demais stakeholders devem atingir quando a jornada com causa em questão chegar ao fim.

  • Integrando a causa à estratégia da empresa

Falar é fácil. Mas palavras ao vento não possuem credibilidade se não estiverem apoiadas em ações. Nesta fase, a empresa deve integrar a causa escolhida aos seus planos de ações, revisando, inclusive, processos e métricas do negócio para que fiquem alinhados com a causa escolhida.

  • Interagindo com a causa

Com o dever de casa feito de integrar a causa aos planos de ação da empresa, é chegada a hora de a empresa interagir com o mundo em defesa desta causa, se tornando uma embaixadora do tema e trazendo-o para conversas externas, não sem antes se certificar de que os porta-vozes estão preparados para esta interação.

Seguindo estes passos, os riscos de o ativismo corporativo manchar a reputação da empresa são mitigados e todos saem ganhando. A etapa de interação com a causa retroalimenta as etapas de idealização de um futuro compartilhado e de integração da causa à estratégia da empresa por outros pontos de vista. A jornada somente chegará ao fim quando os seus objetivos macro forem alcançados.

2030 está batendo à nossa porta. Adote um ODS e escolha a sua causa. A sua reputação agradece e os benefícios serão para todos nós.

Foto: Anders Hellberg


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