26.10
Alimentos, agricultura e imagem: uma equação fundamental ao equilíbrio do planeta

Daniel Escobar*

A relação entre o crescimento populacional no planeta Terra e a oferta de recursos naturais tem sido uma equação cada vez mais difícil de ser administrada. Hoje somos aproximadamente 7 bilhões de seres humanos coexistindo neste pequeno ponto azul no meio do universo. Até 2050 estima-se que seremos 9,7 bilhões e já sabemos que a capacidade do planeta em prover as necessidades básicas ao suporte à vida é limitada.

Tendo em vista as curvas de crescimento populacional cada vez mais acentuadas e sendo esse um fenômeno impossível de ser evitado, só há um caminho para própria sobrevivência da espécie humana: a melhor gestão dos recursos naturais, de forma a preservá-los e transformá-los em alimentos.

A responsabilidade precisa acontecer em escala global, pois não resta dúvida de que as consequências de decisões sociais, econômicas e ambientais afetam todo o mundo.

Dessa forma, a Organização das Nações Unidas (ONU) assume um papel fundamental enquanto organismo internacional de fomento de discussões e cobrança de ações por parte de empresas e governos. Falando de forma mais específica sobre empresas, a ONU possui uma iniciativa, chamada Pacto Global, que se baseia em 10 princípios relacionados a Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e ações Anticorrupção.

Hoje são quase 13 mil signatários em mais de 160 países. Fazem parte pequenas, médias e grandes empresas, além de organizações da sociedade relacionadas ao setor privado.

Algo interessante a observar sobre o Pacto Global é que a adesão à iniciativa é totalmente voluntária. Ou seja: cada vez mais empresas estão entendendo seu papel para tornar o planeta um local mais sustentável. Mais do que isso: estão entendendo os benefícios de imagem ao aderirem a essas iniciativas.

Mas logo voltamos à questão da imagem.

Antes é preciso acrescentar que, ao decidir integrar o Pacto Global, a empresa também se compromete com os Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma proposta da ONU, lançada em 2015, que de certa forma “desafia” o planeta a avançar em 17 macro objetivos até 2030. Dentre os desafios, estão a garantia dos direitos humanos, acabar com a pobreza, lutar contra a desigualdade e a injustiça, alcançar a igualdade de gênero, dentre outros.

A Rede Brasil do Pacto Global, além de todos os compromissos citados, também atua com grupos de trabalho, sendo alguns setoriais, voltados a debates e ações que possuem ligações com ODS específicos.

Esse é o caso do Grupo de Trabalho (GT) Alimentos & Agricultura, que possui uma conexão maior com os ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). Isso não significa, no entanto, que esse GT não trabalhe todos os outros ODS. Os dois citados estão apenas mais próximos dos temas de debates do grupo, que possui uma enorme responsabilidade.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) o Brasil é o terceiro maior produtor de grãos do mundo e o terceiro maior exportador de alimentos. Tudo isso, produzindo em uma área que ocupa apenas 8% do território nacional. A título de comparação: nos Estados Unidos essa área corresponde à 18% do território daquele país. Na Índia, o percentual chega a 60%.

Os números que relacionam agricultura e preservação foram divulgados esse ano pela agência espacial americana, a NASA, e mostram que o Brasil está na vanguarda não só da produção, mas também da conservação.

Desta maneira – e pensando na difícil equação entre crescimento populacional e recursos naturais – a Rede Brasil do Pacto Global, em especial por meio de seu GT Alimentos & Agricultura, possui  um papel fundamental, que é fomentar o debate equilibrado, propositivo e que busque soluções para manter o país neste rumo apontado pelos números, sempre convidando ao diálogo os diversos atores envolvidos: empresas, governos, Organizações Não Governamentais e sociedade civil em geral.

Lembra-se da questão de imagem? Então. Essa é outra vertente que precisa ser lembrada nessa equação. Conforme mencionei, as empresas estão percebendo cada vez mais que podem somar ativos reputacionais ao relacionar ações de sustentabilidade com os ODS – um compromisso reconhecido internacionalmente.

Mais do que isso, a adesão ao Pacto Global traz ideias para engajar os colaboradores para mais ações, que podem ser comunicadas em diferentes processos, sejam eles internos, externos ou institucionais. O resultado é a criação de um círculo virtuoso, importantíssimo para o equilíbrio dessa equação.

 

*Daniel Escobar é jornalista, supervisor de Comunicação Corporativa da AMAGGI e membro da Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC) da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.


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