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03.12
Quem É Quem na CEC

A CEC – Comissão de Engajamento e Comunicação do Pacto Global quer apresentar seus integrantes. E para inaugurar a proposta, conversamos com a Fernanda Arimura, Head de Comunicação da Rede... Leia mais

A CEC – Comissão de Engajamento e Comunicação do Pacto Global quer apresentar seus integrantes. E para inaugurar a proposta, conversamos com a Fernanda Arimura, Head de Comunicação da Rede Brasil do Pacto Global da ONU e responsável pela interface entre as atividades da CEC e o Pacto Global.

Fernanda Arimura (Foto: Divulgação)

Natália Tamura: Conte-nos um pouco sobre sua formação e atuação no mercado.

Fernanda Arimura: Sou formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e tenho pós-graduação em Economia e Finanças pela UFRGS. Também participei da primeira turma da especialização em Comunicação Internacional em Gestão de Comunicação Empresarial da Aberje/University of Syracuse. Já atuei em redação, trabalhei na Gazeta Mercantil e na Zero Hora. Estou na área da comunicação corporativa desde 2002, quando ingressei na Gerdau. Após essa experiência de cinco anos, trabalhei durante oito anos na agência Imagem Corporativa. Quando deixei a agência, fui consultora e desenvolvi projetos para a União Europeia, além de conteúdo para empresas. Também assumi a gestão da consultoria de sustentabilidade e comunicação Walk4Good.

NT: Quando começou a trabalhar com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?

FA: Comecei a atuar com os ODS em 2015, como consultora de comunicação para projetos da União Europeia voltados à mitigação das mudanças climáticas. O tema ficou tão presente na minha vida que resolvi criar um blog, com textos que destacavam o papel do indivíduo em relação à sustentabilidade. Falamos muito sobre os governos e as empresas, que são extremamente relevantes neste processo, mas muitas vezes as pessoas são deixadas de lado. Transferimos para terceiros a nossa responsabilidade. E como cidadãos, temos como contribuir e devemos assumir a parte que nos cabe, para o bem e para o mal.

NT: Como você chegou ao Pacto Global?

FA: Cheguei ao Pacto Global em 2018, após três anos de atuação mais intensa na área da sustentabilidade. O ingresso no Pacto foi resultado de uma avaliação interna, que me levou a repensar os caminhos que queria dar para a minha carreira. Cheguei à conclusão que gostaria de contribuir mais com as causas que acredito e vi no Pacto uma oportunidade para seguir com este objetivo.

NT: Como tem sido a experiência neste trabalho?

FA: Intensa. Tratamos de muitos assuntos, nos envolvemos em diversos projetos e nossa equipe está presente em eventos no Brasil e no exterior, o tempo todo. A comunicação tem um grande desafio neste cenário, ao aproveitar essas oportunidades para potencializar a imagem do Pacto Global, endereçando mensagens-chave relevantes para a nossa atividade e engajando mais pessoas e organizações para a iniciativa.

NT: Como é a interface do Pacto Global com a ONU?

FA: Dentro da estrutura do Pacto Global, existe a secretaria, que executa os projetos e iniciativas. Essa secretaria, da qual faço parte, integra a estrutura do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ou seja, a nossa interface é direta. Além disso, o principal papel do Pacto Global hoje é engajar o setor privado em ações que contribuam para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU em 2015 para os seus países membros.

NT: E em relação à CEC?

FA: A CEC é um dos grupos de trabalho que compõem a estrutura da Rede Brasil do Pacto Global. É gratificante ver comunicadores e profissionais de sustentabilidade de empresas e organizações que integram a nossa rede utilizando o seu tempo para pensar e criar estratégias de comunicação e engajamento para ampliar o alcance das mensagens de sustentabilidade. Acabamos de colocar na rua a campanha ODS e o Setor Empresarial, que conta, até o momento, com 86 participantes, todos membros do Pacto Global. Este projeto, idealizado pela CEC, resultará em compartilhamentos semanais, por todas estas empresas e organizações, de posts nas mídias sociais relacionados a cada um dos 17 ODS. É uma ação incrível, resultado de esforço e trabalho em equipe, com grande potencial de alcance e resultados. A CEC é a materialização de um ideal de utilização da comunicação como ferramenta para a realização de muitas coisas boas.

