09.11
Como ganhar tempo mudando radicalmente sua rotina de acesso à caixa de emails Uma mudança de hábito que pode produzir mais tempo e reduzir a ansiedade e o nível de estresse no seu trabalho

"Tempo é um produto de fabricação própria". Ouço essa frase há décadas, mas ela nunca fez tanto sentido quanto nesses últimos tempos. Há alguns meses, eu decidi enfrentar as minhas... Leia mais

email“Tempo é um produto de fabricação própria”. Ouço essa frase há décadas, mas ela nunca fez tanto sentido quanto nesses últimos tempos. Há alguns meses, eu decidi enfrentar as minhas abarrotadas caixas de email. Eram quatro contas com uma lista interminável de mensagens não lidas que quanto mais atenção eu dava, mais atenção elas pediam.

No ano passado, comecei a utilizar ferramentas de email que me permitiam procrastinar as mensagens, escolhendo data e hora para que elas voltassem a minha caixa de entrada. Com isso, eu passei a organizar o fluxo de mensagens, adequando esse fluxo à minha agenda. Na prática, reservava horários da agenda para trabalhar em um determinado projeto e programava a volta dos emails que tinham relação com ele para que fossem entregues novamente no dia e horário previsto. Paralelamente a isso, fiz uma limpeza, por atacado, nos milhares de emails que estavam na minha caixa postal. Perdi algo importante? Possivelmente sim, mas paciência. Como resultado, minhas caixas de entrada não guardam mais do que 20 ou 30 emails e, em alguns raros momentos, estiveram zeradas.

Ainda que a sensação seja positiva, devo confessar que, com tudo isso, minha percepção era de que ainda estava gastando muito tempo com a gestão dessas mensagens. Até que há alguns dias me deparei com uma entrevista publicada na Salon cujo título mandava esquecer o “inbox zero” e afirmava que o problema de fato não são as mensagens não lidas.

No preâmbulo, números assustadores, mas que, de certo modo, confirmam o que eu já presumia:

  • Em média, gastamos 28% do nosso tempo de trabalho para ler, responder e enviar emails
  • Acessamos nossas contas de email 11 vezes por hora
  • Processamos 122 emails por dia

A entrevistada, Jocelyn K. Glei, é autora de um livro chamado Unsubscribe – How to kill email anxiety, avoid distractions, and get real work done e escreve regularmente sobre criatividade na “Era da Distração”. Ela me convenceu sobre as suas teses quando fez referência ao ritmo circadiano. Para quem não sabe, o termo designa o ciclo biológico dos seres vivos em um período de 24 horas e a influência que têm sobre eles as variações de luz, de temperatura e outros fenômenos naturais que se dão entre o dia e a noite. Em um sujeito que viva em condições normais de temperatura e pressão, esse ritmo define que a maioria dos indivíduos está mais atenta e mais criativa no período entre 9 e 11h da manhã. E não é que esse também é o período que eu dedicava quase exclusivamente à leitura das mensagens de email? Provavelmente você esteja no mesmo barco.

Jocelyn também comenta como a consulta incessante à caixa de emails nos transforma em sujeitos mais ansiosos e como a resposta imediata que damos às mensagens molda uma expectativa geral de tempo de resposta. Isso gera mais ansiedade e, por consequência, mais estresse. Ela diz também que identificou dois tipos de usuários de emails: os reactors e os batchers. Os primeiros são aqueles que verificam suas mensagens várias vezes ao longo do dia, por curiosidade, ansiedade ou impulsionados por notificações. Esses reatores são reféns, reagem aos emails em vez de controlá-los. Os batchers, por sua vez, criam janelas de tempo e definem horários para acessar suas caixas de email. Segundo Jocelyn, esses sujeitos são mais produtivos, menos estressados e, portanto, mais felizes.

Desde o início da semana, eu mudei de turma e passei de reactor a batcher. Excluí quase todas as notificações de email, mantendo somente algumas fundamentais, e reconfigurei os horários para recebimento dos emails que procrastino no GMail para que coincidam com os três horários em que agora acesso as minhas caixas de email diariamente: 10h30, 14h30 e 18h30.

