×

Aberje Trends 2019, 2º dia: desafios globais da comunicação

Redação Portal Aberje

Nos dias 3 e 4 de abril, a Aberje realizou a 4ª edição do Aberje Trends, que apresenta as principais tendências da comunicação e dos negócios

Por Laura Diniz Scofield, Mariah Lollato Corrêa (Jornalismo Júnior) e Andre Nakasone

 

A 4º edição do Aberje Trends aconteceu nos dias 3 e 4 de abril, no centro de eventos do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com o tema “Comunicação, Negócios, Política e Reputação: a nova atmosfera no Brasil”. Foram dois dias para discutir as principais tendências que impactam a comunicação e os negócios, com grandes nomes de profissionais da comunicação corporativa brasileira, além de palestrantes internacionais e presidentes de grandes empresas.

Na pauta dos dois dias estava sustentabilidade, comunicação pública, negócios e política, governança corporativa, liderança, reputação, relações governamentais, transformação digital, tendências globais em comunicação, novas tecnologias, e co-criação. Confira abaixo os principais insights do segundo dia!

(Veja a cobertura do primeiro dia aqui).

O Aberje Trends 4ª edição tem patrocínios da Accor, Amil, CCR, Coca-Cola Brasil, CPFL Energia, Latam Airlines, LexisNexis, McDonald’s e Vivo, e apoio da APCE (Associação Portuguesa de Comunicação de Empresas), Global Alliance for PR and Communication and Management, Instituto Marca e Reputação, I’max, Jornalista e Cia, Negócios da Comunicação, Mega Brasil e Plurale.

As fotos do evento podem ser conferidas na fanpage da Aberje no Facebook.

Como gerar valor por meio da comunicação – Global Alliance

José Manoel Velasco abre o segundo dia do evento (Foto: João José Carniel)

A sessão da manhã foi apresentada pela Global Alliance for Public Relations and Communication Management, instituição que congrega as principais associações de relações públicas e comunicação do mundo e da qual a Aberje é membro do board.

José Manuel Velasco, presidente da Global Alliance, abriu a sessão falando sobre a organização e sobre como gerar valor por meio da Comunicação. O profissional espanhol ressaltou a função do grupo: “ajudar os profissionais de PR a se tornarem melhores líderes”. Entre os valores que norteiam a atividade, está a importância de um trabalho ético, autêntico, criativo, verdadeiro e que inspire confiança. Velasco falou de cooperação e co-criação, uma vez que o conhecimento produzido e divulgado pela organização é construído em conjunto – similar ao que acontece na Aberje. Também ressaltou o fato de que é uma função do comunicador inserir pautas socialmente engajadas nas agendas dos CEOs.

Tendências globais

Em seguida alguns membros da Global Alliance apresentaram as tendências da comunicação empresarial em seus respectivos países, com representantes da Irlanda, Reino Unido, Quênia e Nova Zelândia.

O primeiro a falar foi Justin Green, da Irlanda, presidente da Wideawake Communication. Green citou a positividade do cenário econômico irlandês para os profissionais de PR. Devido ao Brexit, abre-se oportunidades para o mercado irlandês, uma vez que algumas empresas têm se mudado para a República da Irlanda. “O nível de crescimento de negócios está indo bem, o setor público está gastando novamente e as agências de PR estão otimistas. Podemos dizer que a indústria de relações públicas está bastante saudável no momento”. Contudo, ainda existem desafios a serem enfrentados, como a dificuldade em manter e contratar profissionais, em especial para cargos de gerência, a onda de fake news e a falta de estratégias de proteção para donos de plataformas digitais.

Fionna Rose Cassidy, membro da diretoria da Global Alliance, falou pela Nova Zelândia. Em sua fala de abertura, Cassidy se apresentou na língua nativa e cantou uma música típica Maori. Sobre a profissão, afirmou que ainda predomina o desconhecimento. “Os CEOs e diretores não sabem o que fazemos, apenas somos reconhecidos nos momentos de crise”. Casssidy afirmou que outro grande desafio é fazer com que os profissionais “sejam vistos como mais do que gerenciadores de mídia e produtores de conteúdo”.

Alastair McCapra, diretor executivo do instituto Chartered de Relações Públicas, do Reino Unido, apresentou a última pesquisa feita pelo instituto, que buscou mapear os desafios da indústria na área. Um grande desafio se encontra na “discrepância existente entre o que os profissionais de PR pensam que são bons em fazer, e o que o mercado quer”: de um lado, estão habilidades técnicas, do outro, demandas de planejamento e gestão de recursos e equipes. Ele também citou os 11 principais desafios enfrentados pela indústria. O número 1 é sobre a mudança do cenário social e digital. Em 2º lugar está a sub-representação de profissionais de relações públicas no nível dos conselhos. Ao final, ressaltou que a intenção de seu instituto é “tentar desenvolver os membros para que eles se transformem em líderes que têm pensamentos estratégicos e críticos”.

Jane Gitau , Presidente da Sociedade de Relações Públicas do Quênia e Secretária-Geral da Associação Africana de Relações Públicas, falou sobre os meios de comunicação que mais influenciam seu povo, dando grande importância ao Twitter. Gitau comentou também sobre as crises no país e como devem ser gerenciadas. “Relações Públicas é um trabalho estratégico, que deve ser planejado, gerenciado por objetivos, avaliado e conectado de alguma forma aos objetivos organizacionais”, afirma.