 

14.11
Direito à Água (ODS 6)

Maria da Glória Colucci* O Planeta clama por mananciais de água limpa, potável e em quantidade suficiente à dessedentação de homens e animais. Fatores diversos contribuem para a propalada... Leia mais

Maria da Glória Colucci*

O Planeta clama por mananciais de água limpa, potável e em quantidade suficiente à dessedentação de homens e animais.

Fatores diversos contribuem para a propalada crise hídrica que sobrecarrega regiões do país, causando secas prolongadas, alagamentos e transbordamentos de rios. O desequilíbrio daí decorrente afeta áreas urbanas, colocando em risco a saúde e a vida de populações próximas às encostas de morros ou mesmo nos centros comerciais e financeiros das cidades, acarretando prejuízos a lojistas e moradores.

A população parece acostumada a viver e sofrer com os danos ambientais gerados pela poluição de rios e lagos, contaminados por esgoto e resíduos sólidos lançados à revelia de qualquer respeito ou mínimo cuidado com o meio ambiente.

A começar da falta de saneamento básico e da displicência de muitos habitantes citadinos, há crescente risco de contaminação das fontes e mananciais subterrâneos, degradação do solo e disseminação de doenças, como a leptospirose, a dengue e o zika vírus; devido a esgotos clandestinos, obstrução da rede coletora com dejetos sólidos, além da gordura lançada diretamente nos rios.[1]

No dia 22 de março se comemora o Dia Mundial da Água, cuja razão principal é chamar atenção para a urgente necessidade de proteção das bacias, dos lagos e rios; além dos oceanos e mares.

Quando o art. 225 da Carta da República de 1988 enfatiza a qualidade de vida e o ambiente ecologicamente equilibrado, está consagrando o direito à água potável como um dos elementares componentes da saúde de todos os seres vivos, a começar dos humanos.[2]

Durante longo tempo a natureza social e ambiental do progresso foi ignorada pela sociedade, não se educando as gerações para o fato de que o crescimento econômico deve ser paralelo ao desenvolvimento sustentável dos recursos humanos e naturais; o que se tem denominado de “capital natural”.

O “direito ao desenvolvimento” é erigido à condição de fundamento dos esforços comuns em defesa da natureza, com responsabilidade. Neste contexto, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, Agenda 2030) incluiu a necessidade de: “Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos “(ODS 6).[3]

Na Declaração do Rio de Janeiro (1992), no Enunciado 15º, se conclamou a todos os povos a procederem com precaução, bem como prevenindo eventuais danos à Natureza. Em apertada síntese comparativa, no referente às águas, se exige redobrada precaução e crescente prevenção.[4]

A precaução deve ser praticada com base na existência de dúvida sobre eventuais prejuízos ao meio ambiente. Assim, no caso da água, são, abertamente, conhecidos de todos os danos da contaminação dos lençóis subterrâneos, das águas fluviais, dos oceanos, rios e mares, decorrentes do uso de agrotóxicos.

Quanto à prevenção se baseia na certeza dos reflexos negativos já conhecidos da falta de saneamento básico.

Assim, dúvida, desconhecimento e desinformação justificam medidas de precaução; ao passo que certeza, conhecimento e informação impõem a prevenção.

Por fim, só há uma certeza: Temos sede!

[1] BESSA Jr. Oduvaldo. Ocupação e uso do solo. Vida e Cidadania. Gazeta do Povo, 23 de março de 2011, p.12.

[2] BRASIL. Constituição da República Federativa do. 1988, disponível em www.planalto.gov.br

[3] ONU. “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, disponível em www.nacoesunidas.org

[4] ONU. Declaração do Rio de Janeiro (ECO 92). Enunciado 15º, disponível em www.onu.org.br

*Advogada. Mestre em Direito Público pela UFPR. Especialista em Filosofia do Direito pela PUCPR. Professora titular de Teoria do Direito do UNICURITIBA. Professora Emérita do Centro Universitário Curitiba. Orientadora do Grupo de Pesquisas em Biodireito e Bioética – Jus Vitae, do UNICURITIBA, desde 2001. Professora adjunta IV, aposentada, da UFPR. Membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná (ONU, ODS). Membro do IAP – Instituto dos Advogados do Paraná. Premiações: Prêmio Augusto Montenegro (OAB, Pará, 1976-1º lugar); Prêmio Ministério da Educação e Cultura, 1977 – 3º lugar); Pergaminho de Ouro do Paraná (Jornal do Estado, 1997, 1º lugar). Troféu Carlos Zemek, 2016: Destaque Poético. Troféu Imprensa Brasil 2017 e Top of Mind Quality Gold 2017.Membro da Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia – AVIPAF (2018). Membro Titular do Comitê de Ética em Pesquisa do Unicuritiba (2018). Membro da Comissão do Pacto Global da OAB-Pr (2018).