Senti uma melhora considerável no uso do tempo nos primeiros dias. Hoje, antes de ler meus emails, pude escrever este texto e vou conseguir publicá-lo a tempo de cumprir a agenda. Espero que esse meu ganho possa ser útil também para vocês.

 

25.10
O que Donald Trump tem a ver com nossa falta de tempo O que faremos com a atenção extra que adquirimos ao usar aplicativos de produtividade?

Em um interessante artigo na WiredUK, o editor Rowland Manthorpe mostra como Donald Trump consegue capitalizar atenção e dominar um dos recursos mais escassos deste tempo em que a informação... Leia mais

Em um interessante artigo na WiredUK, o editor Rowland Manthorpe mostra como Donald Trump consegue capitalizar atenção e dominar um dos recursos mais escassos deste tempo em que a informação está disponível em grande abundância.

Manthorpe cita em seu artigo um caso que representa muito bem essa capacidade do candidato republicano à Casa Branca. Em fevereiro deste ano, um bot criado no Twitter pelo site Gawker teria enviado a Trump uma citação de Benito Mussolini e ele a retuitou para seus milhões de seguidores (ele tem agora no Twitter 12,7 milhões).

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Questionado pelo jornalista Chuck Todd no programa da NBC, Meet the Press, se não se importaria em ser relacionado com o fascismo, Trump desconversou. Disse que queria ser relacionado a frases interessantes. E finalizou com uma provocação: “Hey, it got your attention, didn’t it?”.

Trump é mestre em chamar a atenção. No início desta semana, o The New York Times dedicou duas páginas de sua edição impressa para publicar uma lista de pessoas e lugares que foram insultados por ele no Twitter desde o início da campanha. É a confirmação de uma capacidade impressionante para gerar assuntos e capturar atenção. Falem mal, mas falem. E Trump ganha espaço no debate público.

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 O Nobel de Economia de 1978, Herbert Simon, foi um dos primeiros a identificar esse fenômeno que chamamos de Economia da Atenção. Ele disse que em um mundo rico em informações, essa riqueza pressupõe a carência de algo, uma escassez daquilo que a informação consome. E o que a informação consome é a atenção das pessoas. A riqueza de informação cria, portanto, escassez de atenção.

Como ainda não é possível ampliar o tempo, o dia continua tendo 24 horas, há no nosso entorno uma busca alucinada pela produtividade, participemos ou não desse esforço. Estamos sendo tentados a usar funcionalidades, baseadas em inteligência artificial, que ajudam a encontrar atalhos, que “automatizam” nossas tarefas cotidianas para criar tempo e, consequentemente, uma dose extra de atenção.

Isso acontece, por exemplo, quando recebemos um recibo de passagem aérea ou convite para um evento por email e automaticamente esse email gera uma inserção na nossa agenda e reserva um espaço para aquele evento. E quando o aplicativo de email nos sugere um texto pronto de resposta ou simplesmente nos dá a possibilidade de procrastinar uma mensagem para que ela volte, fresca, ao inbox num momento mais adequado. O mesmo acontece quando o Waze identifica o endereço de um compromisso próximo e sugere por sua conta as rotas e isso nos poupa da incômoda digitação dos endereços e nos faz ganhar tempo.

Essas funcionalidades todas farão cada vez mais parte da nossa vida, propiciadas pelo aumento alucinante de conexões entre pessoas e máquinas e, sobretudo, entre máquinas e máquinas. A produção de tempo para “dar atenção” é valiosa. Cada um de nós vai decidir se vai usar o tempo extra que conquistou com algo também valioso ou se vai entregá-lo de graça a figuras como Trump.

19.10
Como a era da internet mudou o julgamento público Sua empresa está preparada para perdoar um condenado pelas redes?

