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COLUNAS
1/1/2010


Mauricio Felício
mauricio.rp.usp@gmail.com

@mauriciofelicio atua no setor farmacêutico, com formação em Relações Públicas pela USP. Atualmente é professor conferencista da ECA-USP. Além de cursar MBA em Gestão de Comunicação e Marketing (USP/Florida University), é pós-graduando em Mídias Digitais (USP).

Faça seu ano novo ainda melhor!

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No começo de cada ano, uma legião vai à praia, pula algumas ondas, come lentilha, faz inúmeras simpatias e pede paz, prosperidade e saúde para si e para os outros.

Em diversas partes do mundo, são inúmeros os pedidos e as promessas de ano novo. Alguns tão profundos como os ideais da Revolução Francesa, outros mais temporais, como ganhar na Mega-Sena ou ter um novo amor.

Por mais que pareça, estes não são pedidos estritamente pessoais. Ou ao menos não deveriam ser.

Todos nós, como profissionais, desejamos ter liberdade de expressão, igualdade de oportunidades e fraternidade em nosso trabalho. Quantos de nós, ao chegarmos em casa, não dizemos com orgulho que trabalhamos para oferecer, com nossos produtos ou serviços, mais saúde, alegria e conforto para as pessoas?

Nas empresas não somos obrigados a ganhar na Mega-Sena, mas somos cobrados por resultados. E os comunicadores não pedem novos namoros, mas são responsáveis por promover um relacionamento cada vez mais positivo entre a empresa e a sociedade.

Mas as empresas não podem pular ondinhas. Então o que fazer para propiciar um ano novo com muitas realizações, com mais humanidade nos negócios e ainda assim com bons resultados?

Tenho dois bons exemplos empresariais que mostram como nossos pedidos e nossas promessas não precisam salvar o mundo de uma só vez, mas podem gerar boas ações ligadas ao nosso negócio.

O primeiro, um exemplo brasileiro, protagonizado pela empresa Arcor, que comercializa um doce em formato de tartaruga chamado Tortuguita. Ao comprar uma Tortuguita Tamar, parte dos valores é destinado ao projeto Tamar, que há anos ajuda na proteção e recuperação da população de tartarugas marinhas na costa brasileira.

O segundo exemplo é da empresa Levi’s, que inseriu a seguinte frase na etiqueta de suas camisetas para estimular a doação destas camisetas quando elas não forem mais necessárias para quem as comprou: Donate to goodwill when no longer needed and care for our planet.

Com estes dois casos, vemos que não precisamos levantar bandeiras insustentáveis, mas é necessário e plausível que utilizemos ssos recursos para gerar, com nossas ações, retornos ainda melhores para a sociedade.

E entender o motivo pelo qual estas campanhas são extremamente positivas é simples, pois além de serem iniciativas de cunho sócio-ambiental, ambas têm profunda ligação com os produtos em questão.

Por isso, busque nos seus produtos e serviços a melhor forma que sua empresa tem de unir o seu negócio a ações fraternas.

Este é meu desejo de ano novo a todos. Que sejam bons profissionais para suas empresas e melhores ainda para a sociedade que as suporta.

Com isso, deixaremos de distribuir verbas para abater dos impostos e passamos a empregar recursos de modo mais condizente com nossas ações, missão, visão e valores, de fato.

Desnecessário dizer que há outros tantos exemplos de ações como estas. Então para aqueles que já realizam boas práticas sociais, parabéns.

Que as ações empresariais deste novo ano sejam ainda mais consistentes e cada vez menos como os lindos e efêmeros fogos de artifícios da virada. É nosso papel colorirmos nossas ações, darmos brilho a elas, suportar a esperança, mas também materializá-las.

Boa sorte, bom ano a todos e meu sincero agradecimento à ABERJE e a todos os seus membros e leitores pela oportunidade de estar em contato com vocês e aprender mais a cada dia com este nosso diálogo.


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 561


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Comentários

Ricardo - 5/1/2010
Maurício, assim como os pedidos de final de anos não são pessoais, são coletivos, estamos buscando como comunicadores a fixação de ações exemplificadas por vc, como cultura organizacional de qualquer empresa. Gosto do teu pensamento. Melhor ainda que ele se encontre no site da Aberje.

Leonardo Bragança - 6/1/2010
Acho que 2010 será o ano do fim do papinho da sustentabilidade e da responsabilidade social e o início da mudança real do consumidor frente a essas questões. E as empresas precisam sim ter atitudes concretas - repetindo, concretas - nesses temas, voltados a seus produtos e serviços. Estou preparando um artigo-case sobre um produto da Coca-Cola que será 100% "verde". Prometo complementar aqui depois com o link, para ampliarmos a discussão sobre essas boas ações para a sociedade e o planeta. Abraço.

Diego Fåvero - 6/1/2010
Antes de mais nada, excelente ano novo pra vc, Mauricio. Como o Leonardo disse, espero que esse ano esse papo de sustentabilidade a todo vapor seja revertido em ações que pensem na sociedade e não somente na imagem empresarial da mesma. Feliz comunicação!!

Mauricio Felicio - 7/1/2010
Obrigado pelos comentários. Responsabilidade Social é um tema profundo e complexo que demanda ações concretas, como bem colocou o Leonardo. Além de ações concretas, precisamos mudar o pensamento do comunicador. Nós não estamos apenas falando para um "público" e realizando campanhas. Nós construímos representações e realidades. Prometo me aprofundar mais em breve. Ricardo, como comentei no artigo, é muito bom ter um espaço como a ABERJE para debatermos o aprimoramento não só da comunicação como dos comunicadores, das empresas e da sociedade com nossas ações. É em espaços como este que passamos a desenvolver pensamentos e ações que transformam a cultura das organizações em algo mais humano, a cada dia. E Diego, obrigado pelo apoio constante. De fato devemos agir mais voltados à sustentabilidade real do que voltados apenas à imagem corporativa em função deste tipo de ação. Bom amigo, espero ver seus artigos em breve.

Agatha - 7/1/2010
Os artigos do Mauricio são sempre muito pertinentes! A reflexão realizada é válida e coerente com o que eu penso.



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