26.10
Alimentos, agricultura e imagem: uma equação fundamental ao equilíbrio do planeta

Daniel Escobar* A relação entre o crescimento populacional no planeta Terra e a oferta de recursos naturais tem sido uma equação cada vez mais difícil de ser administrada. Hoje somos... Leia mais

Daniel Escobar*

A relação entre o crescimento populacional no planeta Terra e a oferta de recursos naturais tem sido uma equação cada vez mais difícil de ser administrada. Hoje somos aproximadamente 7 bilhões de seres humanos coexistindo neste pequeno ponto azul no meio do universo. Até 2050 estima-se que seremos 9,7 bilhões e já sabemos que a capacidade do planeta em prover as necessidades básicas ao suporte à vida é limitada.

Tendo em vista as curvas de crescimento populacional cada vez mais acentuadas e sendo esse um fenômeno impossível de ser evitado, só há um caminho para própria sobrevivência da espécie humana: a melhor gestão dos recursos naturais, de forma a preservá-los e transformá-los em alimentos.

A responsabilidade precisa acontecer em escala global, pois não resta dúvida de que as consequências de decisões sociais, econômicas e ambientais afetam todo o mundo.

Dessa forma, a Organização das Nações Unidas (ONU) assume um papel fundamental enquanto organismo internacional de fomento de discussões e cobrança de ações por parte de empresas e governos. Falando de forma mais específica sobre empresas, a ONU possui uma iniciativa, chamada Pacto Global, que se baseia em 10 princípios relacionados a Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e ações Anticorrupção.

Hoje são quase 13 mil signatários em mais de 160 países. Fazem parte pequenas, médias e grandes empresas, além de organizações da sociedade relacionadas ao setor privado.

Algo interessante a observar sobre o Pacto Global é que a adesão à iniciativa é totalmente voluntária. Ou seja: cada vez mais empresas estão entendendo seu papel para tornar o planeta um local mais sustentável. Mais do que isso: estão entendendo os benefícios de imagem ao aderirem a essas iniciativas.

Mas logo voltamos à questão da imagem.

Antes é preciso acrescentar que, ao decidir integrar o Pacto Global, a empresa também se compromete com os Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma proposta da ONU, lançada em 2015, que de certa forma “desafia” o planeta a avançar em 17 macro objetivos até 2030. Dentre os desafios, estão a garantia dos direitos humanos, acabar com a pobreza, lutar contra a desigualdade e a injustiça, alcançar a igualdade de gênero, dentre outros.

A Rede Brasil do Pacto Global, além de todos os compromissos citados, também atua com grupos de trabalho, sendo alguns setoriais, voltados a debates e ações que possuem ligações com ODS específicos.

Esse é o caso do Grupo de Trabalho (GT) Alimentos & Agricultura, que possui uma conexão maior com os ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). Isso não significa, no entanto, que esse GT não trabalhe todos os outros ODS. Os dois citados estão apenas mais próximos dos temas de debates do grupo, que possui uma enorme responsabilidade.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) o Brasil é o terceiro maior produtor de grãos do mundo e o terceiro maior exportador de alimentos. Tudo isso, produzindo em uma área que ocupa apenas 8% do território nacional. A título de comparação: nos Estados Unidos essa área corresponde à 18% do território daquele país. Na Índia, o percentual chega a 60%.

Os números que relacionam agricultura e preservação foram divulgados esse ano pela agência espacial americana, a NASA, e mostram que o Brasil está na vanguarda não só da produção, mas também da conservação.