Que as pessoas agem como se fossem anônimas na multidão e são capazes de atos que dificilmente assumiriam individualmente nós já sabíamos. Mas será que temos uma noção clara de como esse... Leia mais

2015-12-23_11-10-41_1Que as pessoas agem como se fossem anônimas na multidão e são capazes de atos que dificilmente assumiriam individualmente nós já sabíamos. Mas será que temos uma noção clara de como esse modo de agir, essa liberação de instintos, muitas vezes cruéis, é emulada na internet?

Essa dúvida me fez ler o livro Humilhado – Como a era da internet mudou o julgamento público, de Jon Ronson, publicado no Brasil pela Best Seller. O autor segue os passos de alguns personagens que foram humilhados depois de serem pegos em flagrante cometendo algum atentado ao pudor, por plágio ou comentário preconceituoso nas redes sociais e tenta mostrar o que aconteceu a eles depois da execração pública, do apedrejamento moral.

As histórias me confirmam que a ideia de uma rede interminável, uma multidão virtual, continua produzindo uma falsa ilusão de anonimato. Essa percepção cria um contexto que permite que a mensagem seja erroneamente entendida como um drone, um dispositivo não pilotado que faça qualquer coisa sem que se possa identificar quem está no comando.

Nesse ambiente, nem a presença nem a voz é ignorada. Quem lançou as primeiras pedras pode ser facilmente identificado e a pontaria pode ser bem determinada. Com o poder individual conquistado nas redes sociais pelos lançadores, as pedras podem ganhar mais ou menos peso. E uma ação impensada pode causar uma reação inimaginável. Esse é o risco sempre presente quando os valores éticos são negligenciados.

O tribunal popular da web não perdoa, ele soma as sentenças e aplica penas desproporcionais. Um comentário incorreto e lá se vão sua reputação, seu emprego, seus amigos, sua vida. Você já aprendeu que deve redobrar o cuidado com aquilo que compartilha, será que não está na hora de também pensar duas vezes antes de colaborar com a execração pública?
Pense comigo. Sua empresa está preparada para perdoar um condenado pelas redes? Ela é capaz de dar uma segunda chance? Há espaço para uma discussão madura que ajude o sujeito a se redimir antes da fácil solução pela demissão sumária?

21.09
O fantasma das métricas Como não se perder no mar de indicadores da comunicação digital

No primeiro dia do Programa Avançado em Gestão da Comunicação Digital, que começou na semana passada na Aberje, fiz uma pergunta aos alunos sobre os temas digitais mais prementes na sua... Leia mais

14904920879_6da55d5d94_kNo primeiro dia do Programa Avançado em Gestão da Comunicação Digital, que começou na semana passada na Aberje, fiz uma pergunta aos alunos sobre os temas digitais mais prementes na sua atividade cotidiana.

– Métricas – disseram em coro. E não consegui ouvir um segundo tema, se é que ele foi dito.

A excitação provocada pela extraordinária capacidade de medir tudo nos meios digitais e a possibilidade de se fazer isso em tempo real, acompanhando reações instantâneas as nossas ações, nos leva muitas vezes a navegar quase sem rumo por um mar de dados e aportar em dezenas e dezenas de métricas que não nos ajudam a descobrir se estamos no caminho certo.

A impressionante variedade e a urgência de uso de indicadores e controles de planilhas assombram os profissionais de comunicação ainda pouco experientes nessa área e que não dispõem de dashboards que os ajudem a monitorar a eficiência de suas ações comunicacionais.

A complexidade desse ambiente e a abrangência maior da comunicação, que hoje transita entre as especificidades do media training até a produção de publicidade online e lida com diversos stakeholders no caminho, exigem mais do que nunca da agência e do profissional de comunicação uma certeza de destinos. O rumo e os meios para se chegar a esse objetivo são suportados, sim, por métricas – mas somente as mais efetivas para cada meta.

A bússola para não se perder nesse emaranhado de analytics, conversões, leads, ROIs, KPIs, influenciadores, engajamentos, bounce rates, page views, CPCs, taxas de retenção ou até o horário em que os jornalistas da zona oeste de São Paulo clicam no link da sua newsletter é antes de tudo a clareza de objetivos, o estabelecimento do norte. Definido esse objetivo, é possível escolher uma ou duas métricas que permitirão acompanhar de perto a performance das nossas ações.

