Thiago Castro

Slider_Lab de Comunicação para Mobilidade 28.11.2017

O jornalista Leão Serva apresenta os resultados da pesquisa

Aconteceu no dia 28 de novembro, na sede da Aberje em São Paulo, o lançamento dos resultados da pesquisa “Comunicação e mobilidade: perspectivas profissionais e corporativas”. A pesquisa fez parte do Lab de Comunicação para Mobilidade, em parceria com a GM.

Hamilton dos Santos, diretor-geral da associação, fez a abertura do evento comentando sobre o objetivo do estudo. Realizado entre 27 de setembro e 06 de novembro de 2017 em questionário online, o levantamento se propôs a identificar hábitos relativos à mobilidade urbana de funcionários de empresas e instituições, assim como sistematizar as informações sobre as iniciativas empresariais orientadas para a mobilidade e o papel da comunicação nesse cenário.

Leão Serva, jornalista envolvido nas questões de mobilidade e curador do Lab, apresentou os resultados da pesquisa: “Precisávamos esclarecer os fortes mitos que estão presentes nesse tema”, comentou no início de sua fala. Ele explicou que foram realizados dois levantamentos: um com funcionários e outro com empresas.

Na pesquisa respondida pelos funcionários, 323 pessoas participaram, a maioria (62%) é composta por profissionais do gênero feminino, pertencem ao grupo dos millennials (53%), com até 35 anos de idade e residem, atualmente, em São Paulo (56%). 71% relataram que a Segurança Pública é a principal área identificada como problemática em suas cidades. 33% responderam o Transporte Coletivo e 32% o Trânsito, somando 55% dos entrevistados vendo a mobilidade como um problema central. E tem mais: em média, o deslocamento diário dos entrevistados é de 24 km, realizados em 1 hora e 10 minutos. “Isso dá uma velocidade média de 20km/h. Um corredor amador corre cerca de 12km/h”, afirmou Serva. “Ou seja, vivemos em uma imobilidade”.

Dos entrevistados, 44% declararam usar o carro como principal meio de transporte, e 67% usariam o transporte público caso esta opção oferecesse mais conforto. “O transporte público não necessariamente é tão ruim como o percebido”, destacou. “Boa parte do que move as pessoas a não o utilizarem é a reputação do transporte público. Quem não usa, constrói uma imagem a partir apenas das notícias da imprensa, que são em geral negativas, criando assim uma falsa ideia”. O mesmo fenômeno ocorre com pesquisas de saúde pública, quem a utiliza atribui, na média, uma nota melhor para o serviço. “Essa é uma questão de comunicação”, acrescenta Serva.

Na segunda parte da pesquisa participaram 155 empresas, com cerca de metade delas localizadas na cidade de São Paulo, representando 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. 85% das participantes declararam possuir iniciativas voltadas para a mobilidade, mas 61% dos funcionários acreditam que suas empresas não possuem nenhum programa do tipo. Segundo Carlos Ramello, coordenador do estudo, ações apontadas pelas companhias como home office, disponibilização de fretado e infraestrutura de apoio, como bicicletários, muitas vezes não são vistos como programas de melhora da mobilidade. “Na maioria das vezes, essas iniciativas já são oferecidas há algum tempo, e são vistas como favoráveis, mas não são percebidas como um fator de melhora nos deslocamentos da cidade. Isso precisa ser comunicado de maneira mais eficiente”, disse Ramello.

Essa discrepância no que é feito e no que é entendido reside em um problema de comunicação. Justamente, a área de Comunicação das empresas está envolvida na implementação das ações de mobilidade em apenas 22% dos casos, o que demonstra o problema de percepção pelos funcionários.

Confira o resultado completo da pesquisa aqui.