Desta maneira – e pensando na difícil equação entre crescimento populacional e recursos naturais – a Rede Brasil do Pacto Global, em especial por meio de seu GT Alimentos & Agricultura, possui  um papel fundamental, que é fomentar o debate equilibrado, propositivo e que busque soluções para manter o país neste rumo apontado pelos números, sempre convidando ao diálogo os diversos atores envolvidos: empresas, governos, Organizações Não Governamentais e sociedade civil em geral.

Lembra-se da questão de imagem? Então. Essa é outra vertente que precisa ser lembrada nessa equação. Conforme mencionei, as empresas estão percebendo cada vez mais que podem somar ativos reputacionais ao relacionar ações de sustentabilidade com os ODS – um compromisso reconhecido internacionalmente.

Mais do que isso, a adesão ao Pacto Global traz ideias para engajar os colaboradores para mais ações, que podem ser comunicadas em diferentes processos, sejam eles internos, externos ou institucionais. O resultado é a criação de um círculo virtuoso, importantíssimo para o equilíbrio dessa equação.

 

*Daniel Escobar é jornalista, supervisor de Comunicação Corporativa da AMAGGI e membro da Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC) da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

19.10
Sustentabilidade corporativa e novidades da CEC

Em outubro, a Comissão de Engajamento e Comunicação do Pacto Global (CEC) se reuniu em Curitiba, na sede do ISAE FGV - Instituto Superior de Administração e Economia, maior conveniada da FGV na... Leia mais

Em outubro, a Comissão de Engajamento e Comunicação do Pacto Global (CEC) se reuniu em Curitiba, na sede do ISAE FGV – Instituto Superior de Administração e Economia, maior conveniada da FGV na região sul do Brasil e terceira maior no país. O encontro, proposto presencialmente a cada três meses, busca reunir todos os membros da CEC para discutirem o andamento dos trabalhos realizados pelo grupo. E para recebê-los, o ISAE FGV preparou boas reflexões pela manhã.

Alguns advogados que representam a OAB do estado do Paraná, entidade signatária do Pacto Global e também integrante da CEC, abriram o encontro apresentando diversas iniciativas voluntárias dos advogados que representam a Ordem no estado, obtidas a partir de um diagnóstico interno da OAB/PR e nascidas com a proposta de engajar de forma transversal escritórios da região. Um dos resultados mais recentes diz respeito à assinatura do TRT/PR ao Pacto Global. As ações dos advogados vão desde ações práticas, como a confecção de uma biblioteca itinerante e a organização de mutirões carcerários, a discussões sobre temas sensíveis na sociedade – por isso a elaboração de planos de valorização para a mulher na advocacia (representado na Comissão da Mulher Advogada), para os advogados portadores de deficiências físicas e advogados idosos.

Em seguida, o Presidente do ISAE, Norman de Paula Arruda Filho, refletiu sobre duas complexas questões: o que faremos até 2030? O que deixaremos de fazer? Dr. Norman, como é conhecido, lembrou que 64% da agenda dos ODS não será cumprida até 2030 sem apoios ou parcerias mútuas e que o desenvolvimento em bases sustentáveis de economias e sociedades depende da qualidade dos profissionais que estão ou estarão na arena corporativa, tomando as decisões necessárias e liderando processos de alta complexidade. Por isso o ISAE tem como objetivo desenvolver lideranças globalmente responsáveis, que prezem pela na ética das relações e pela sustentabilidade corporativa.

O ISAE, juntamente com a Copel – Companhia Paranaense de Energia, cuja representante de sustentabilidade, Jocéli Bogusz, coordenadora de Meio Ambiente e Responsabilidade Social, também compartilhou a realidade da empresa à CEC, patrocinaram em 2018 o Fórum Regional Atingindo os ODS na América Latina (High Level Regional Forum), no Paraná, um evento conjunto do Pacto Global das Nações Unidas e suas iniciativas irmãs: Programa Cidades e PRME – Princípios para Educação Executiva Responsável.

E para fechar a manhã, o professor do ISAE, Gustavo Rafael Collere Posseti, levantou reflexões valorosas sobre o diagnóstico do mundo em relação ao saneamento básico. Também funcionário da Sanepar – Companhia de Saneamento do Paraná, Posseti lembrou-nos que 18 milhões de pessoas, em 2017, ainda praticam defecação a céu aberto, segundo a pesquisa da World Health Organization. Segundo o professor, para sanarmos um problema grave como este, que ainda compromete a vida de tantas crianças durante a primeira infância, se faz necessário mais do que “tropicalizar” o conhecimento – precisamos superar uma economia linear para uma economia circular e encararmos que inovação não pode ser entendida apenas como adjetivo da sustentabilidade.