Como escolher a métrica certa para acompanhar cada objetivo é tema para os próximos módulos do curso que a Aberje está realizando. Mas eu voltarei a este assunto em breve.

28.08
Por que abrir mão da voz do público? Os comentários dos leitores e a nossa incapacidade de criar relacionamentos com aqueles que nos acessam Business Communication Duplicate model

A diferença entre publicar e socializar é crucial para a comunicação e determina o modo como tratamos as audiências e, por consequência, o resultado de muitas das nossas ações... Leia mais

A diferença entre publicar e socializar é crucial para a comunicação e determina o modo como tratamos as audiências e, por consequência, o resultado de muitas das nossas ações digitais.

Publicar era a ação natural nos meios analógicos, de tornar uma informação pública, de levar conhecimento, um ato relacionado diretamente a uma entrega.

Socializar, por sua vez, é um processo de integração, que busca um sentido coletivo, que invoca um espírito de cooperação, de adaptação, um ato relacionado diretamente a ser e fazer parte.

Com o surgimento da internet, o meio essencialmente interativo, a comunicação recebeu as condições necessárias de que antes não dispunha para ser finalmente social. A indústria da mídia, porém, sempre tratou dessa questão de forma rasa; a comunicação corporativa vai mais fundo, mas não o faz nos seus próprios ambientes.

A comunicação é refém de uma antiga lógica de volume, que trata público ainda como massa. Cada sujeito desse público, no entanto, se vê e quer ser tratado como indivíduo, como alguém que está disposto a ouvir, mas quer também ser ouvido. Mesmo considerando isso uma obviedade, devemos admitir que estamos pouco dispostos a ouvir e que nosso olhar não costuma ir além da leitura de relatórios de dados de analytics. O leitor pouco se importa em ser tratado como estatística, desde que a ele se garanta a voz e se dê atenção quando ele a pede. Essa disposição deveria ser bem-vinda porque o engajamento e a fidelização sempre poderão produzir muito mais conhecimento do que o relatório quantitativo de analytics.

Há uma má vontade com a participação do público nos nossos canais que fica mais evidente quando olhamos para os espaços de participação que oferecemos a ele. Essa participação está submetida quando muito a uma caixa de texto no pé de página e os comentários ali postados são para muitos profissionais conteúdo inóquo, que só produz aborrecimento.

Eu, ao contrário, acredito no potencial do comentário para ser parte da narrativa, muitas vezes para melhorar uma história. Tanto que sempre defendi que o autor deveria participar do processo de moderação e ser eternamente responsável pela interação com o público no âmbito do que publicou. A conversação que ele é capaz de estabelecer nesse ambiente pode ampliar o tempo durante o qual um conteúdo permanecerá relevante. A conversação é o oxigênio que manterá vivo esse conteúdo por mais tempo.

Sem nunca abrir mão da capacidade do próprio público de influenciar no ranking do que é mais relevante, a curadoria do próprio autor é fundamental para valorizar o que o público aporta de informação importante e até para ignorar o que deva ser ignorado.

Muitas publicações, no entanto, estão fechando suas áreas de comentários e terceirizando para as redes sociais o espaço de conversação. Não há melhor prova de que ainda pensam apenas em publicar e não em socializar. Ignoram que cada debate que se instala em torno de um post é uma nova comunidade que se cria. Ela é efêmera e se desfaz na medida do interesse que a publicação é capaz de manter, mas a satisfação desses indivíduos com suas possibilidades de participação pode ser a chave para o engajamento, a garantia de que eles se reunirão em novas comunidades em torno dos novos temas e publicações do canal.

Precisamos enfrentar essa nossa incapacidade de construir relacionamento com o público e tratar a socialização como um segundo passo obrigatório após a publicação. Não deveríamos estar ainda debatendo se vamos ou não nos envolver, mas como vamos nos envolver com as pessoas que nos acessam.

