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Mônica Alvarenga
monica@monicaalvarenga.com

Coach e consultora em Comunicação e Relacionamentos Organizacionais, graduou-se em Comunicação Social pela UFRJ, Letras (FEUC), especializando-se em Marketing (FGV), Comunicação Corporativa (Syracuse University, NY) e Mídias na Educação (UFRRJ). É diretora da Múltipla Comunicação. Escreve para portais e blogs sobre relacionamento e comunicação. 

www.monicaalvarenga.com

Transparência ou nudez, tanto faz! Estamos à vontade com a superexposição?

              Publicado em 25/6/2010

“Você é transparente!” Já perdi a conta de quantas vezes escutei essa frase, mas lembro-me da última: um comentário postado por um consultor de marketing em meu blog pessoal. Naquele instante, me senti desconfortável. Algo como estar despida diante de um quase desconhecido. A sensação surpreendeu-me. Afinal, há muito tempo escuto os comentários a respeito da minha transparência e, no meu blog pessoal, não me economizo, porque acredito que mergulhando fundo na alma conhecemo-nos melhor, aceitando-nos com menos restrições.

Então, qual o problema com a transparência? Não estava preparada para me revelar diante de qualquer leitor? Me dei conta do quanto repito às empresas que a transparência é uma necessidade em todas as práticas corporativas, uma tendência irreversível, uma urgência social, entre outros argumentos. Sigo defendendo a tese de que não adianta esconder fatos dos públicos de relacionamento, sejam eles quais forem; que, hoje, há muitas formas para descobrir qualquer coisa. As redes sociais e os avanços da tecnologia amplificaram a rede de boatos, internamente conhecida como rádio-peão.

E o que acontece quando empresas não estão preparadas para despirem-se diante de seus stakeholders, incluindo aqui o público interno? Se eu, considerada “transparente” desde criança, que me julgava pronta para qualquer exposição, senti esse desconforto; imagino o que acontece com quem não está acostumado ao peso da exposição. Diante dessa constatação, meu instinto maternal emergiu; fiquei com vontade de colocar algumas empresas no colo. Na impossibilidade de fazê-lo, comecei a pensar em recomendações para que elas, com tanta vida quanto eu, pudessem estar um pouco mais preparadas diante dessa nova ordem, onde a nudez empresarial, muitas vezes, deixa de ser voluntária.

Novamente, pensei em mim. A certeza de quem somos é a força maior que nos sustenta em situações de superexposição. Não importa o que pensam de mim, se sei quem sou. O mesmo vale pras corporações. Para despir-se sem pudor ou desconforto no mercado, elas têm que saber exatamente quem são e a que vieram. E isso vai além de estabelecer e divulgar a missão e a visão! Se essas afirmações ou compromissos não refletem a realidade, esquece! Não servem de nada! É preciso muito mais. Não basta  os colaboradores terem a missão na ponta da língua! É preciso sentirem que vale o que está escrito, através da coerência entre as atitudes e os documentos da empresa. Isso é identidade!

Na atual dinâmica social, no entanto, estabelecer a própria identidade é só o começo. Porque a imagem não é construída somente pela identidade. A percepção que o outro tem não depende necessariamente da certeza a respeito de quem se é. Talvez, por isso, a interação com o leitor do blog tenha me incomodado. Por sua conta, ele construiu uma imagem de mim, a partir dos meus textos, e foi além: expôs sua opinião a meu respeito para quem quisesse ler. Com as empresas, acontece o mesmo. Não se pode controlar o que os stakeholders acham das corporações, mas elas próprias devem ter a coragem de descobrir o que pensam a seu respeito, desenvolvendo uma rotina que lhes permita conhecer e encarar a própria imagem, pela ótica de seus públicos.

O desconforto faz parte do processo. Se pararmos pra pensar, até bem pouco tempo atrás, mulheres e empresas vestiam-se do pescoço aos pés. Ainda não estamos acostumados a andar "nus". Ou pior, a sermos “despidos”. Os tempos mudaram. Todos estamos mais expostos e, famosos ou não, pequenos ou gigantes em receita, estamos na mídia. Não é por acaso que surgiram a busca desenfreada por vantagens competitivas que ninguém poderá imitar (como se isso fosse possível) e os programas de governança corporativa, que administram e tentam dar rumo e medidas a todos esses atributos intangíveis. Não se fala mais apenas em qualidade de gestão, mas em como essa gestão é percebida. A percepção ganhou valor igual ou maior que o objeto de análise. Outras mudanças sucederam-se, como a questão da retenção de talentos que deixou de ser meramente quantitativa e resvalou para a habilidade que os responsáveis por pessoas têm para atrair e reter colaboradores cada vez mais complexos. Relacionamentos também passaram a ser avaliados de forma qualitativa, com foco na forma como são conduzidos. E por aí seguimos, numa lista interminável de intangíveis que se refletem no negócio de forma direta.

Em todos esses aspectos, a transparência passa a ser o catalisador da confiança que poderá aumentar positivamente esse capital intangível. Se a imagem que fazem de nós é um fator importante para a inserção social e para construção e manutenção de boas relações, a redução da distância entre “quem pensam que somos” (imagem percebida) e “quem pensamos que somos” (identidade) contribuirá significativamente com a conquista de um forte lastro para os inevitáveis momentos de instabilidade, em que se propagam imagens que julgamos equivocadas.

Se acreditamos que relacionamentos, hoje, são o maior patrimônio de uma pessoa – seja ela física ou jurídica -, então vale a pena todo cuidado e desconforto de lidar com a tão falada transparência. Porque, sem ela, já não é mais possível construirmos relações verdadeiras, fundamentadas na confiança e capazes de feitos surpreendentes como o auxílio na superação de momentos de crise e o compromisso inalienável com novos projetos e propostas. E, se isso vale pras corporações, com certeza vale pra você e pra mim.


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 1402

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