Pela tarde, a CEC deu andamento às suas tarefas colocando em dia o status dos materiais em confecção. Em outubro, chamamos atenção para as várias atualizações no site do Pacto Global, tais como:

EM BREVE, VEM AÍ:

Até novembro, entrará no ar de diversas instituições signatárias do Pacto Global uma CAMPANHA DAS ODS didática e repleta de dados esclarecedores. Fique atento e acompanhe semanalmente as atualizações!

03.09
O papel da OAB na discussão sobre corrupção no País e o cumprimento dos ODS

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Paraná (OAB/PR) foi a primeira Seccional da OAB a tornar-se signatária do Pacto Global da ONU, em agosto de 2016. Desde então tem como missão... Leia mais

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Paraná (OAB/PR) foi a primeira Seccional da OAB a tornar-se signatária do Pacto Global da ONU, em agosto de 2016. Desde então tem como missão difundir os princípios do Pacto Global da ONU, tornando ainda mais públicas as ações promovidas pela advocacia paranaense. A proposta da Ordem é engajar a sociedade na conscientização de que pequenas ações que podem ser feitas por cada um de nós, cidadãos e cidadãs brasileiros, têm reflexo direto e fundamental na construção do amanhã.

Confira a matéria escrita pela OAB / PR sobre o cumprimento das ODS e a discussão sobre corrupção no país:

Camila Kososki Lucchese[1]
Jaqueline Lobo da Rosa[2]
Luciana Sbrissia Silva Bega[3]

A Agenda 2030, um plano de ação para o desenvolvimento sustentável, elaborada a partir da negociação realizada entre líderes de 193 Estados, reunidos pelas Nações Unidas (ONU), em 2015, impõe aos seus signatários um conjunto de programas, ações e diretrizes para garantir um mundo em que todos vivam livres da pobreza, fome, medo e violência.

Dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), destaca-se o ODS de número 16, intitulado “Paz, justiça e instituições eficazes”, que busca “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”.

Uma das metas estabelecidas pelo objetivo consiste em “reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas” e “desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes em todos os níveis”.

Ora, não configura exagero afirmar que realizar todos os esforços para implementar o ODS 16 é de fundamental importância para atingir todos os demais, eis que os desvios de recursos e verbas públicas destinadas à sociedade impedem a erradicação da pobreza, da fome e da redução de desigualdades.

Tratando-se de um contexto que dialoga com governos inoperantes, com instituições maculadas pela corrupção, além do papel fundamental do Estado, faz-se necessária a participação de toda a sociedade para alcançar plenamente esse objetivo.

Nesta senda, denota-se que a comunidade jurídica como um todo possui uma grande contribuição a oferecer para alcançar as metas previstas no ODS n° 16. No âmbito privado, destaca-se o papel dos profissionais da advocacia, os quais exercem sua atividade de forma independente e desvinculada dos poderes estatais e possuem papel indispensável à administração da Justiça, conforme o Capítulo IV, do Título IV, da Constituição Federal, o qual trata das funções essenciais à Justiça.

Cumpre ressaltar que a advocacia possui uma função social, a qual consiste em garantir o acesso à Justiça a todos os cidadãos, atuando em cumprimento da legalidade e em atendimento à concretização do interesse público, da construção da Justiça social e da proteção do sistema jurídico, contribuindo, assim, com a defesa e fortalecimento do próprio Estado Democrático de Direito. Seria razoável afirmar que ao profissional da advocacia cabe aplicar sua competência e conhecimento técnico para regular interações sociais de forma justa e democrática, de acordo com a própria função social que lhe cabe.

Da mesma forma, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como instituição da sociedade civil responsável por esta classe profissional, assume um papel de enorme relevância na defesa da sociedade e das instituições democráticas, assim como na garantia do cumprimento da Constituição.