10.08
Vídeo em tempo real requer planejamento em três tempos Como se planejar para extrair o máximo do live streaming por vídeo Live   Facebook

O live streaming de vídeo é um recurso poderoso para a divulgação das marcas e para a comunicação das empresas e ele passa a ser mais usado na medida em que surgem mais ferramentas e as... Leia mais

O live streaming de vídeo é um recurso poderoso para a divulgação das marcas e para a comunicação das empresas e ele passa a ser mais usado na medida em que surgem mais ferramentas e as plataformas sociais se adequam para receber mais conteúdos em tempo real. A simplificação, a facilidade de uso e a oferta de ferramentas gratuitas ou de baixo custo cria oportunidades para as organizações e os profissionais de comunicação devem estar atentos a elas.

No módulo de Novas Narrativas do Programa Avançado em Gestão da Comunicação Digital da Aberje vamos dedicar um bom tempo para estudar o potencial do vídeo nas plataformas digitais, curso que estará a cargo de Denys Urdiale, coordenador de operações da FSB Vídeo.

Além de buscar conhecimento técnico sobre produção e edição de vídeo, no entanto, o profissional de comunicação deve ter em mente que pouco adiantará dominar essas técnicas se ele não for capaz de planejar detalhadamente as três etapas temporais que precisam ser vencidas e que respondem por três palavras mágicas: antes, durante e depois.

Planejar bem cada uma dessas etapas, desenhar os cenários, descrever o que deve ser executado em cada uma delas, endereçar as tarefas e responsabilidades, antever riscos e sugerir alternativas são ações de planejamento que servem de base para garantir um bom trabalho e dar até a segurança para eventuais momentos de improviso que possam dar naturalidade e fluidez à transmissão. Vamos listar alguns dos itens que devem fazer parte de cada uma das etapas do planejamento:

Antes

  • – Divulgue com antecedência a transmissão nas redes sociais. O Facebook recomenda que isso seja feito um dia antes, tempo hábil para que as pessoas se programem e suficientemente próximo do evento para que as pessoas não esqueçam
  • – Verifique as condições de transmissão – qualidade do sinal de Wi-fi ou de conexão por cabo, iluminação do local, situação dos ruídos do ambiente, condição de baterias de câmeras, computadores e smartphones
  • – Tenha back-ups: microfones direcionais, alguma iluminação ou espaço alternativo que não necessite de luz e aparelho com conexão 4G (nesse caso, tenha em mente que a transmissão de vídeo em 4G representa um consumo grande de bateria e de dados)
  • – Prepare conteúdos complementares ou contextuais e ações interativas com antecedência
  • – Defina como os usuários poderão compartilhar a transmissão com as suas redes

Durante

  • – Tenha prontos textos de apresentação para publicar no início da transmissão. Uma boa descrição pode ser um convite que vá atrair muitos usuários para a sua transmissão
  • – Convide os usuários para usar os espaços de interação e compartilhar com as suas redes. E repita os convites em intervalos regulares durante a transmissão
  • – Cite os nomes dos usuários que perguntaram quando for dar uma resposta
  • – O tempo recomendado para transmissão do live streaming em vídeo é bem maior do que o de um vídeo normal. Enquanto um vídeo gravado é oferecido em tempo muito reduzido, 2 a 3 minutos, o live streaming necessita de mais tempo para que as pessoas possam se engajar, tomar seus lugares. O Facebook recomenda transmissões de 10 a 90 minutos. Tente começar com um tempo já definido. Isso não impede que o vídeo possa se prolongar mais do que o planejado, mas vai evitar os vazios na transmissão que possam afastar os espectadores
  • – Se houver espaço para interação, destaque alguém para fazer a gestão das conversações e divulgação de conteúdos
  • – Faça um fechamento informando se o a gravação estará disponível e onde

Depois

  • – Faça sempre um relatório da transmissão com avaliação do comportamento da audiência
  • – Inclua no relatório os pontos positivos e negativos da transmissão. O que fazer e o que não repetir nas próximas transmissões
  • – Compartilhe o relatório com todos os envolvidos e, se for o caso, reúna o grupo para discuti-lo

