18.09
A indústria da moda e o desafio do ODS 8

ODS 8.7 Tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas                

ODS 8.8 Proteger os direitos trabalhistas e promover ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os trabalhadores, incluindo os trabalhadores migrantes, em particular as mulheres migrantes, e pessoas com emprego precário

(Imagem de charloisporto por Pixabay)

Por Indianara Jacomini

Você sabe quem fez as roupas que você veste? Pode parecer simples, mas este questionamento traz à tona uma profunda discussão sobre os impactos sociais da cadeia produtiva da moda.

Considerada a segunda indústria mais poluente do mundo, a indústria têxtil e de vestuário também é apontada por problemas relacionados à exploração da mão de obra em todos os níveis. Especialmente a partir de 1980, com a descentralização da produção e negociações em escalas mundiais, casos de escravidão moderna, péssimas condições de trabalho, má remuneração e jornadas extenuantes vieram à tona envolvendo, principalmente, grandes marcas mundiais.

Um dos casos que se tornou mais conhecido e alertou o mundo para o custo da moda foi o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013.  A tragédia deixou 1.133 mortos e 2,5 mil feridos. O prédio abrigava cinco oficinas de confecção que prestavam serviço para marcas mundialmente famosas. No dia anterior ao desabamento, os trabalhadores haviam alertado sobre rachaduras no edifício, todavia foram ignorados e obrigados a retornar ao trabalho.

Casos de infringência ao direito dos trabalhadores não é exclusividade dos países asiáticos. Segundo a pesquisa The Global Slavery Index 2018, da fundação Walk Free, a moda é a segunda categoria de exportação que mais explora o trabalho forçado. De acordo com o estudo, cerca de 40,3 milhões de pessoas estão nessa situação, das quais 71% são mulheres.

No Brasil, desde 2009, conforme a ONG Repórter Brasil, mais de 400 costureiros e costureiras foram encontrados em condições análogas às de escravos. A maioria dos casos ocorreu em pequenas confecções terceirizadas, em São Paulo.

Os esforços da indústria nacional
Maior cadeia têxtil do Ocidente com 27,5 mil empresas formais (dados da ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o Brasil tem tomado a frente nas discussões e mecanismos de enfrentamento a este cenário.

Neste sentido, o Pacto Global tem exercido papel essencial ao aproximar o setor empresarial, incentivando a colaboração de todos em prol do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 8 que, entre suas metas, está a de proteger os direitos trabalhistas e promover ambientes de trabalho seguros e protegidos.

Assim, temos visto o esforço de muitas marcas de moda alinhando ações com as metas do desenvolvimento sustentável e buscando estratégias para reduzir seu impacto social e ambiental. Movimentos sociais como o Fashion Revolution Brasil e entidades setoriais como ABIT e ABVTEX também tem reforçado a agenda, promovendo campanhas de conscientização dos consumidores ou implementando programas de auditoria e certificação da cadeia de fornecimento (caso da ABVTEX).

Grupo Malwee
Por uma moda ética, responsável e transparente

Considerada uma das maiores empresas de moda do Brasil, o Grupo Malwee tem ocupado lugar de destaque na implementação da agenda 2030. Signatária do Pacto Global da ONU desde 2014, a empresa destaca-se pelo pioneirismo e notória atuação no campo da sustentabilidade, incorporando tecnologias e processos inovadores que vão do uso de matérias-primas sustentáveis à preservação de 4,2 milhões de metros quadrados de Mata Atlântica em Santa Catarina.

Recentemente, a empresa deu mais um importante passo no sentido de fortalecer seu compromisso socioambiental, o compliance e a promoção do trabalho digno em toda sua cadeia de fornecimento, tornando- se a mais nova signatária do Programa ABVTEX -Associação Brasileira do Varejo Têxtil. Criado em 2010, o programa representa o maior esforço setorial para a implementação das melhores práticas de compliance na cadeia de fornecedores e subcontratados da indústria têxtil.

A companhia sempre acompanhou os seus parceiros por meio do Programa de Gestão da Cadeia de Fornecedores, que contempla auditorias e inspeções mensais, controle de documentações, cumprimento do Código de Ética e certificações.

Por esse trabalho, em 2018, foi reconhecida como uma as 10 marcas de moda mais transparentes do mundo, segundo o Índice de Transparência da Moda 2018, organizado pelo Fashion Revolution e FGVCes. O Índice é um grande incentivo para marcas prestarem contas e conquistarem a confiança do público, ao tornarem-se mais transparentes, éticas e preocupadas com os impactos socioambientais de suas práticas.

Indianara Jacomini é jornalista, com especialização em Marketing e Comunicação Estratégica. Responsável pela Comunicação Institucional do Grupo Malwee. Membro da Comissão de Engajamento e Comunicação e coordenadora da subcomissão de boas práticas.


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