Uma das bandeiras históricas da entidade é o combate à corrupção, criando campanhas defendendo a necessidade de uma reforma política, o controle da Administração Pública e o monitoramento de licitações, contas e serviços públicos. São lutas permanentes da Ordem dos Advogados do Brasil a ética no exercício da política e a transparência nas práticas da administração pública, seguindo firme em seu maior alicerce que é defender a Constituição Federal do Brasil e os pilares do Estado Democrático de Direito, em prol de toda sociedade.

A OAB teve participação direta em várias proposições junto ao Poder Público no tocante ao combate à corrupção e ao fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Pode-se atribuir à OAB iniciativas e conquistas tais como a proibição de doações de empresas para eleições e de doações ocultas em campanhas; o aumento da transparência no BNDES; a criminalização do caixa 2 eleitoral; a edição da Súmula Vinculante contra o nepotismo no serviço público; a constitucionalidade da lei da ficha limpa; o fim da imunidade parlamentar em crimes comuns; o fim do voto secreto em cassação de mandato de parlamentares; o pagamento de contas públicas em ordem cronológica; a efetividade da Lei de Acesso à Informação (Lei da Transparência), entre outros.

Ainda, a OAB teve papel fundamental na aprovação da lei anticorrupção e da proposta de um plano de combate à corrupção.

Também no âmbito do ODS n° 16, a promoção do acesso à justiça para todos pode e deve ser objeto de atenção dos profissionais da advocacia, da OAB e da comunidade jurídica como um todo.

Por meio do empoderamento legal dos cidadãos e do fornecimento de ferramentas para se comunicar com o Estado e ser ouvidos por este, é possível diminuir os entraves enfrentados pelo indivíduo no que tange ao acesso à Justiça, tais como o alto custo do processo, a carência de conhecimento jurídico e a ausência de tutela jurisdicional satisfatória.

Entre outras formas de contribuir com a universalização do acesso à justiça, garantindo a inclusão social e democratização da Justiça, a prática da advocacia pro bono pode ser considerada a realização da função social da advocacia em sua forma mais plena.

Recentemente regulamentado em âmbito federal, tal instituto constitui na atividade jurídica prestada voluntariamente pelos particulares no exercício de sua profissão, sendo uma alternativa coerente ao provimento estatal e necessária ao desenvolvimento social, capaz de conectar o setor privado com o acesso à Justiça.

A atuação da Ordem dos Advogados do Brasil, no papel de uma das mais importantes instituições da sociedade civil e de responsável pela regulamentação da advocacia no país, deve se dar no sentido de criar condições para fomentar e difundir a prática, bem como dirimir dúvidas sobre aplicação das regras.

Cientes da sua responsabilidade, diversos profissionais, individualmente ou por meio de escritórios de advocacia, dedicam-se à atividade pro bono, com equipes exclusivas ou de forma rotativa.

Além disso, a atuação da OAB não está restrita ao cumprimento do ODS n° 16.

Pautada na missão de defesa da Constituição Federal, da democracia e da sociedade e diante do relevante papel institucional que possui na história de nosso país, a Ordem dos Advogados do Brasil, ao mesmo tempo que se mantém na vanguarda dos direitos fundamentais de todo cidadão, também busca engajar a sociedade para causas relevantes que são dever de todos.

Para dar cumprimento de forma efetiva às suas finalidades em todo o território nacional, a OAB se divide entre a OAB Nacional, as Seccionais, as Subseções e as Caixas de Assistência para Advogados.

As Seccionais da OAB, órgãos dotados de personalidade jurídica própria e correspondentes a cada estado da federação, possuem importante atuação através de comissões temáticas em diversas áreas, segundo as demandas específicas de cada região, tais como de Direitos Humanos, de Direito Ambiental, de Gestão pública, transparência e controle da administração, de Direito do Trabalho e Sindical, de Compliance, de Defesa da República e da Democracia, da Mulher Advogada, da Pessoa Idosa, da Pessoa com deficiência e de Igualdade Racial, Fiscalização do Exercício Profissional, entre outras.

Exemplo disto é a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Paraná, que foi a primeira Seccional da OAB a tornar-se signatária do Pacto Global da ONU, em 2 de agosto de 2016, e, desde então, tem também como missão difundir os princípios do Pacto Global da ONU a todos, tornando ainda mais públicas as ações promovidas pela advocacia paranaense e, para além disso, engajando a sociedade na conscientização de que pequenas, mas importantes, ações de cada um de nós, cidadãos e cidadãs brasileiros, tem sim um reflexo direto e fundamental na construção do amanhã.