 

 

27.07
Desafios da popularização do vídeo em tempo real. Você está preparado? Imagens em movimento, transmitidas ao vivo, são capazes de revelar ou de insinuar realidades muito complexas, que exibem com maior nitidez ações, comportamentos e até propósitos livestreamingairbnb

Uma das práticas mais desafiadoras para os profissionais da comunicação digital é a lida com o que é publicado em tempo real e, mais precisamente, o que é publicado em vídeo, conteúdo... Leia mais

Uma das práticas mais desafiadoras para os profissionais da comunicação digital é a lida com o que é publicado em tempo real e, mais precisamente, o que é publicado em vídeo, conteúdo próprio e/ou de terceiros compartilhado em redes sociais. O live streaming ganhou novo impulso com a maior abertura do Facebook para transmissões de vídeo ao vivo. A facilidade de uso do Facebook, sem a exigência de instalação de aplicativos extras para exibição dos vídeos, potencializou esse modo de veiculação de conteúdos e aumentou os desafios para a gestão da comunicação. Como a produção não flui mais em mão única, há mais competências envolvidas. E é necessário que o profissional domine bem esse repertório para enfrentar uma realidade ainda mais complexa.

Neste post, vamos tratar brevemente do impacto da transmissão por terceiros. No seguinte, vamos tratar de práticas que podem nos auxiliar na produção e transmissão de vídeos em tempo real.

Capacidade de reação

O monitoramento também do que é publicado em vídeo por terceiros passou a ser determinante para uma boa gestão da comunicação corporativa, institucional ou que represente personalidades.

Se uma imagem vale por mil palavras, uma imagem em movimento, transmitida ao vivo, é capaz de revelar ou de insinuar realidades ainda mais complexas, que exibem com maior nitidez ações, comportamentos e até propósitos. Mesmo o replay, a gravação dessa transmissão, preserva a mesma força porque ela registra uma realidade bruta, sem cortes e sem edição. É uma janela para o mundo real em tempo real.

Quando esse quadro revela uma imagem favorável, ele pode indicar a presença de embaixadores de marcas ou a confirmação de nossas boas práticas. E esse registro sempre é muito rico.

Quando exibe uma imagem desfavorável, no entanto, o quadro exige uma reação muito rápida para que os problemas sejam sanados, os propósitos reafirmados e a reputação preservada.

A popularização do live streaming não pede mudanças na sequência dos procedimentos de gestão de crise, mas exige mais atenção no monitoramento, mais agilidade e maior capacidade de reação ao impacto que imagens negativas podem provocar se forem rapidamente disseminadas pela rede. A revisão dos protocolos deve ser feita para questionamento e checagem do quão preparados estão para o caso de uma imagem negativa gravada ao vivo ser distribuída pela rede.

Para evitar as crises, vale sempre lembrar, é recomendável que sejam tratados os riscos. Afinal, se o mundo está online, é recomendável que todos andem na linha.

15.07
Por que é importante humanizar o discurso nas redes sociais? Ana Brambilla fala da necessidade das marcas assumirem uma voz na rede que represente a sua personalidade

Ana Brambilla é uma das maiores autoridades em mídias sociais hoje no Brasil. Ela enviou uma contribuição ao meu recente post Novos modos e canais de relacionamento com formadores de... Leia mais