Para Velasco “Comunicação não é para qualquer um, é uma profissão para corajosos. É necessário coragem para falar a verdade ao líder e para ser transparente”. Os profissionais lidam com reputação, crises, sentimentos das pessoas, revolução digital. “O desafio global da profissão é o de demonstrar valor estratégico, alinhar interesses dos negócios e dos públicos e estar preparado para as crises”.

Membros da Global Alliance no Aberje Trends (Foto: João José Carniel)

Networking versus Notworking

O escritor Alexandre Caldini, falou sobre seu mais recente livro publicado “Networking versus Notworking: seja interessante, não interesseiro”, pela Editora Abril. Para Caldini, networking é um modo de vida, uma vez que viver é relacionar-se com outras pessoas. “Tenha interesse genuíno no outro”, resume o autor. Repertório, criar afinidade e conforto e ouvir são outras dicas que ele dá para ser verdadeiramente interessante, não interesseiro.

Alexandre Caldini (Foto: João José Carniel)

Inovação e tecnologia

O papel da inovação e da tecnologia na comunicação e na construção da cultura empresarial foi tema do painel da tarde, com mediação de Marina Peixoto, Diretora de Comunicação Corporativa da Coca-Cola Brasil.

Flavia Tâmega, Diretora Jurídica da Arteris, contou sobre o Programa de Integridade Arteris, implementado na companhia para tornar as relações internas e entre fornecedores mais saudáveis e pautadas na ética. “A linguagem usada é simples, mas não infantil. Os temas são sérios, e nós os tratamos de forma séria”, afirmou.

Leandro Conti, Diretor executivo de Marketing, Comunicação e Sustentabilidade do UnitedHealth Group Brasil, contou sobre a entrada da Amil no ambiente digital. “Não adianta criar algo que não tenha uso para as pessoas, a tecnologia por si só não se sustenta”, afirma. A companhia realizou uma grande campanha que tinha um objetivo ambicioso: mudar o comportamento dos públicos da saúde – tanto pacientes como médicos. A ideia é que consultas e exames muitas vezes desnecessários oneram todo mercado. A campanha gerou muitas dúvidas e questionamentos dos consumidores nas redes sociais e, para respondê-las, a empresa contou com as pessoas reais por trás do movimento: os próprios funcionários. Foram mobilizados 250 funcionários que se voluntariaram para responder às perguntas de forma humana, direta e transparente.

Ricardo Sanfelice, Vice-Presidente Digital e de Inovação da Telefônica Vivo, trouxe para a discussão a experiência da empresa com o Vivo Digital Labs: um espaço de desenvolvimento de projetos inovadores, com metodologias do universo das startups, baseadas em co-working, scrum e desenvolvimento ágil. O espaço acabou gerando um movimento interessante na empresa, disseminando uma cultura de inovação para as outras áreas: horários flexíveis, dress code autêntico, colaboração e fim de baias.

Marina Peixoto, Ricardo Sanfelice, Leandro Conti e Flavia Tâmega (Foto: João José Carniel)

Inovação como componente estratégico

O segundo debate trazia duas experiências relacionadas à produção de eventos corporativos, com moderação de Gustavo Youssef, Sócio-Fundador da Exxmartt Corporate Experiences. Andréa Galasso, Especialista em Marketing e Comunicação, falou sobre o espaço ARCA, localizado na Vila Leopoldina, uma região tida como degradada em São Paulo. Grandes eventos passaram a ser organizados ali, de modo a levar “descentralização e movimentação urbana” como forma de transformação social.

Rogério Louro, Diretor de Comunicação Corporativa da Nissan, contou como foi a “Expedição Nissan”, que levou jornalistas e influenciadores para conhecerem sítios arqueológicos brasileiros na picape da marca.

Rogério Louro, Andréa Galasso e Gustavo Youssef (Foto: João José Carniel)

Colaboração e co-criação

O último painel abordou a colaboração entre fornecedores como forma de gerar valor. Renata Coufal, Diretora de Negócios da U-Studio Brasil na Oliver Agency, e Paula Lopes, Diretora de Marketing da Unilever, falaram sobre sua experiência criando peças publicitárias em conjunto. Sobre o trabalho coletivo, Lopes afirmou: “serve para que possamos inovar não só baseadas no que recebemos de briefing, mas também no que observamos”.

Gustavo Otto, Head de content da Ogilvy, falou de como o marketing atual é uma disputa de conteúdo. “Hoje, recebemos em média 5000 mensagens por dia. Em 2014, eram apenas três”. Em meio a isso, é necessário dialogar com o consumidor, de maneira cada vez mais próxima, para entender o que ele deseja. Neste sentido, Bárbara Bono, Head de Conteúdo e Criação da Fiat Chrysler Automobiles, reafirma a importância de, a partir deste entendimento, “pensar em uma estratégia que faça com que as pessoas gerem conteúdo para a marca”.

Apesar de se falar de forma constante em inovação, os palestrantes reafirmaram que ela não se resume à tecnologia. Inovar ainda está ligado, primariamente, ao potencial de criação humano: fazer uso da tecnologia para amplificar este potencial.

Colaboração e co-criação no último painel do Aberje Trends (Foto: João José Carniel)