Para tanto, a OAB – PR criou a Comissão do Pacto Global, em Outubro de 2017, para promover a implementação dos 10 Princípios do Pacto Global, alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS (Agenda 2030 da ONU), bem como incentivar a adesão da iniciativa por outros atores, tais como escritórios de advocacia e as demais Seccionais da OAB.

Desde então, as Seccionais de Goiás e do Rio de Janeiro também se tornaram signatárias do Pacto Global da ONU, e a tendência é de que outras Seccionais decidam aderir e se engajar na tutela dos direitos humanos, ambientais, do trabalho e de combate à corrupção, buscando oferecer uma implementação e desempenho de forma mais padronizada e integrada no âmbito nacional.

Desta forma, a atuação da OAB, sendo esta voz constitucional do cidadão e porta-voz da sociedade civil brasileira, sempre em busca da valorização da advocacia e da defesa das prerrogativas do exercício profissional, é decisiva para atingir os objetivos impostos pela Agenda 2030, especialmente no que diz respeito ao fortalecimento das instituições e do Estado Democrático de Direito, ao combate à corrupção e à ampliação do acesso à Justiça.

[1] Camila Kososki Lucchese – Advogada, Membro da Comissão do Pacto Global da OAB/PR, Mestre em Direito Internacional Público e Organizações Internacionais pela Universidade Paris I Panthéon-Sorbonne.

[2] Jaqueline Lobo da Rosa – Advogada, Presidente da Comissão do Pacto Global da OAB/PR, Especialista em Administração de Empresas com Área de Concentração em Gestão de Direito Empresarial pela FAE Bussiness School.

[3] Luciana Sbrissia Silva Bega – Advogada, Membro da Comissão do Pacto Global da OAB/PR, Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/PR, Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela UNICURITIBA.

 

13.08
Você sabe o que é a CEC do Pacto Global?

Antes de falar especificamente da Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC), vamos dar um passo atrás. Você sabe o que é o Pacto Global? O Pacto é uma iniciativa proposta pela Organização... Leia mais

Antes de falar especificamente da Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC), vamos dar um passo atrás. Você sabe o que é o Pacto Global? O Pacto é uma iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas para encorajar empresas a adotar políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, criada no ano de 2000 pelo ex-secretário das Nações Unidas, Kofi Annan. Três anos depois, em 2003, é fundada a Rede Brasil do Pacto Global, que tem o objetivo de propor a agenda aqui no país.

Paralelo a isso, em 2015, líderes mundiais reuniram-se na sede da ONU para organizar um plano de ação que envolvesse pessoas, o planeta e a prosperidade. Foi definida, então, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, ou seja, um conjunto de metas e tarefas a serem realizadas até 2030 no mundo ao qual chamamos de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

As iniciativas para colaborar com o cumprimento dos ODS não são apenas estatais. A iniciativa privada (e também a sociedade civil organizada) podem e devem contribuir com as metas. Eis então que, em 2016, foi criada a CEC, Comissão de Engajamento e Comunicação, ligada à Rede Brasil do Pacto Global. Esse grupo de trabalho busca ajudar empresas, fornecedores, clientes, comunidades locais e qualquer parceiro a participar no cumprimento das ODS.

A Aberje, além de ter se tornado signatária do Pacto Global, assumiu a secretaria executiva da CEC em 2018. Leia a história e mais detalhes sobre a CEC na matéria abaixo:

Por dentro da Comissão de Engajamento e Comunicação do Pacto Global

 

CEC - Comissão de Engajamento e Comunicação

CEC - Comissão de Engajamento e Comunicação

A Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC) é formada por comunicadores e profissionais de sustentabilidade que atuam em diferentes frentes de engajamento e comunicação das organizações signatárias do Pacto Global, uma iniciativa proposta pela ONU para encorajar empresas a adotar políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade. Esse grupo de trabalho tem como missão impulsionar o processo de engajamento aos Dez Princípios do Pacto Global e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) dentro e fora das empresas que compõem a Rede Brasil. Natália de Campos Tamura é representante da Aberje na secretaria executiva da CEC e editora do blog Agenda 2030: Comunicação e Engajamento.