Ana Brambilla é uma das maiores autoridades em mídias sociais hoje no Brasil. Ela enviou uma contribuição ao meu recente post Novos modos e canais de relacionamento com formadores de opinião, falando sobre a importância da marca assumir sua voz nas redes, que transcrevo abaixo:
“Penso sempre que a rotina apressada das redações deixa pouco tempo para jornalistas usarem as redes sociais para verem divulgações, releases ou materiais institucionais. Então, por mais que os planos de trabalho exijam posicionamento institucional, nas redes sociais não o devem fazer no mesmo estilo com que faziam noutros suportes. Rede social é ambiente para contatos pessoais, entretenimento e utilidade. Daí a necessidade de marcas e instituições humanizarem o discurso, até chegar ao nível da personificação, ou seja, assumirem uma voz, terem um porta-voz com nome e sobrenome que se comunique em primeira pessoa com os stakeholders, ainda que seja um personagem. Se a marca/instituição não combina com uma identidade de humor, então deve explorar o caráter utilitário dos conteúdos que produzir e publicar nas redes a fim de viralizar e atingir imprensa, clientes, colaboradores e até mesmo investidores. Conteúdos úteis e ditos por um indivíduo dão muito mais força do que qualquer mensagem autocentrada em linguagem impessoal. A rede é um ambiente, primeiro, de pessoas; depois, de marcas. Busquemos, pois, agir como pessoas para estar mais de acordo com o modus operandi do espaço :-)”
A voz é a expressão da personalidade da marca e pode ser encontrada quando são encontrados os adjetivos que melhor descrevem essa marca. Assim, ela assume autenticidade e pode ganhar variações e tons que vão depender de contextos e comunidades com quem a marca dialoga. Vejam que estamos atribuindo ações humanas a uma marca. E é a isso que Ana se refere. A voz humaniza, não é um robô, logotipo ou avatar que fala para números ou cifras.
Arrisco dizer que, logo logo, vamos dar ainda mais importância a esse caráter humano, aos tons, às variações, inflexões e articulações, porque a representação de grupos em personas já não será suficiente para estabelecer diálogos nas redes sociais. Sua marca pode ter milhares ou milhões de seguidores, mas se conecta a eles um a um. O diálogo vai passar pelo reconhecimento da individualidade e pelo uso de um repertório de variações muito maior do que se utiliza hoje.
O tema da Linguagem e posicionamento nas redes sociais será o primeiro abordado por Ana Brambilla em setembro no primeiro módulo do Programa Avançado em Gestão da Comunicação Digital da ABERJE.
02.07
Novos modos e canais de relacionamento com formadores de opinião Sete dicas que podem ajudar a criar conexões mais fortes com os jornalistas newsroom-big-1

Na última vez que trabalhei em uma Redação recebia na caixa de emails uma média de 600 press-releases por semana. Recordo bem desse número, mas não lembro se cheguei a usar o conteúdo de algum... Leia mais

Na última vez que trabalhei em uma Redação recebia na caixa de emails uma média de 600 press-releases por semana. Recordo bem desse número, mas não lembro se cheguei a usar o conteúdo de algum deles. Essa ineficiência do envio de emails não solicitados, esse spam que se pretendia um serviço, era tão invasivo e criava nos jornalistas uma tal rejeição que eles acabavam por ignorar o produto, serviço ou empresa que se pretendia divulgar.

As agências mudaram desde então, parte da atenção foi desviada para influenciadores, os novos protagonistas das redes sociais, e os kits de imprensa começaram a se tornar públicos, aproveitando plataformas de distribuição como Medium, por exemplo, para também serem encontrados pelos jornalistas.

Os veículos tradicionais de imprensa, no entanto, continuam tendo relevância na formação de opinião, no fornecimento da cesta básica de informação e fomentam parte importante das conversações nas redes sociais. Não há como ignorá-los. O que fazer, então, para acessar as Redações se os jornalistas que lá estão também são vítimas da Economia da Atenção?

A chave continua sendo relacionamento e a oferta de histórias interessantes, o que mudou é o modo como esses sujeitos se relacionam.

David Meerman Scott conta em seu livro The New Rules of Marketing & PR que em mais de 10 anos de atividades, escrevendo para blogs e revistas, foram pouquíssimas as vezes que assessores de imprensa e RPs deixaram comentários em suas publicações ou fizeram qualquer referência ao que ele publicou. Ele diz também que recebe milhares de press-releases toda a semana mas quando quer algum feedback ou busca alguma conversação, via de regra a resposta é o silêncio.

