Busca avançada       1053 comunicadores online          |          linguagem EN ES PT IT          |  cadastre-se    
Curso Internacional

Apoio:

Natura

Vale

Itaú

CPFL

BASF

BB

Apoio Odebrecht

CCFB

TerraForum

HOME >> ACERVO ON-LINE >> COLUNAS >> COLUNISTAS >> Denise Monteiro
COLUNAS


Denise Monteiro


Gestora de negócios na área de Comunicação Empresarial, ministra palestras, cursos e treinamentos na área de comunicação e atuou em organizações como Grupo Ogilvy, Rede Globo de Televisão, Unilever e Tetra Pak. Foi diretora da D+D Eventos. Na FAAP, foi Coordenadora e Professora da Pós-Graduação em Planejamento e Organização de Eventos, a qual idealizou, planejou e implantou; Professora de diferentes disciplinas no curso de Comunicação Social. Na mesma instituição ministrou a disciplina de Comunicação Empresarial no MBA com o mesmo nome. Graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas. Pós-graduada em: Comunicação Empresarial, Gestão de Serviços pela ESPM e no Máster em Tecnologia Educacional pela FAAP. Mestre em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Publicidade: e a criatividade?

              Publicado em 25/5/2011

Recentemente li na Ilustrada uma entrevista da Sandy. Embora ela estivesse divulgando o novo show, ainda havia reflexo da repercussão da “Devassa”, furacão que como veio, foi. Sequer deixou estragos... A cantora disse que encarou o anúncio como uma brincadeira, até porque nem gosta de cerveja. Aliás, também gostaria de brincar ganhando R$ 1 milhão.  Mas o que adorei mesmo foi a seguinte pérola dita por ela: “Ou todo mundo acha que a Xuxa usa Monange e que o Luciano Huck e a Angélica usam Niely Gold?”


Sandy, na polêmica campanha para a cerveja Devassa.


Assim como eu, imagino que todo leitor já pensou em algo parecido. Mesmo sabendo a quem a publicidade desses produtos é dirigida, percebo que algo precisa mudar no discurso publicitário. Penso que a publicidade tem abusado dos estereótipos utópicos e que menos é mais. Embora a qualidade de nossa educação ainda deixe muito a desejar, o consumidor está cada vez mais atento e sabe que não se transformará em Xuxas, Angélicas ou Lucianos.

Não pretendo aqui fazer uma análise do discurso publicitário que busca transformar consumo em consumismo e condenando o capitalismo. Acho esse um clichê antigo e raso. Nem sou criativa publicitária para argumentar com tanta propriedade, mas sou profissional de comunicação e pesquisadora da área, que observa o cotidiano do receptor (consumidor). Se a cereja do bolo dos publicitários é o criativo, será que não está na hora de arejar a criatividade, beber em novas fontes e recriar a criatividade? Pelo menos estes que abusam dos estereótipos. Reconheço a excelente qualidade da publicidade brasileira no cenário internacional, e que soube se adaptar as novas mídias. Porém observo também a transformação do consumidor que adquiriu um olhar mais crítico, mais desconfiado e opinativo.

Na polêmica gerada na campanha da Devassa com a Sandy, a crítica existiu exatamente pela fuga do estereótipo, pois ela tem o perfil da boa moça (embora queira mudar), nada devassa (pelo menos fora das quatro paredes). Mas havia uma divisão e notei (via Facebook) que alguns dos meus amigos publicitários, baby boomers (1950 – 1969) ou da geração X (1970 – 1980) foram do contra. Alguns jovens da geração Y (1981 – 1990) também, mas se tratava de uma resistência, ou não aceitação, da Sandy ainda um pouco associada ao brega, que deve ser um resquício do “abre a porta ma riquinha”. Mas muita gente gostou, como eu. Acredito que toda mulher tem sua dose de devassa e se não tem deveria ter (dentro das quatro paredes). Vale lembrar que o baixinho da Kaiser também fugia do estereotipo, apesar de estar sempre no meio de mulheres deslumbrantes, o que é outro estereotipo.




Xuxa e o casal Huck nas propagandas da Monange e da Niely Gold, respectivamente.



A Sandy é da geração Y e já tem 28 anos. Ou seja, já não são tão novinhos assim estes consumidores mais críticos. E os mais velhos da geração Z (após 2000) já estão com 11 anos. Como lidar com novas gerações, cada vez mais diferentes, se ficamos cada vez mais velhos? Discutir o confronto de gerações não adianta, pois ninguém irá mudar a realidade. A fórmula mágica é entender as diferenças e aceitá-las para convivência pacífica e produtiva.

Os ciclos são cada vez mais curtos, de produtos, de consumo, de tecnologia e até o geracional. Segundo o educador Mário Sérgio Cortella  durante muito tempo as gerações eram de 25 em 25 anos. Atualmente são de 10 e tem quem pregue 5. Aliás, se já estamos na geração Z em breve iniciaremos o alfabeto grego. Logo, está na hora da publicidade repensar seu ciclo criativo. Por outro lado, a estimativa de vida é cada vez maior. Isso significa que cada vez mais, pessoas diferentes precisam conviver em casa, nas escolas, nas empresas e em vários outros espaços, dentro de um processo de aceitação. Não há o certo e o errado. Há apenas o diferente. Porém, consciente ou não, as experiências das gerações passadas estão no DNA das mais novas. Os mais novos sabem identificar discursos antigos e sabem discernir o que perpetuar e o que descartar.

Aprendi que quanto mais estudo, mais descubro que sei muito pouco. Se quiser continuar ativa profissionalmente tenho que continuar a aprender, a reciclar e a produzir com criatividade e qualidade. Caso contrário: aposentadoria.

Quanto aos criativos, sei que possuem limites na criação. O briefing do cliente, o conservadorismo de algumas organizações, são impeditivos fortes, mas não custa tentar...


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 1094

Indique esta coluna

voltar



Sobre a Aberje   |   Cursos   |   Eventos   |   Comitês   |   Prêmio   |   Associados |   Diretoria   |    Canal de Associados   |    Fale conosco   |   Siga-nos no Twitter   |    Cadastre-se

Aberje - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial ©2012 Todos os direitos reservados.
Av. Angélica, 1757 - 12º andar - Higienópolis - 01227-200 - São Paulo - SP | Tel: (11) 3662-3990 - Fax: (11) 3662-0238