Com as plataformas sociais digitais, a proximidade, degrau anterior ao do relacionamento e da conversação, é potencialmente maior. Agora, você pode acompanhar quase tudo o que fazem, pensam, publicam e compartilham os formadores de opinião que lhe interessem acompanhar, estejam onde estiverem. E, a partir dessa proximidade, gerar conversações e criar relacionamentos. É fácil fazer isso, mas você terá que incorporar algumas rotinas e cumpri-las com bastante disciplina.

  1. Mapeie os formadores de opinião que lhe interessam
  2. Classifique-os por temas
  3. No Twitter crie listas, no Feedly organize seus feeds de RSS
  4. Crie uma rotina de acompanhamento
  5. Procure interagir e compartilhe o que você achar interessante
  6. Comente quando puder agregar alguma informação ou opinião que possa enriquecer o debate
  7. Curta, comente e compartilhe sempre quando o conteúdo da notícia ou do post tenha usado as informações que você forneceu ou intermediou

Editores e repórteres usam a web para encontrar histórias interessantes, pessoas, produtos e organizações em fontes confiáveis. Suas chances aumentam se nessa busca eles puderem reconhecer você.

23.06
Documentos necessários para tirar o visto de imigrante digital O que o profissional de comunicação necessita para trabalhar como um nativo digital newspaper_readers_2

Ao dividir os cidadãos deste mundo em nativos e imigrantes digitais, criamos uma geografia e imaginamos fronteiras. Há legiões de interessados em obter um visto permanente e migrar para esse... Leia mais

Ao dividir os cidadãos deste mundo em nativos e imigrantes digitais, criamos uma geografia e imaginamos fronteiras. Há legiões de interessados em obter um visto permanente e migrar para esse paradisíaco universo digital. Muitos desses migrantes buscam somente o exílio, mas quem quer migrar com visto de trabalho vai necessitar de alguns carimbos no passaporte. Sobretudo se esse sujeito é um profissional da comunicação.

Ser digital significa vivenciar, experimentar, compreender e incorporar cultura digital. Esse é o caminho mais curto para se obter as chaves que vão abrir as portas desse novo lar e definir as diferenças entre os dois territórios.

Recebe o visto o profissional que consegue perceber como a informação é fragmentada, como ela pode ser reagrupada e que saiba que qualquer um de nós pode ser agente dessas ações. Também tem direito ao carimbo quem entende os impactos da ilimitude do tempo e do espaço no ecossistema digital, quem considere como contexto do usuário, além do momento e da localização, as suas habilidades e conhecimentos, seus gostos e comportamentos, as suas redes de relacionamento, a velocidade com a qual consegue se conectar, a capacidade de seus devices, enfim, todos os dados que estejam disponíveis sobre esse usuário e que possam ser analisados e classificados.

O visto depende também da sua capacidade de dialogar com suas conexões e de zelar por elas, de entender que há uma cultura da dádiva que incentiva o compartilhamento e que subverte a propriedade intelectual. O visto será entregue àqueles que entendem como surgem e agem os influenciadores nas redes; que não somente as pessoas, mas também as coisas são fontes de informação e que as fontes já não são sua propriedade.

Para operar nesses ambientes digitais, o profissional de comunicação terá que experimentar o desapego, entender que a eternidade é para as nuvens e os buscadores e que as comunidades são efêmeras, surgem pelo interesse que conseguem criar e definham naturalmente quando não conseguem mantê-lo. Ele precisa saber que está num ambiente em que a informação é abundante e barata e que a atenção é rara e, portanto, valiosa. E que terá que aprender continuamente tantas novas ciências e competências que talvez já não se reconheça quando olhar para a velha foto colada no passaporte.

Sérgio Lüdtke

Sérgio Lüdtke

Sérgio Lüdtke é jornalista. Foi editor de livros por 10 anos e participou da criação de duas startups na área digital no final dos anos 90. Dirigiu áreas de conteúdo digital nos grupos RBS e Globo e foi coordenador do Master em Jornalismo Digital no IICS. Dirigiu programas de treinamento in company na RBS, Globo e Rede Gazeta (ES). Atualmente, é membro do GAE digital do Estadão e dirige a consultoria Interatores, voltada para o desenvolvimento da comunicação digital.